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Como ficam as exportações do agro brasileiro com as novas tarifas dos EUA?

Maria Reis por Maria Reis
24 fevereiro, 2026
em Política e Governo
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Mercado Política e Governo
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Especialista analisa cenário e produtos que devem ser beneficiados

Donald Trump e Lula — Foto: Ricardo Stuckert/PR

O agro brasileiro acompanha com atenção os movimentos recentes do comércio internacional. A reconfiguração tarifária imposta pelo presidente Donald Trump, após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de suspender o tarifaço aplicado desde abril de 2025, trouxe um cenário inicial de incertezas para o mercado.

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Na última sexta-feira (20/2), mesma data em que a Casa Branca confirmou o fim das cobranças, o governo americano formalizou uma nova tarifa de 10%, com abrangência global e entrada em vigor prevista para esta terça-feira (24/2). No dia seguinte, porém, Trump elevou para 15%, alegando a necessidade de corrigir práticas consideradas injustas contra a economia.

Apesar da imposição sobre países com os quais mantém relações comerciais, o novo desenho tarifário adotado pelos Estados Unidos pode abrir oportunidades para o Brasil, avalia Felippe Serigati, pesquisador do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), em entrevista à Globo Rural.

“No geral, acho que é uma notícia positiva, mas não podemos esquecer que diversos itens agropecuários já tinham saído daquela tarifa de importação majorada de 40% onde, adicionando mais 10%, totalizou aqueles inviáveis 50%. Se formos pensar em produtos que já tinham sido beneficiados anteriormente, como a carne bovina, o suco de laranja, o café em grão, o papel e a celulose, a notícia tem efeito nulo, e, se tiver algum, é bem pequeno por eles representarem, de longe, a maior fração das exportações brasileiras aos Estados Unidos”, diz.

Segmentos como os de pescados, café solúvel e de mel estão entre os que avaliaram essa nova situação de maneira positivas, vendo a possibilidade de retomar os negócios com o mercado americano. Felipe Serigatti pontua que, embora o impacto seja positivo para parte do setor, não significa uma explosão imediata nas vendas e lucros.

“Vamos ter um impacto positivo, sim. Esses produtos não tinham sido contemplados pela redução tarifária anterior, então, no agregado, o resultado é favorável, mas não é algo que vá fazer as exportações dobrarem”, pondera.

Em 2024, por exemplo, ano em que o tarifaço não estava em vigor, o Brasil exportou mais de 30 mil toneladas de pescado para os Estados Unidos. Em 2025, com a tarifa já aplicada, o volume caiu para 27 mil toneladas, segundo dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O alívio da nova configuração tarifária deve ser encarado com cautela, reforça o pesquisador da FGV Agro, uma vez que o país americano pode surpreender e majorar a alíquota de algum produto a qualquer momento.

“Podemos pensar isso como um alívio temporário, e é até mais prudente adotar essa leitura. Os mesmos argumentos jurídicos não poderão ser usados, mas isso não significa que todas as possibilidades legais tenham sido esgotadas. Um dos ministros da Suprema Corte, inclusive, fez uma lista das possíveis legislações que poderiam ser citadas para justificar uma majoração”, finaliza.

O que o Brasil exporta aos Estados Unidos?

Em 2025, os produtos florestais lideraram a lista de vendas ao país americano, representando mais de 26% no valor arrecadado, seguido por café e carnes.

“Taxa é igual para o mundo inteiro”

O assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Augustin, avalia que as novas tarifas não devem afetar de forma significativa as cadeias exportadoras do agro brasileiro. Na visão dele, o fato de não haver um direcionamento específico ao Brasil alivia a situação.

“Havendo taxação, vai ser igual para o mundo inteiro, o que não nos deixa nem melhor nem pior, deixa igual. Enfim, o mundo parece voltar à normalidade. Vamos ver se é isso”, afirmou a jornalistas nesta segunda-feira (23/2), durante evento em Brasília.

A atuação do Brasil na negociação política com Trump para a retirada do tarifaço sobre vários setores foi “um sucesso”, disse ele. “O Brasil saiu muito bem, com altivez, enfrentou o problema. Um novo ataque do Trump, não sei qual vai ser, mas agora ficou claro que o rei não é rei, ele tem que respeitar a República, foi isso que aconteceu”, completou.

Augustin esteve nos Estados Unidos na semana passada para acompanhar a divulgação dos dados do Departamento de Agricultura americano (USDA, na sigla em inglês). Segundo ele, fica cada vez mais claro que o “problema” dos produtores americanos é a competitividade do setor produtivo brasileiro.

“Ficou muito claro que a maneira americana de convencer os outros a comprar deles, de abrir mercado, é na base do tarifaço. Essa era a política, agora vão ter que inventar outra coisa. É triste ver isso”, relatou. “Quem é que está no calo deles ou, na maioria das vezes, acima deles é o Brasil: na soja, na carne, no algodão Estamos batendo eles em vários produtos. Espero que daqui a alguns anos até no milho a gente vá fazer esse trabalho de bater os Estados Unidos”, completou.

Por: Daniela Walzburiech e Rafael Walendorff | Fonte: Globo Rural

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