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BrasilAgro diminui prejuízo para R$ 1,093 milhão no 3º trimestre de 2024/25

Maria Reis por Maria Reis
9 maio, 2025
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Tempo de leitura: 5 minutos
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A BrasilAgro, que atua na produção e comercialização de grãos e fibras, bioenergia e também na compra e venda de propriedades rurais, registrou prejuízo líquido de R$ 1,093 milhão no terceiro trimestre do ano agrícola 2024/25, encerrado em 31 de março, informou a companhia nesta quarta-feira, 7.

O resultado representa redução em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a perda foi de R$ 30,147 milhões. Em contrapartida, a receita líquida operacional cresceu 40% na comparação anual, totalizando R$ 170,3 milhões.

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O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento de 26% no volume de soja comercializado e de 35% no volume de algodão pluma, além dos valores de cana contabilizados no trimestre, referentes ao ajuste positivo de preço de final de safra.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado operacional da companhia foi negativo em R$ 5,1 milhões no terceiro trimestre de 2025, comparado ao resultado positivo de R$ 5,6 milhões no terceiro trimestre de 2024.

Segundo a empresa, esse resultado reflete “principalmente os impactos relacionados aos derivativos financeiros decorrentes da desvalorização do real frente ao dólar”.

No acumulado dos nove primeiros meses do ano-safra 2024/25, a BrasilAgro registrou lucro líquido de R$ 76,7 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 6 milhões reportado no mesmo período do ano-safra anterior. A receita líquida total cresceu 43% nesse período, atingindo R$ 778 milhões.

No segmento agrícola, a empresa atualizou a projeção de grãos e algodão da safra 2024/25 para 378,9 mil toneladas, redução de 6% em relação à estimativa inicial. “Essa diminuição é reflexo da queda de produção, principalmente de soja, 14% (35,7 mil toneladas) e algodão, 34% (9,9 mil toneladas)”, explicou a companhia em seu relatório de resultados.

A empresa também destacou que eventos climáticos adversos causaram impacto significativo nas operações agrícolas entre fevereiro e março. “Na Bahia, a seca comprometeu a produtividade, especialmente nas culturas de soja, algodão de sequeiro e feijão. Em Mato Grosso, o excesso de chuvas comprometeu a qualidade da soja em algumas áreas”.

Em relação ao endividamento, a dívida líquida ajustada da companhia somava R$ 836,1 milhões em 31 de março de 2025, aumento de 60% em comparação aos R$ 520,9 milhões registrados no final do ano-safra 2023/24 (30 de junho de 2024). A relação entre a dívida líquida ajustada e o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses ficou em 1,85 vez.

Aquisição de terras

A BrasilAgro deve intensificar a estratégia de aquisição de terras no Paraguai e em regiões brasileiras de expansão agrícola recente, como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), aproveitando a pressão financeira sobre produtores alavancados em um cenário de juros elevados.

O diretor-presidente da companhia, André Guillaumon, confirmou que viajará ao Paraguai já no próximo domingo para avaliar potenciais aquisições. “Vou para o Paraguai exatamente para olhar oportunidades de negócio”, afirmou o executivo durante coletiva para coletiva para comentar os resultados do terceiro trimestre do ano-safra 2024/25.

No Paraguai, a companhia já mantém operações, com 58,7 mil hectares, conforme dados de seu portfólio. A estratégia, segundo Guillaumon, é expandir suas operações na região, com foco em grãos e pecuária. “O Paraguai já é uma característica peculiar e a gente está muito otimista que ainda tenha terra boa”, destacou.

O foco em terras paraguaias e na região do Matopiba está diretamente ligado à pressão financeira que produtores dessas áreas enfrentam atualmente. “Se você pegar o produtor de Rondonópolis, ele alavancou muito, não teve expansão nos últimos anos. O produtor do Paraná não teve expansão. Mas o produtor do Maranhão e do Piauí, sim, eles se alavancaram”, explicou o diretor-presidente.

Guillaumon descreveu o gradual processo de estresse financeiro que leva à venda de propriedades rurais. “O fazendeiro vende a caminhonete, o relógio, o carro do filho e a última coisa que ele quer vender é a fazenda. Mas chega uma hora que não tem jeito”, afirmou.

Segundo ele, a situação atual cria condições favoráveis para empresas capitalizadas. “Agora é a hora de as empresas com disciplina financeira se aproveitarem disso”, observou.

Nos primeiros nove meses do ano-safra atual, a BrasilAgro já realizou operações de venda de terras que resultaram em ganho de R$ 107,9 milhões. A principal transação foi a conclusão da segunda etapa da venda da Fazenda Alto Taquari, em Mato Grosso, que gerou R$ 103,3 milhões.

A empresa também finalizou a venda da Fazenda Rio do Meio, adquirida com a incorporação da Agrifirma, que rendeu mais R$ 4,6 milhões. A Fazenda Rio do Meio, localizada em Correntina (BA), foi vendida em novembro de 2022 com um cronograma de transferência de posse em quatro fases. A terceira fase foi concluída no período, com a transferência de 190 hectares aos compradores, segundo informações do relatório trimestral da companhia.

O diretor-presidente destacou que há diferenças regionais significativas na liquidez do mercado de terras. “A Bahia ainda tem uma liquidez corrente boa, diferente de Mato Grosso”, comparou. Segundo ele, fatores como altitude, projetos de integração logística e busca por novos cultivares mantêm a demanda aquecida por terras na Bahia.

A Brasil agro mantém um portfólio de 271.016 hectares distribuídos em seis estados brasileiros, além de operações no Paraguai e na Bolívia. Desse total, 65% correspondem a área útil própria e 35% a área arrendada, segundo dados do relatório trimestral.

A companhia segue com sua estratégia de combinar ativos próprios e arrendados, um modelo que, segundo Guillaumon, oferece vantagens especialmente em momentos de restrição de crédito.

O diretor financeiro Gustavo Lopes destacou o impacto dos juros elevados mesmo para empresas pouco alavancadas, como a BrasilAgro. “Se a gente compara nove meses do ano passado e nove meses deste ano, a gente passa de um custo financeiro da companhia de R$ 25 milhões, R$ 30 milhões, para R$ 45 milhões”, quantificou. “Se a gente tivesse que trabalhar com 70%, 80% do capital de giro financiado, que é o que acontece normalmente com o produtor pessoa física, nós estaremos falando de R$ 140 milhões, R$ 150 milhões de juros” calculou.

A empresa encerrou março com dívida líquida ajustada de R$ 836,05 milhões, representando 1,85 vez o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, que alcançou R$ 451,5 milhões. Apesar do cenário de juros elevados tornar a companhia mais seletiva nas aquisições, Guillaumon vê o momento atual como propício para a renovação do portfólio.

“Meu conselho está muito mais gente comigo. Fala ‘Você quer pegar dinheiro para comprar fazenda? Mas que retorno você vai entregar nesse negócio agora?’”, relatou. “É um desafio, mas sem dúvida nenhuma vai acontecer. Sendo bem tátil, precisa um pouquinho mais de aperto para a oportunidade vir de forma mais transparente”, concluiu.

Por: Gabriel Azevedo

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