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Avanço da indústria de etanol deve sustentar crescimento do PIB estadual em MS

Maria Reis por Maria Reis
27 janeiro, 2026
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Tempo de leitura: 7 minutos
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Movimento acontece diante da perda de fôlego do agro e já atrai outras iniciativas, como um investimento de uma empresa gaúcha de biodiesel em Dourados

Impulsionando os investimentos da indústria de etanol em Mato Grosso do Sul, a companhia gaúcha Oleoplan anunciou neste início de ano a construção de uma usina de biodiesel em Dourados, a partir de óleo vegetal e outras matérias-primas. O projeto faz parte de um ambicioso plano de expansão no país, da ordem de R$ 802 milhões, comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 2 de janeiro.

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Analistas do Banco do Brasil, responsáveis pelo relatório mensal Resenha Regional, avaliam que os investimentos recentes da indústria de etanol devem contribuir de forma significativa para aumentar em 3,2% o PIB (Produto Interno Bruto) industrial do estado em 2026, revertendo a queda prevista de 0,6% no fechamento de 2025.

O impulso se deve aos investimentos bilionários em biocombustíveis, especialmente na produção de etanol de milho, sob a influência de ganhos de escala e do ambiente regulatório favorável à diversificação da matriz energética e redução da dependência do diesel fóssil no transporte.

A avaliação, contudo, é de que a retomada da indústria estadual deve “amortecer” a forte desaceleração prevista para o PIB total de Mato Grosso do Sul em 2026 puxado pela perda de participação do agronegócio na composição econômica do estado. Ou seja, o setor rural tende a seguir a trajetória nacional de redução de participação no PIB (Produto Interno Bruto).

Mesmo assim, a retomada industrial deve ser insuficiente para impedir a forte desaceleração do crescimento do PIB sul-mato-grossense em 2026, estimado em 1,4%, após alta de 5,9% em 2025, conforme as projeções mais recentes da instituição financeira.

Desaceleração do agronegócio

Pelas previsões, o PIB agropecuário, que tem peso significativo (25%) na economia sul-mato-grossense deve cair 3,8% em 2026, após fechar 2025 com expectativa de alta de 19,8%.

A estimativa é de que o PIB do agronegócio nacional, que deve ter crescido 10,3% em 2025, desacelere para 1% em 2026, reduzindo o crescimento do PIB total do Brasil para 1,7%, após alta de 2,2% em 2025.

A desaceleração indica uma normalização após a forte expansão do agro, puxada pela base elevada de comparação e pelo recuo na safra de dois dos principais cultivos do estado, cana-de-açúcar e milho, que concentram mais de 90% do valor da produção rural no estado, segundo analistas do BB.

Avanço dos negócios

A pedido do Campo Grande News, o Monitor Energia do Futuro – iniciativa do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) – compilou os investimentos do setor no estado desde 2024, quando foi sancionada a Lei Combustível do Futuro, reforçando as políticas de fomento nessa área.

Além do investimento recém-anunciado pela Oleoplan, o mapeamento inclui os R$ 2,36 bilhões da companhia Atvos, que tem o fundo árabe Mubadala entre seus principais investidores, anunciados em setembro de 2025.

Os valores da Atvos destinam-se à construção de três novas unidades industriais no estado: uma indústria de biometano e duas usinas de etanol de milho. Esse investimento é parte do plano de expansão no estado desde 2024, quando investiu, inicialmente, R$ 350 milhões na construção de uma unidade produtiva de biometano em Nova Alvorada do Sul.

Em abril de 2025, o estado ganhou a primeira usina de hidrogênio verde, instalada na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que deve atrair investimentos de R$ 2 bilhões até 2030, conforme as projeções.

Outro investimento relevante é o da Raízen, que anunciou R$ 1,3 bilhão para a construção de uma usina de etanol de segunda geração (2G) em Caarapó, no sul do estado. Ainda em 2024, a Adecoagro anunciou R$ 225,7 milhões na expansão da usina Ivinhema, sua primeira unidade de biogás e biometano a partir da vinhaça da cana-de-açúcar no estado, conforme o Monitor Energia do Futuro.

