quinta-feira, outubro 22, 2026
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
  • NOTÍCIAS
  • EXCLUSIVAS
  • VISION TECH
  • PRÊMIO VISÃO
  • CALENDÁRIO
  • QUEM SOMOS
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
  • NOTÍCIAS
  • EXCLUSIVAS
  • VISION TECH
  • PRÊMIO VISÃO
  • CALENDÁRIO
  • QUEM SOMOS
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
Nenhum resultado
Ver todos os resultados

Arrendamento de fazendas para cana-de-açúcar promove concentração do uso da terra no estado de São Paulo

Maria Reis por Maria Reis
4 março, 2026
em Leia mais
Tempo de leitura: 5 minutos
A A
0
Home Leia mais
Compartilhe no WhatsappCompartilhe no Linkedin

A exigência logística de processar a cana em até 50 km de distância da colheita tem levado usinas a expandirem lavouras por meio do aluguel de terras ao invés da sua compra, enquanto proprietários deixam o campo e usufruem dessa renda no ambiente urbano.

A estrutura fundiária do estado de São Paulo já não pode ser explicada apenas pela tradicional oposição entre latifúndios e agricultura familiar, em que se observava uma tendência por parte de grandes empresas rurais de adquirirem as propriedades dos pequenos produtores. Dos anos 1990 em diante, empresas do setor sucroalcooleiro vêm expandindo seus canaviais principalmente por arrendamento, ou seja: alugando as terras de pequenos e médios proprietários em vez de comprá-las.

Leia mais

Renegociação de dívida rural começa a ganhar tração, diz Banco do Brasil

Brasil reduz emissões de gases do efeito estufa pelo terceiro ano consecutivo

Preços do etanol e do açúcar sobem com chuvas prejudicando a oferta

Receita com exportação do agronegócio paulista recua 14,6% no mês de setembro, diz Faesp

O processo resulta em uma forte concentração no uso da terra no estado, ainda que a posse formal permaneça dispersa no papel. Essa é a conclusão de um estudo recente assinado por José Giacomo Baccarin, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp, no câmpus de Jaboticabal, e publicado no periódico especializado Land Use Policy. O estado de São Paulo responde por 54% da safra brasileira de cana-de-açúcar, além de 62% da produção nacional de açúcar e 49% da produção de etanol, números que o colocam como líder mundial na produção de cana-de-açúcar, do açúcar em si, e do etanol produzido a partir da planta.

Em 2017, estabelecimentos agrícolas com mais de mil hectares respondiam por cerca de 45% da área agrícola paulista. “Estabelecimento agrícola” é o jargão dos agrônomos para se referir a uma única plantação contígua, administrada por um só ente, independentemente de quantas propriedades ela ocupe. Por outro lado, os imóveis rurais com mais de mil hectares ocupavam só 21% da área usada para a agricultura em São Paulo. Ou seja: mais da metade do espaço utilizado por esses megaempreendimentos consiste em terras menores amalgamadas sob um único administrador.

Quanto mais perto, menor o custo

A cana-de-açúcar é o motor por trás da tendência de arrendamentos porque, ao contrário do que acontece com cultivos como soja ou laranja, é preciso processá-la imediatamente após o corte. Essa peculiaridade força as usinas de processamento a atenderem canaviais dentro de um raio logístico limitado, de no máximo 50 km. Distâncias maiores elevam custos de transporte, aumentam as perdas de matéria-prima e podem comprometer a viabilidade econômica da operação.

Por isso, cada usina forma um cinturão de cultivo ao seu redor, e disputa as áreas disponíveis dentro desse raio. Como resultado, a expansão do setor ocorre menos pela abertura de novas fronteiras agrícolas e mais pela incorporação de terras próximas às usinas. “Cerca de 60% da cana moída em São Paulo é produzida pelas próprias usinas”, diz Baccarin. “E 40% é adquirida de fornecedores de cana, de agricultores.”

