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Brasil pode ampliar consumo de etanol em 10,6 bilhões de litros

Maria Reis por Maria Reis
27 outubro, 2026
em Etanol
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Biocombustíveis Etanol
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Maior utilização da frota flex pode abrir mercado para o biocombustível

A desaceleração da demanda mundial por produtos agrícolas, combinada aos ganhos contínuos de produtividade, deverá exigir novas estratégias de crescimento para o agronegócio brasileiro. A avaliação é de Luiz Carlos Corrêa Carvalho, o Caio, que defendeu a ampliação do mercado de biocombustíveis como alternativa para absorver a produção e elevar o valor agregado no campo. O tema foi abordado durante a 2ª Reunião da Canaplan, realizada na última quinta-feira (22), em Ribeirão Preto – SP.

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No mercado brasileiro de combustíveis, a apresentação apontou um potencial de crescimento de 10,6 bilhões de litros no consumo de etanol hidratado, considerando uma mudança no abastecimento dos veículos flex nos Estados onde o produto já é competitivo. Segundo os dados apresentados, aproximadamente 77% da frota de veículos leves utiliza essa tecnologia, mas a participação do etanol permanece próxima de 30%.

“Ampliar a demanda é algo realmente extraordinariamente importante”, afirmou Carvalho, ao destacar a necessidade de estimular o consumo e desenvolver mercados capazes de acompanhar o crescimento da produção.

Biocombustíveis mudam relação entre produção e consumo

A análise apresentada por Carvalho utilizou estudos da S&P Global Energy sobre as transformações no mercado agrícola. O crescimento populacional e o consumo per capita de grãos e carnes estão desacelerando em diferentes regiões, enquanto a produtividade continua aumentando. Com isso, a demanda tradicional por alimentos e rações pode deixar de absorver integralmente a expansão da oferta.

Nesse cenário, ganha força uma nova interpretação sobre a relação entre alimentos e combustíveis. O debate, historicamente marcado pela preocupação com a disputa por terras agrícolas, passa a considerar o papel dos biocombustíveis na manutenção da atividade produtiva e da renda dos produtores.

A avaliação é que novos mercados energéticos podem contribuir para preservar áreas cultivadas diante do risco de excedentes estruturais. A produção de combustíveis renováveis deixa, assim, de ser analisada exclusivamente como concorrente da oferta de alimentos e passa a integrar as alternativas de sustentação econômica da agricultura.

Exportações crescem, mas cenário exige mudança de estratégia

Entre 2000 e 2025, o Brasil ampliou expressivamente sua participação no comércio internacional de produtos agropecuários. Dados da S&P Global Energy apresentados por Carvalho mostram que as exportações de açúcar cresceram cinco vezes, enquanto as de soja e carne bovina avançaram oito vezes. No algodão, o aumento chegou a 34 vezes.

Apesar desse desempenho, o executivo chamou a atenção para mudanças em mercados importadores, especialmente na China. A redução da população, a estabilização do consumo de carne e o crescimento da produção doméstica chinesa indicam menor ritmo de expansão das compras externas, criando novos desafios para os países exportadores.

“Ou a gente vai estar sempre sofrendo, ou a gente vai ter que trabalhar de forma madura”, afirmou Carvalho, ao defender uma estratégia de crescimento menos dependente da expansão das exportações de matérias-primas.

Para o Brasil, a análise aponta a necessidade de avançar no processamento industrial e no valor gerado por hectare e por tonelada de biomassa, com oportunidades em biocombustíveis, farelos proteicos, proteínas animais e outros produtos industrializados.

Integração com milho abre caminho para reduzir custos

No setor sucroenergético, o consultor também abordou a evolução dos custos de produção do etanol ao longo dos últimos 50 anos. Os ganhos de escala e produtividade permitiram uma queda expressiva das despesas nas primeiras décadas de expansão do combustível, mas essa trajetória perdeu força a partir dos anos 2000.

Segundo a apresentação, a integração do processamento de cana e milho pode contribuir para recuperar parte dessa redução, ao ampliar o aproveitamento das estruturas industriais e diversificar as matérias-primas utilizadas. A competitividade do biocombustível dependerá, ainda, de avanços tecnológicos capazes de elevar a produtividade sem aumento proporcional dos custos.

Fonte: Canaoeste

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