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Aumento do preço dos combustíveis gera protestos ao redor do mundo

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
17 setembro, 2026
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Tempo de leitura: 8 minutos
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Guerra entre Estados Unidos e Irã, que começou em 28 de fevereiro, elevou o custo do petróleo

Em 13 de setembro, manifestantes na província de Idlib queimaram pneus e outros detritos para bloquear uma rodovia, em meio aos protestos contra o aumento do preço dos combustíveis que se espalharam pela Síria  • Ahmed Albam/AP via CNN Newsource

Manifestantes estão indo às ruas em todo o mundo para expressar indignação com o aumento dos preços dos combustíveis e os apagões frequentes, à medida que a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, que já dura meses, eleva o custo da energia globalmente.

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Os preços do petróleo voltaram a subir acima da marca de US$ 100 por barril na semana passada, após novos ataques dos EUA contra petroleiros iranianos no Golfo e a retomada dos combates no Iêmen, que ameaçam a navegação no Estreito de Bab el-Mandab.

Para os Estados Unidos, isso significou preços elevados da gasolina e alertas severos para as famílias que dependem de óleo de aquecimento para se manterem aquecidas no inverno, já que analistas preveem um aumento de 30% nos preços em meio à guerra com o Irã.

Para as nações menos ricas, o impacto nas finanças nacionais – e nos bolsos das pessoas – tem sido ainda mais severo, com a paciência muitas vezes se esgotando.

Com o aumento do preço dos combustíveis, cresce também a raiva das pessoas que já não conseguem pagar a gasolina, ir trabalhar, manter seus negócios em funcionamento ou mesmo prestar serviços essenciais.

Na Síria, manifestantes queimaram pneus em uma rodovia movimentada. Na Guatemala, bloquearam estradas para exigir uma ação imediata do governo. E em Portugal, líderes empresariais e trabalhadores locais marcharam até a residência do primeiro-ministro.

Síria

A forte alta nos preços dos combustíveis durante o fim de semana desencadeou protestos em toda a Síria, marcando as maiores manifestações no país desde a queda do regime de Assad, há dois anos.

Segundo a agência de notícias Sana, o governo do país aumentou temporariamente o preço do diesel para 175 libras sírias (US$ 1,43) por litro – uma alta de aproximadamente 40%. O preço da gasolina também subiu em mais de 25%.

O Ministério da Energia da Síria afirmou que os aumentos acentuados nos preços se devem à alta dos preços globais dos combustíveis e à manutenção em curso na maior refinaria do país, Baniyas, o que aumentou sua dependência de importações, informou a agência de notícias Sana.

Embora dezenas de protestos tenham sido pacíficos, no domingo, 13, manifestantes bloquearam a rodovia Hasaka-Deir ez-Zor, onde queimaram pneus e impediram a passagem de caminhões-tanque, segundo a ACLED, uma organização global de monitoramento de conflitos.

“A disponibilidade de combustível, o aumento dos preços, a queda do poder de compra e os serviços precários são alguns dos motivos que contribuíram para o crescente descontentamento público, embora as reivindicações também estejam se voltando para a reversão de decisões e a destituição de autoridades, incluindo o ministro da Energia, o que demonstra que as queixas econômicas estão se transformando em queixas contra o governo”, afirmou o analista da ACLED para a Síria, Muaz Al Abdullah.

Um vídeo gravado pela agência de notícias Reuters no local de um protesto em Aleppo, no domingo, mostra pessoas queimando pneus e gritando palavras de ordem criticando a decisão do governo de aumentar o preço dos combustíveis.

“Todos os presentes aqui querem uma redução nos preços do diesel. Não queremos salários mais altos, queremos combustível mais barato”, disse à Reuters um manifestante sírio, Yasser Salim.

Outro manifestante, Bassam al-Ali, disse: “Não queremos rotatórias, todos os dias eles (o governo) constroem uma nova rotatória que custa um milhão de dólares, e shoppings e sei lá mais o quê. Seu povo esteve com vocês, ainda está com vocês agora e continuará com vocês – mas isso vai fazer as coisas explodirem”.

Guatemala

Na semana passada, na Guatemala, grupos de caminhoneiros organizados e outros manifestantes bloquearam rodovias e causaram danos em várias partes do país em protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis, segundo a Associated Press.

Outros vídeos captados pela mídia local mostram pessoas marchando pacificamente pela Cidade da Guatemala para exigir uma ação imediata do governo.

O Congresso do país está trabalhando para lidar com o descontentamento generalizado por meio de um projeto de lei que limitaria os preços até o final do ano, mas o projeto ainda está tramitando no legislativo, segundo a agência de notícias nacional da Guatemala, AGN.

