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El Niño, condições dos canaviais, preço do açúcar: o que mais deve impactar a safra 2024/25

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
23 novembro, 2023
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Tempo de leitura: 5 minutos
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Por: Delcy Mac Cruz

Confira as projeções de consultorias especializadas e de algumas das principais companhias do setor

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Independente dos extremos climáticos provocados pelo fenômeno El Niño e pelo aquecimento global, gestores das unidades sucroenergéticas dos estados da região Centro-Sul se desdobram nesta reta final deste 2023 para planejar e gerir a próxima safra. Oficialmente, o ciclo, denominado 2024/25, começa no dia primeiro de abril do próximo ano e vai até o fim de março de 2025. Mas nem sempre essa data é 100% seguida.

Tome o exemplo do ciclo vigente, o 23/24: até o fim de outubro, 20 unidades tinham encerrado a safra, segundo relatório da entidade do setor Unica (leia aqui). Para se ter ideia, no fim de outubro de 2022 tinham finalizado a safra 54 unidades. Por aí se vê que nem tudo segue o figurino planejado.

O calor extremo, que favoreceu as operações de colheita e corte de cana-de-açúcar nos estados de São Paulo e Minas Gerais, contrapôs as dificuldades operacionais no Paraná, onde ocorreram chuvas sequenciais. Ou seja: turbinados pelo El Ninõ e pelo aquecimento global, o calor e as chuvas fora de época alteraram o cronograma da safra.

E como fica a próxima safra?

As consultorias especializadas no setor sucroenergético começam a divulgar suas projeções para o próximo ciclo canavieiro no Centro-Sul. Antes de seguir adiante, vale lembrar que as unidades dos estados do Centro-Sul são responsáveis por cerca de 90% do etanol e do açúcar feitos pelo setor no país.

Já os demais 10% são produzidos pelas unidades das regiões Norte e Nordeste, onde, aliás, a safra – iniciada em meados de agosto – segue oficialmente até março próximo.
De volta às projeções já divulgadas, a consultoria Datagro informou no fim de outubro, durante evento dela na capital paulista, que a produção de açúcar será ampliada pelas usinas do Centro-Sul para 42,6 milhões de toneladas. O aumento projetado é de 5,7% ante o volume do adoçante fabricado no ciclo vigente, conforme divulgado pela empresa no jornal Valor.

Qual o motivo dessa estimativa de alta?

Existe mais de um motivo. Primeiro: há usinas que investem no aumento da capacidade de cristalização do açúcar, além de outras que terão mais condições de produzir.
Fora isso, tem a perspectiva positiva de preços. Na safra global 2023/24, iniciada em outubro, a Datagro estima um déficit de 4,36 milhões de toneladas e, mesmo na 24/25, espera-se déficit de 1,03 milhão de toneladas. Diante disso, o Brasil, como player produtivo de açúcar, entra como fornecedor dessa commodity. No mais, os preços do adoçante seguirão atraentes.

Produção de cana

Conforme a consultoria, ainda depende do quanto de cana ficará no campo para ser colhida em 2024 (em processo denominado no setor de ‘cana bisada’).
De todo modo, a projeção é de que as unidades do Centro-Sul tenham 620 milhões de toneladas no próximo ciclo, volume 0,7% inferior ao da safra vigente, que deve ficar em 619 e 620 milhões de toneladas.

Por sua vez, a projeção da Datagro supera em 13% a moagem de cana do Centro-Sul no ciclo anterior (22/23), que somou 548,8 milhões de toneladas.

Produtividade deve crescer

De seu lado, a BP Bunge Bioenergia, sucroenergética com 11 unidades agroindustriais, estima em 610 milhões de toneladas a moagem do próximo ciclo no Centro-Sul.
A estimativa foi apresentada pela gerente de Inteligência de Mercado da companhia, Luciana Torrezan, durante evento realizado pela empresa no fim de outubro.

Segundo ela, a projeção é inferior à moagem da safra vigente, mas tudo indica que haverá mais ganho de produtividade. Essa é apurada pela quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR): para o próximo ciclo, Luciana estima em 139,2 quilos de ATR por toneladas, contra 138,7 kg por tonelada no ciclo atual.

O que vem por aí, segundo companhias do setor

Carlos Moura, vice-presidente de finanças e relações com investidores da Raízen em 13/11, durante a divulgação dos resultados do segundo trimestre do ano-safra 23/24, ao jornal Valor.

Positivo: “o cenário projetado para os próximos meses é positivo, e o grande risco aos resultados, que estava relacionado à safra e ao fenômeno El Niño, é cada vez menor.”

Riscos: “o preço do etanol é hoje o risco maior.” Ao longo de 2023, houve redução do ritmo de venda pela companhia por causa dos preços baixos. “Com a aproximação do fim da safra, a maior procura do consumidor por etanol e a possível elevação do percentual de mistura de anidro na gasolina, de 27% para 30%, a tendência é de recuperação dos preços.”

Foco no açúcar – Para a safra 2024/25, a Jalles Machado S.A. ampliará o mix global de produção de açúcar em suas três unidades (Unidade Otávio Lage e Unidade Jalles, em Goianésia-GO, e Santa Vitória, em Santa Vitória-MG).

Conforme o relatório dos resultados do segundo trimestre da safra 23/24, divulgado no começo de novembro, a sucroenergética destaca que as três unidades terão o açúcar com 55% do mix do próximo ciclo. Isso é possível porque a capacidade diária de produção sairá de atuais 940 para 1.120 toneladas.

Déficit global – Segundo a Jalles, “há uma perspectiva de déficit do balanço global de açúcar, impulsionada pela expectativa de redução da produção em alguns dos principais produtores globais, com destaque para a Tailândia e a Índia, devido às adversidades climáticas enfrentadas na região nos últimos meses.”

“Além disso, o governo indiano cogita a possibilidade de proibir as exportações de açúcar na safra 2023/24, iniciada em outubro, o que tem contribuído para a sustentação dos preços da commodity em patamares elevados”, relata a empresa no relatório de novembro.

Posição de hedge – Historicamente, relata a Jalles, ela procura se proteger de variações no dólar norte-americano e as oscilações nos preços das commodities utilizando as fixações do açúcar.

Conforme a sucroenergética, em 30 de setembro o volume fixado em toneladas para a safra 2024/25 somava 385.185 toneladas com preço médio de R$ 2.461 por tonelada.

Delcy Mac Cruz é jornalista especialista em agronegócio e economia, sendo atualmente produtor de conteúdo pela RX Brasil.

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