Em evento em Florianópolis, presidente e candidato à reeleição também voltou a falar em proibir bets e diz que vai consultar Ministério da Fazenda e Banco Central

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado, em evento de campanha em Florianópolis, que, diante dos recursos recebidos do governo federal, o agronegócio deveria não apenas apoiá-lo politicamente, mas “se ajoelhar” para ele. A declaração foi feita ao lado de Gelson Merísio (PSB-SC), candidato ao governo de Santa Catarina apoiado por Lula.
— Merísio, você deveria fazer uma reunião com o pessoal do agronegócio aqui. Você e eles, sem nenhum papel na mão, e você perguntar para eles por que eles não gostam de nós. Por que eles não votam em nós? Porque o problema contra nós acho que é uma questão de pele. É porque eu sou nordestino ou porque eu sou pobre. Porque se dependesse de dinheiro do governo, eles deveriam não só votar, mas se ajoelhar para mim.
Na sequência, Lula ainda afirmou que “nunca houve tanto dinheiro para a agricultura como agora”.
Horas depois, o principal adversário do petista, o também candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) repercutiu a fala a respeito do agro, dizendo que Lula “é um cara de perdeu completamente a noção do que está falando”.
— Hoje ele estava aqui em Santa Catarina ameaçando quem produz, que é o nosso agro, dizendo que o agro deveria se ajoelhar aos seus pés. O Lula não tem mais condições psiquiátricas de continuar na Presidência do Brasil — afirmou Flávio em um comício em Chapecó, no interior catarinense.
Em seu discurso, o petista também se queixou do impacto das apostas sobre o endividamento das famílias e disse que vai consultar o Ministério da Fazenda e o Banco Central para proibir empresas de bet.
– Eu tomei uma decisão, se depender da minha vontade, eu já fiz algumas reuniões, vou conversar com meu pessoal da Fazenda, vou conversar com meu pessoal do Banco Central, mas a verdade é que eu quero acabar com as bets – declarou.
Lula, no entanto, não detalhou o alcance da medida, quando ela começará a ser implementada e quais setores de apostas serão alcançados pela proibição. O governo avalia a edição de uma Medida Provisória para tratar do tema.
Durante o ato em Florianópolis, o petista também reclamou de uma carta elaborada por times de futebol em que criticam a possibilidade de proibir as bets.
Na quinta-feira, após Lula ter falado em outra ocasião que poderia tomar novas medidas na regulação do mercado de apostas, clubes de futebol publicaram uma nota em conjunto criticando as possíveis mudanças. No comunicado, os times citaram a possibilidade de insolvência, insegurança jurídica e até falaram em “fim do futebol brasileiro”.
– A seleção brasileira foi campeã em 1958 sem bet, foi campeã do mundo do mundo em 1962 sem bet, foi campeã do mundo em 1970 sem bet, foi tetra em 1994 sem bet e foi penta em 2002 sem bet. Depois que começou as bets nós não ganhamos mais nenhuma Copa do Mundo. Então é mentira dizer que se acabar com as bets vai acabar com o futebol – disse Lula.
O presidente também declarou que “está determinado” e que “se depender da vontade” dele, vai “acabar com as bets nesse país”.
O ato de campanha contou com a presença de candidatos aliados de Lula em Santa Catarina, como o nome do PSB ao governo do estado, Gelson Merísio, e os candidatos ao Senado Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL).
Fonte: O GLOBO
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