
Durante o painel “Economia do agro: entre custos, crises e crescimento”, no Vision Tech Summit Agro 2025, o cenário enfrentado pelo setor agropecuário brasileiro foi analisado com ênfase nas dificuldades econômicas e nos impactos da transformação tecnológica. Os palestrantes destacaram fatores como inadimplência, encarecimento do crédito, aumento tributário e a pressão por qualificação profissional.
“Estamos falando de fechamento de um ciclo econômico, de giro agrícola, agropecuário no país, e que o custo de produção do ciclo anterior teve interferências econômicas menores do que está tendo agora”, afirmou Walmir Segatto, CEO da Sicoob Credicitrus. Ele apontou que o aumento do custo do crédito, impulsionado por mudanças regulatórias, vem impactando os resultados financeiros do setor: “O insumo crédito está sendo desafiado a colocar preços altos o suficiente para trazer impactos inclusive nos próximos balanços.”
Entre os desafios, o aspecto tributário também foi destacado. “Não entra exclusivamente lá no produto, ele vai sobrepondo e vai se multiplicando e se somando”, disse Walmir, referindo-se ao efeito cascata de tributos como o IOF e novas resoluções que incidem sobre operações financeiras.
A transformação digital, impulsionada por inteligência artificial, também foi abordada como parte de um novo cenário de custo. “Não é mais você dependendo da tecnologia, você precisa ter a tecnologia trabalhando para você”, destacou o CEO. Segundo ele, a pressão agora recai sobre a formação de profissionais capazes de operar com agentes de IA e lidar com a velocidade de informações que “nós, seres humanos, não temos capacidade de absorver e colocar em prática”.

Desafio geracional
Outro ponto de atenção mencionado foi o impacto da mudança demográfica no Brasil. “A nossa pirâmide vai engordando cada vez mais na geração X como dependente de condição de vida melhor, em contrapartida não chega uma nova geração com capacidade de suprir os custos de previdência, o custo de saúde, que isso pode ser um componente de custo significativo.”
Apesar das dificuldades, o tom foi de incentivo à reinvenção e ao protagonismo. “A gente olha para isso como desânimo? Não. Eu olho isso também como necessidade de discussão, de oportunidade”, reforçou. A proposta, segundo Segatto, é transformar o cenário adverso em um ciclo de inovação e ganho de competitividade: “Como é que a gente pode pegar todas essas ocorrências que chegam, principalmente ligadas à tecnologia, e transformar ela em pessoas mais ativas, mais competentes, mais competitivas”, concluiu.
Fonte: Maria Reis – Visão Agro
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