Capacidade produtiva

Em outra frente, o analista Cristian Juliani Quiles, da consultoria FG/A, destacou o aumento da capacidade produtiva do setor sul-mato-grossense. Nesse caso, listou as últimas movimentações do mercado incluindo, entre outras, as operações de venda da Raízen para a Cocal e os novos negócios da Atvos, embora a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indique que Mato Grosso concentre a maioria dos projetos em andamento no Centro-Oeste.

“Temos expansões das unidades de Rio Brilhante e Passa Tempo, que pertenciam à Raízen e foram vendidas à Cocal. As unidades ampliaram 375 metros cúbicos por dia, ou cerca de 123 mil m³ por safra”, afirmou. A nova operação abrange a incorporação de uma capacidade instalada de 6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, mas deve passar ainda pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Com essa aquisição, a capacidade produtiva da Cocal passa de 10,3 milhões para 16,3 milhões de toneladas por safra. O quadro de colaboradores diretos deve aumentar de 5,3 mil para 7,7 mil profissionais. “Esses números refletem a importância estratégica da operação e reforçam nosso compromisso com a eficiência produtiva, a utilização de tecnologia de ponta e o desenvolvimento de pessoas”, afirmou a empresa.

Segundo Quiles, a capacidade de produção de etanol no estado responde atualmente por 31 milhões de litros por dia (ou cerca de 10 bilhões de litros por safra, em plena capacidade). Desse total, 24 milhões de litros ao dia são provenientes de plantas de cana-de-açúcar e 6,39 milhões de litros (ou cerca de 2 bilhões de litros por safra) de etanol de milho. A produção concentra-se em três unidades: duas da Inpasa, em Sidrolândia e Dourados, e uma da Neomille, em Maracaju.

O analista lembrou ainda que a Atvos anunciou recentemente a intenção de investir cerca de R$ 1 bilhão em duas novas unidades de produção, em Costa Rica e Nova Alvorada do Sul. Esses projetos devem adicionar cerca de 350 milhões de litros à capacidade de produção de etanol por safra.

“As usinas da Raízen, que foram vendidas e tiveram a expansão anunciada, já estão com as obras concluídas e devem começar a operar a partir da safra 2026/2027. Essa é a expansão das usinas de cana”, afirma o analista.

Ele complementa: “Já as unidades da Atvos ainda não têm um cronograma bem definido, mas, pelo teor das notícias divulgadas e pela forma como o CEO apresentou os projetos, a expectativa é que fiquem prontas em cerca de três safras. Assim, devem entrar em operação provavelmente na safra 2028/2029”.

O analista reforça que esses investimentos têm impacto direto no PIB total do estado. “O aumento da produção de etanol contribui fortemente para o fomento do agronegócio na região, tanto pela geração de empregos nas novas usinas quanto pela expansão da produção”, afirmou.

Biodiesel

A Oleoplan não detalha no documento enviado à CVM qual é o valor exato destinado ao projeto de Dourados dentro do montante anunciado, mas projeções do setor indicam que cerca de R$ 250 milhões serão direcionados para a usina em solo sul-mato-grossense.

O programa conta com a emissão inicial de debêntures no valor de R$ 200 milhões para dar início ao ciclo de crescimento planejado no país. O montante representa 24,94% das necessidades financeiras para os projetos.

Os investimentos da Usina Oleoplan MS, atualmente em fase de estudo, devem começar em julho de 2027, segundo o comunicado da companhia. A previsão é de conclusão das obras em dezembro de 2035, embora a expectativa seja de que a unidade entre em operação já em 2029.

A unidade prevê a integração de uma infraestrutura completa de processamento, armazenagem e logística, contribuindo para a expansão da capacidade produtiva da empresa no Centro-Oeste. Conforme a Oleoplan, “serão instalados equipamentos e processos industriais alinhados às melhores práticas do setor, garantindo eficiência operacional, estabilidade produtiva e atendimento às exigências regulatórias aplicáveis”.

Atualmente, a Oleoplan possui cinco unidades industriais de produção de biodiesel e esmagamento de soja no país, distribuídas entre os municípios de Veranópolis (RS), Iraquara (BA), Tomé-Açu (PA), Cacoal (RO) e Lucas do Rio Verde (MT), esta última em operação desde 2025. A companhia também anunciou a expansão da capacidade da unidade de Mato Grosso, com início previsto para julho de 2026 e conclusão em dezembro de 2030.

Por: Viviane Monteiro | Fonte: Campo Grande News (MS)

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