O Brasil tem alguns desafios relevantes a vencer para consolidar seu papel no negócio de bioenergia e a avaliação é que há espaço para garantir a transição energética. Para tanto, há algumas questões importantes: política pública, infraestrutura e marco regulatório.
O assunto foi debatido no painel Bioenergia na Segurança Energética e Climática, mediado por Marcos Jank, professor e coordenador do Insper Agro Global, nesta quarta-feira, 13, no São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação.
A bioenergia tem o desafio da descarbonização, enquanto a Europa discute fazer isso com resíduos sintéticos, diz o presidente executivo da Associação Brasileira da Industria de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar.
“O etanol brigou muito por esse tema para mostrar que a cana não tinha impacto. Então, entraram milho e soja. Aí o debate voltou. Agora tem de ser focado em biocombustíveis”, afirma.
É consenso que a bioenergia pode avançar para outras aplicações e se internacionalizar. Por exemplo, atingir os mercados de uso na aviação civil e no transporte marítimo. “A navegação é um dos setores que poderá promover a internacionalização, e acredito mais nesse potencial”, acrescenta Nassar.
Diretor de inteligência estratégica e regulação da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) e professor da FGV, Luciano Rodrigues, avalia que o Brasil avançou muito com o RenovaBio, mas que o maior desafio não é criar novos programas. “É preciso consolidar os programas existentes”, defende.
Daniel Lopes, da FS Bioenergia, por sua vez, diz que o etanol de milho teve um papel disruptivo na produção de etanol no país. “Em pouco tempo, já representa 30% do total produzido no Brasil e é um complemento relevante ao etanol de cana”, afirma.
No cargo de vice-presidente de sustentabilidade e novos negócios da FS Bioenergia, que tem três unidades fabris no estado de Mato Grosso e uma quarta em fase final de construção, Lopes destaca que o etanol de milho já conta com tecnologias para novas aplicações. “Vai ter um papel protagonista na descarbonização”, acredita.
Pela frente, observa Nassar, um desafio é transformar as refinarias de petróleo em biorrefinarias, como nos Estados Unidos, onde se produz nesses locais o SAF (combustível de aviação). Rodrigues lembra que o etanol de cana tem um passado de inovações, como a bioeletricidade, e já avança para outras aplicações.
Lopes aponta também os subprodutos óleo de milho e DDG (produto para nutrição animal), obtidos em suas fábricas. “O próprio etanol de milho já é uma grande inovação. Há nove anos não existia no Brasil e a FS foi pioneira”, disse.
Fonte: Agência Estado
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