Diretor da agência alerta para “a maior crise energética” da história
As emissões de metano – um gás de efeito estufa – procedentes de combustíveis fósseis permanecem “em níveis muito elevados”, alertou nesta segunda-feira, 4, a Agência Internacional de Energia (IEA).
Em 2025, a produção recorde do setor dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão, gás) foi responsável por 35% das emissões de metano procedentes da atividade humana, ou seja, 124 milhões de toneladas, segundo os cálculos da IEA.
A agência apresentou o relatório anual Global Methane Tracker nesta segunda-feira, antes de uma reunião internacional em Paris, organizada no âmbito da presidência francesa do G7.
Com um leve aumento na comparação com 2024 (121 mi t), as emissões “permanecem em níveis muito elevados”, próximos do recorde de 2019, dominadas pelo setor petrolífero (45 mi t), à frente do carvão (43 mi t) e do gás (36 mi t).
“Não há sinal de que as emissões mundiais de metano relacionadas ao setor de energia tenham diminuído”, destaca a IEA.
O metano, inodoro e invisível, é o principal componente do gás natural e procede geralmente de gasodutos, do gado e de aterros sanitários.
Quase 580 milhões de toneladas de metano são emitidas a cada ano no planeta, 60% delas procedentes de atividade humana, em particular agricultura e energia.
Com um potencial de aquecimento muito maior do que o do CO2, o metano é responsável por quase 30% do aumento da temperatura média mundial desde a revolução industrial. Mas, devido ao ciclo de vida mais curto, reduzir as emissões de metano representaria “benefícios climáticos significativos a curto prazo”, ressaltou a IEA.
Na indústria do petróleo e gás, o metano escapa por meio de vazamentos nos equipamentos ou durante as operações de desgaseificação ou queima.
Contudo, existem soluções comprovadas que permitiriam evitar quase 30% das emissões procedentes de atividades relacionadas com os combustíveis fósseis, “sem qualquer custo”, já que o gás capturado poderia ser revendido.
Segundo a IEA, a recuperação do gás não utilizado ajudaria a reforçar o fornecimento de energia, atualmente prejudicado pela guerra no Oriente Médio, com o abastecimento aos mercados de 200 bilhões de metros cúbicos de gás por ano, incluindo 15 bilhões a curto prazo.
Os 200 bilhões de metros cúbicos representam o dobro do gás que transita anualmente pelo Estreito de Ormuz, bloqueado desde o início da guerra.
Crise energética
O mundo enfrenta “a maior crise energética de sua história”, provocada pela guerra no Oriente Médio e pelas perturbações no comércio de hidrocarbonetos, afirmou na quinta-feira, 30, o diretor da IEA, Fatih Birol.
Assim como aconteceu com a invasão russa da Ucrânia em 2022, o conflito no Oriente Médio evidenciou a forte dependência mundial dos combustíveis fósseis.
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde passavam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, disparou os preços do barril de petróleo a níveis não vistos em quatro anos.
O Brent do Mar do Norte chegou a ser cotado na quinta-feira a US$ 126 (R$ 629) por barril, enquanto os Estados Unidos também impõem um bloqueio naval aos portos iranianos.
O prolongado fechamento dessa passagem marítima crucial para o comércio mundial ameaça causar problemas de abastecimento e escassez a longo prazo.
Em uma conferência da IEA em Paris, onde o organismo tem sua sede, Birol assegurou que esse encarecimento está “colocando muita pressão em muitos países”.
“O mundo enfrenta a maior crise energética de sua história”, disse ele. “Os mercados de petróleo e gás terão grandes dificuldades”, insistiu.
Nesse mesmo fórum, o presidente da cúpula climática COP31, que será realizada na Turquia no fim do ano, Murat Kurum, chamou a “acelerar a transição para as energias limpas”.
“Agora sabemos claramente que a economia mundial precisa mudar seu modelo energético. E a etapa mais crucial consiste em acelerar a transição para as energias limpas”, afirmou Kurum, segundo a tradução de um intérprete de seu discurso em turco.
Fonte: Agence France-Presse
Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.