Segundo Baccarin, essa forma de concentração do uso da terra ganha um impulso em 2007, em virtude do compromisso firmado pelos principais atores do setor sucroalcooleiro ao Protocolo Agroambiental para o Setor Energético da Cana-de-Açúcar de São Paulo. Pelo acordo, os produtores se comprometeram a eliminar a queima da palha da cana-de-açúcar até 2017, substituindo a colheita manual da cana queimada pelo processo mecânico. Entre 2007 e 2017, a taxa de adesão entre os proprietários de usinas foi de 84%, enquanto a adesão entre os fornecedores de cana entre 2009 e 2017 registrou uma média de apenas 36%.

A adoção de uma nova forma de colheita em um período de apenas dez anos exigiu grandes investimentos em máquinas agrícolas e outros equipamentos industriais voltados para o tratamento da cana que chegava dos fornecedores. O novo processo também exigiu adaptações de gestão, como o uso de novas variedades de cana-de-açúcar e o cultivo de parcelas maiores para facilitar a operação das máquinas.

Dessa forma, a mecanização da colheita aumentou os custos fixos e a escala mínima eficiente de produção, o que dificultou a permanência de pequenos fornecedores independentes. Uma única máquina colhedora dá conta de centenas de milhares de toneladas por safra, o que torna inviável economicamente produzir em áreas reduzidas. Para um terreno comparativamente pequeno — de 200 hectares, por exemplo —, a única saída seria alugar um equipamento.

Geração de renda para uma vida urbana

Baccarin também identifica mudanças no perfil socioeconômico dos proprietários após arrendarem suas terras. Em geral, tratam-se de famílias de classe média que mantêm o patrimônio fundiário como fonte de renda mas migraram para atividades urbanas no setor de serviços ou comércio. As novas gerações, frequentemente formadas em profissões urbanas, mostram pouco interesse em retomar a produção agrícola. “Os filhos e netos dos primeiros arrendatários já não tem vocação nem capital para a agricultura. Eles se desfizeram dos tratores”, diz Baccarin.

O docente explica ainda que a dinâmica do setor sucroalcooleiro está passando por mudanças. Um quarto do etanol brasileiro já é produzido com uma matéria-prima alternativa, o milho, que rende 400 litros por tonelada (versus 80 litros para a cana). Enquanto isso, o consumo de açúcar desacelera nos países mais ricos, cujas populações estão cada vez mais conscientes dos malefícios de alimentos ultraprocessados. Essas duas forças podem estagnar o crescimento das plantações de cana e mexer com a estrutura fundiária paulista nas próximas décadas.

Para Baccarin, a concentração do uso da terra traz ganhos de eficiência e redução de custos de produção, mas também levanta desafios econômicos, sociais e ambientais. Entre as preocupações estão a distribuição de renda no campo, a responsabilidade por questões ambientais em áreas arrendadas e a necessidade de políticas públicas que incentivem atividades diversificadas em pequenas propriedades, como a produção de frutas e hortaliças (também chamadas “olerícolas”) e a recuperação de nascentes e mata nativa.

Fonte: RPA News

Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.

SendCompartilhar
Artigo anteiror

José Guilherme Nogueira assume coordenação da Comissão de Bioenergia do IPA

Próximo post

Bancos contratam FTI como assessor financeiro para a dívida da Raízen

Maria Reis

Maria Reis

Notícias Relacionadas

Renegociação de dívida rural começa a ganhar tração, diz Banco do Brasil

Renegociação de dívida rural começa a ganhar tração, diz Banco do Brasil

22 outubro, 2026
Brasil reduz emissões de gases do efeito estufa pelo terceiro ano consecutivo

Brasil reduz emissões de gases do efeito estufa pelo terceiro ano consecutivo

22 outubro, 2026
Preços do etanol e do açúcar sobem com chuvas prejudicando a oferta

Preços do etanol e do açúcar sobem com chuvas prejudicando a oferta

21 outubro, 2026
Receita com exportação do agronegócio paulista recua 14,6% no mês de setembro, diz Faesp

