Estreito escoou 8,7 milhões de barris por dia na semana encerrada em 29 de outubro; ataque a petroleiro no Golfo Pérsico amplia risco à navegação
As exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz ficaram em 8,7 milhões de barris por dia na semana encerrada em 29 de outubro, volume 51% abaixo do nível anterior à guerra. Os dados são da plataforma de monitoramento Kpler, citada pelo Financial Times.
O fluxo reduzido mantém a pressão sobre o mercado internacional de energia, com possíveis reflexos no preço do diesel e no frete rodoviário no Brasil.
Na madrugada de segunda-feira, 2, no horário local, um petroleiro foi atingido por dois projéteis de origem desconhecida no Golfo Pérsico, a cerca de 72 milhas náuticas (cerca de 133 km), a leste de Ras Al Khafji, na Arábia Saudita.
Segundo o centro britânico de monitoramento marítimo UKMTO, todos os tripulantes foram localizados e o informe inicial não apontava dano ambiental. O ataque ocorreu depois do período medido pela Kpler e ainda não há estimativa de seu efeito sobre os embarques.
Como a crise chega ao diesel brasileiro
O efeito mais direto passa pelo diesel já refinado. Segundo o Ministério da Fazenda, mais de 25% do consumo brasileiro é atendido por importações. Se a cotação internacional do combustível subir, o custo de trazer o produto para o país tende a aumentar. O dólar também pesa nessa conta.
A recuperação dos embarques de derivados tem sido mais lenta que a do petróleo bruto.
Dados da Vortexa publicados pela Reuters mostram que, em outubro, as exportações marítimas de petróleo bruto e condensado do Oriente Médio chegaram a 86% do nível pré-guerra. As de derivados ficaram pouco acima da metade do volume normal. Esse levantamento cobre o mês inteiro e uma área mais ampla que o Estreito de Ormuz.
O diesel antes da ampliação do subsídio
Na semana anterior à guerra, o diesel S10 custava em média R$ 6,09 por litro nos postos brasileiros. Entre 6 e 12 de setembro, quando já havia uma subvenção federal de R$ 1,12 por litro, a média estava em R$ 6,97.
No período de 25 a 31 de outubro, depois da ampliação do benefício, o litro chegou a R$ 7,31, segundo dados do levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A diferença foi de R$ 0,34 por litro, ou 4,9%, ante a semana anterior à ampliação, e de R$ 1,22, ou 20%, em relação ao patamar pré-guerra.
Em 27 de outubro, o Ministério da Fazenda prorrogou por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro para produtores e importadores habilitados. A ANP também registra um auxílio adicional de R$ 1,40 por litro de 13 de outubro a 12 de novembro.
O desconto incide na comercialização do óleo A, antes da mistura com biodiesel e da revenda nos postos. Para medir o quanto a medida conteve a alta na bomba, seria preciso estimar quanto o combustível custaria sem o benefício.
Por: Jorge Moraes | Fonte: CNN Brasil
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