Se aprovado, o projeto significaria o pagamento de um subsídio governamental aos importadores de combustível caso os preços ultrapassem o teto estabelecido, de acordo com a AP.

“Esta é uma questão que precisa ser resolvida em todo o país. O Executivo, o Legislativo e todos os demais envolvidos devem resolvê-la. As pessoas não podem arcar com esses preços sem sentir o impacto em suas finanças”, disse o presidente do Congresso, Luis Contreras Colindres, em um pronunciamento na segunda-feira, 14.

“O diesel é o motor que impulsiona a economia deste país”, disse Contreras, de acordo com a AGN.

Portugal

No sábado, 12, ocorreram protestos na cidade costeira de Espinho, em Portugal, contra o aumento dos preços do gás e o custo de vida exorbitante.

Cerca de 80 pessoas participaram da manifestação, organizada por líderes empresariais locais com o objetivo de pressionar o governo a encontrar soluções, segundo a agência de notícias portuguesa Lusa. Os manifestantes marcharam até chegarem à residência do primeiro-ministro Luís Montenegro, em Espinho.

Entretanto, a Liga Portuguesa dos Bombeiros (LPB) alertou para o fato de o aumento acentuado dos preços dos combustíveis se tornar insustentável para os bombeiros e a sobrecarregar as organizações de voluntários com custos que estas não conseguem suportar.

Na segunda-feira, 14, o governo do país anunciou um novo pacote de medidas destinadas a aliviar a crise dos preços dos combustíveis, segundo a Lusa. Essas medidas incluem apoio a transportadores de mercadorias, taxistas, bombeiros e ao setor social, informou a agência de notícias.

França

Na terça-feira, 15, cerca de 50 pescadores bloquearam um importante depósito de combustível na cidade costeira de Fos-sur-Mer, no sul da França, em parte para protestar contra o aumento dos preços dos combustíveis, segundo a afiliada da CNN, BFMTV.

O bloqueio durou várias horas e os manifestantes entraram em breve confronto com a polícia, informou a BFMTV.

O prefeito Philippe Maurizot afirmou que a indústria pesqueira da cidade enfrenta uma “crise profunda que exige uma resposta urgente e enérgica do Estado” e disse que a indignação dos manifestantes “precisa ser ouvida”.

“O aumento dos custos, a alta dos preços dos combustíveis, o crescente número de restrições, a insuficiência de rendimentos e a falta de visibilidade estão a colocar alguns profissionais numa situação insustentável”, afirmou na carta dirigida ao primeiro-ministro francês.

Filipinas

Os trabalhadores do grupo de transportes filipino Manibela entraram em greve na segunda-feira para protestar contra o aumento dos preços dos combustíveis, exigindo subsídios governamentais e a eliminação dos impostos sobre os combustíveis.

A notícia surge após as companhias petrolíferas do país anunciarem mais uma rodada de aumentos nos preços dos combustíveis, que entraram em vigor na terça-feira, impactando os motoristas com um acréscimo de 5,68 pesos (0,01) por litro de gasolina, segundo a Agência de Notícias das Filipinas (PNA).

Os preços do diesel e do querosene também foram reajustados novamente esta semana, de acordo com a PNA.

“Sabemos que cada aumento no preço dos combustíveis afeta mais do que o custo de abastecer um veículo. Afeta o orçamento diário das famílias, o sustento dos nossos motoristas e os custos operacionais das empresas”, disse a Secretária de Energia, Sharon S. Garin.

Na terça-feira, ela anunciou que o governo havia superado um obstáculo para uma possível redução dos impostos sobre produtos petrolíferos.

Motoristas de ônibus e de carro vêm enfrentando dificuldades há meses em meio ao aumento dos custos, que dispararam drasticamente em março e ainda permanecem elevados em comparação com os preços anteriores à guerra.

Em março, no auge da crise de combustíveis do país – cerca de um mês após o início da guerra com o Irã – a população de Manila marchou em direção ao palácio presidencial para expressar seu descontentamento com o aumento acentuado dos preços da energia.

“As Filipinas devem se levantar e exigir o fim da agressão dos EUA contra o Irã. O impacto da interrupção no fornecimento de petróleo afeta a todos nós. Podemos não ter sido atingidos por bombas, mas estamos sendo atingidos pela pobreza e pela fome devido ao aumento dos preços do petróleo”, disse o líder sindical Jerome Adonis no final de março.

Os grêmios estudantis também se uniram aos protestos generalizados em vários momentos deste ano, denunciando a crescente crise do custo de vida nas Filipinas.

Por: Lauren Kent e Hira Humayun | Fonte: CNN

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