Resultado líquido da companhia no período de abril a junho foi de R$ 4,54 milhões após queda de 12,9% no faturamento total
A Cerradinho fechou o primeiro trimestre da safra 2026/27 com um lucro líquido de R$ 4,54 milhões, o que representa uma queda de 93,7% em relação aos R$ 72,3 milhões registrados no mesmo período do ciclo anterior.
Conforme relatório de resultados divulgado na terça-feira, 11, a empresa sofreu o impacto da retração nas receitas de seus principais produtos, embora tenha operado com avanço nos indicadores agrícolas e forte alta nos investimentos.
“O desempenho refletiu principalmente os menores preços de comercialização observados ao longo do período, além da estratégia comercial adotada pela companhia, que resultou em maior carregamento de estoques para comercialização em períodos subsequentes”, aponta a Cerradinho, em relatório.
A receita líquida da empresa totalizou R$ 888,53 milhões no período, um recuo de 12,9% na comparação anual. O montante foi pressionado sobretudo pelas quedas no faturamento do açúcar VHP, que encolheu 36,9% (para R$ 140,56 milhões), e do etanol de milho, com baixa de 18,9% (para R$ 389,31 milhões). Já a receita com energia cedeu 13,8%, indo a R$ 36 milhões.
Por outro lado, o faturamento gerado pelo etanol de cana cresceu 3,1%, para R$ 137,65 milhões, e a receita com créditos de descarbonização (CBios) saltou 210,3%, alcançando R$ 5,98 milhões no trimestre. Outras receitas tiveram uma variação positiva de 2.487,9%, saltando de R$ 662 mil para R$ 17,13 milhões.
“No primeiro trimestre da safra 2026/27, foram escriturados 215 mil CBios, volume 82% superior ao registrado no mesmo período da safra anterior. Esse desempenho reflete o início da certificação da unidade Neomille em Mato Grosso do Sul, que passou a emitir créditos de descarbonização a partir de março de 2026”, relata a Cerradinho.

Com isso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 261,3 milhões, retração de 21% ante o primeiro trimestre da safra passada. A margem Ebitda ajustada cedeu 3 pontos percentuais, passando de 33% para 29%.
A companhia encerrou o período com a dívida líquida em R$ 2,46 bilhões, um avanço de 18,9%, o que elevou a alavancagem de 1,57 vez para 1,77 vez. Por sua vez, a liquidez da empresa subiu 31%, atingindo 2,62 vezes.
“Importante reforçar que 92% do endividamento da empresa está referenciado em moeda local, com 8% do endividamento bruto no longo prazo”, destaca a Cerradinho.
Moagem e produção
Apesar da queda nas receitas, as operações da Cerradinho registraram avanço. A moagem total (cana e milho equivalente) cresceu 8,9% no trimestre, atingindo 4,82 milhões de toneladas. “Os indicadores de moagem apresentaram crescimento, estabelecendo um novo recorde histórico para um primeiro trimestre de safra”, celebra a Cerradinho, em relatório.
Especificamente, o processamento de cana avançou 13,3%, para 1,94 milhão de toneladas, impulsionado por um salto de 13,9% na produtividade agrícola, que atingiu 89,4 toneladas por hectare. Já o teor de açúcar total recuperável avançou 3,2%, para 128 quilos por tonelada.
“Esse avanço decorre da combinação de condições agronômicas favoráveis e assertividade no manejo agrícola. A aplicação criteriosa de maturadores, associada à colheita das variedades no momento agronomicamente mais adequado, contribuiu para elevar a concentração de açúcares na matéria-prima processada”, detalha.
Além disso, a fatia de cana própria na moagem subiu 2 pontos percentuais, chegando a 56%. “A entrega de cana ocorreu em ritmo superior ao observado na safra anterior, refletindo ganhos de eficiência”, afirma a empresa, que segue: “A recuperação dos canaviais, que haviam sido impactados por condições climáticas adversas, incluindo períodos de seca e ocorrências de incêndios na safra 2024/25, contribuiu significativamente para os resultados observados”.

Ainda assim, a Cerradinho observa que a operação foi afetada por chuvas acima da média em junho, mas ressalva que o impacto foi limitado no acumulado da temporada. “Além disso, as chuvas contribuíram para a recomposição da umidade do solo e para a recuperação do potencial produtivo dos canaviais em um contexto de baixa disponibilidade hídrica”, pondera.
O volume de milho moído, por sua vez, cresceu 6,3% na comparação anual, indo a 403 mil toneladas. “Esse desempenho reflete a captura gradual dos ganhos operacionais decorrentes do projeto de ampliação da unidade de Goiás, impulsionada pela liberação faseada dos equipamentos contemplados no investimento”, relata a Cerradinho, acrescentando que a unidade de Maracaju (MS) teve uma parada programada de sete dias, o que não ocorreu no mesmo período do ano anterior.
Na produção, o destaque foi o etanol, que apresentou alta de 19,9%, somando 271 milhões de litros – dentro desse montante, 183 milhões de litros foram produzidos a partir do milho (+8,3%). Em contrapartida, o volume de açúcar caiu 10,3%, indo a 105 mil toneladas.
“Em linha com sua estratégia comercial e de otimização do mix de produção, a companhia reduziu a parcela do ATR destinada à fabricação de açúcar VHP no período. Dessa forma, o mix açucareiro passou de 60% para 46% do ATR produzido”, justifica.
Ainda de acordo com a Cerradinho, a exportação de energia teve incremento de 24,5% como reflexo do maior volume processado, indo 137 gigawatts-hora, e o volume de CBios vendidos disparou 654,8%, alcançando 317 mil títulos. A produção de grãos secos de destilaria (DDGs) subiu 6,3%, para 101 mil toneladas.
Investimentos
Os aportes de capital consolidados da Cerradinho aceleraram no primeiro trimestre de 2026/27, somando R$ 264 milhões, uma alta de 127,2% sobre os R$ 116,2 milhões investidos um ano antes. Segundo a empresa, o movimento reflete “a continuidade dos investimentos estratégicos destinados à expansão da capacidade produtiva, à ampliação da base de ativos agrícolas e à sustentação do crescimento operacional”.
Assim, o salto na comparação anual foi puxado pela linha de modernização e expansão, que decolou 741,3% no período, saltando de R$ 18,64 milhões para R$ 156,79 milhões. A quase totalidade desse montante (R$ 149,73 milhões) foi destinada a projetos industriais e agrícolas.

“O aumento é explicado principalmente pelos desembolsos relacionados à expansão da planta de etanol de milho da Neomille, projeto que já se encontra em operação e continua recebendo investimentos complementares”, afirma a empresa.
A Cerradinho ainda acrescenta que foram incorporados aproximadamente R$ 93 milhões referentes à aquisição de uma área de 1,1 mil hectares, concluída em maio de 2026. “A transação foi realizada como uma oportunidade estratégica complementar à aquisição efetuada no terceiro trimestre da safra 2025/26”, observa.
Por sua vez, os investimentos em manutenção dos canaviais cresceram 19,2%, para R$ 61,34 milhões, enquanto os recursos direcionados a melhorias operacionais se mantiveram praticamente estáveis, com leve recuo de 0,5%, somando R$ 45,87 milhões.
Fonte: NovaCana
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