Receita com exportação do agronegócio paulista recua 14,6% no mês de setembro, diz Faesp

21 outubro, 2026
Brasil importou 15 mil toneladas de agrotóxicos proibidos na UE, diz Oxfam

Brasil importou 15 mil toneladas de agrotóxicos proibidos na UE, diz Oxfam

21 outubro, 2026
Mobilidade das frentes agrícolas leva usinas a rever estruturas de apoio no campo

Mobilidade das frentes agrícolas leva usinas a rever estruturas de apoio no campo

20 outubro, 2026
Zelensky desafia Trump com mais ataques contra refinarias russas

Zelensky desafia Trump com mais ataques contra refinarias russas

19 outubro, 2026
Emissões de CRA têm o melhor mês do ano em agosto, aponta Quantum Finance

Emissões de CRA têm o melhor mês do ano em agosto, aponta Quantum Finance

16 outubro, 2026
Programa de inovação do setor bioenergético encaminhou 31 testes tecnológicos 

Programa de inovação do setor bioenergético encaminhou 31 testes tecnológicos 

15 outubro, 2026
EUA anunciam medida para apoiar setor de biocombustível

EUA anunciam medida para apoiar setor de biocombustível

15 outubro, 2026
Carregar mais
Próximo post
Raízen paga R$ 300 mil à CVM para encerrar processo sobre operação “fantasma” de E2G

Bancos contratam FTI como assessor financeiro para a dívida da Raízen

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas da semana

  • Trending
Etanol de milho deve crescer 17% em 2026/27 e amplia interesse por usinas flex, mas conversão exige integração de processos

Etanol de milho deve crescer 17% em 2026/27 e amplia interesse por usinas flex, mas conversão exige integração de processos

25 setembro, 2026
Grupo SIBIUM Analytics passa a fazer parte do grupo xFarm Technologies e amplia atuação no setor sucroenergético

Grupo SIBIUM Analytics passa a fazer parte do grupo xFarm Technologies e amplia atuação no setor sucroenergético

16 setembro, 2026
Mobilidade das frentes agrícolas leva usinas a rever estruturas de apoio no campo

Mobilidade das frentes agrícolas leva usinas a rever estruturas de apoio no campo

20 outubro, 2026
Etanol de milho abre novo ciclo para a bioenergia brasileira, veja a palestra de Guilherme Nastari

Etanol de milho abre novo ciclo para a bioenergia brasileira, veja a palestra de Guilherme Nastari

20 outubro, 2026
Agro e eleições: O que Flávio Bolsonaro e Lula propõem sobre bioenergia e biocombustíveis

Agro e eleições: O que Flávio Bolsonaro e Lula propõem sobre bioenergia e biocombustíveis

20 outubro, 2026
LinkedIn Instagram Youtube

CONTATO
(16) 3945-5934
atendimento@visaoagro.com.br
jornalismo@visaoagro.com.br
comercial@visaoagro.com.br

VEJA TAMBÉM

  • Prêmio Visão Agro
  • Vision Tech Summit 
  • AR Empreendimentos

Todos os direitos reservados 2026 © A R EMPREENDIMENTOS COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA – CNPJ: 05.871.190/0001-36

Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Destaques
  • Editorias
  • Eventos Visão Agro
  • Eventos Visão Agro
  • Formulário de Oportunidades – Visão Agro
  • Home
  • Home teste
  • Home-antiga
  • Manutenção
  • Paywall Assinatura
  • Paywall Login
  • Paywall Perfil
  • Paywall Registrar
  • Política de privacidade
  • Política de Privacidade – Aplicativo Tabulação Prêmio Visão Agro
  • Sobre a Visão Agro
  • Termos de Serviço – Aplicativo Tabulação Prêmio Visão Agro
  • Termos de Uso

Todos os direitos reservados 2026 © A R EMPREENDIMENTOS COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA – CNPJ: 05.871.190/0001-36