A safra 2025/26 de cana-de-açúcar no Norte-Nordeste do Brasil segue em avanço, sustentada por condições climáticas mais favoráveis à colheita e por um desempenho robusto da produção de etanol. A avaliação apresentada por Plinio Nastari, presidente da Datagro, indica que o tempo mais seco na segunda quinzena de janeiro contribuiu para melhorar o ritmo operacional das usinas e elevar a qualidade da matéria-prima processada.
Na segunda quinzena de janeiro, a moagem de cana na região totalizou 3,65 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao mesmo período do ciclo anterior, com leve variação negativa de 0,3%. No acumulado desde o início da safra, em setembro, o volume chegou a 40,52 milhões de toneladas, ainda 4,2% abaixo do registrado na temporada passada.
Segundo a leitura apresentada no material, o clima teve papel importante nesse comportamento. O tempo mais seco favoreceu a colheita e ajudou na recuperação dos indicadores industriais, com destaque para o ATR na quinzena, que avançou 2,6% na comparação anual. O movimento sugere melhora na eficiência do processamento, mesmo em um contexto de moagem acumulada ainda inferior à do ciclo anterior.
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Apesar desse ganho nos rendimentos, a produção de açúcar segue pressionada na região. Na segunda metade de janeiro, o volume fabricado somou 234 mil toneladas, queda de 11,4% em relação ao mesmo intervalo da safra passada. No acumulado, a produção alcançou 2,51 milhões de toneladas, recuo de 19,4% na comparação anual.
O desempenho mais fraco do açúcar reflete, de acordo com a apresentação, um menor mix de produção voltado ao adoçante. A participação da cana destinada à fabricação de açúcar caiu no acumulado da safra, indicando uma estratégia industrial mais direcionada ao biocombustível em meio a um ambiente de mercado mais favorável ao etanol.
Esse redirecionamento aparece com clareza nos números do biocombustível. A produção total de etanol atingiu 188 milhões de litros na quinzena, alta expressiva de 59,2% sobre igual período do ciclo anterior. No acumulado da safra, o volume chegou a 1,85 bilhão de litros, avanço de 22,2%.
Avanço no etanol de milho
A expansão foi puxada não apenas pelo maior direcionamento da cana ao etanol, mas também pelo avanço do etanol de milho, que amplia a oferta regional e reforça a trajetória de crescimento do biocombustível. O resultado mostra que, mesmo com a retração do açúcar, o setor mantém dinamismo industrial e capacidade de resposta por meio de um mix mais flexível.
Os dados apresentados por Nastari mostram, assim, uma safra marcada por dois movimentos simultâneos: de um lado, a moagem ainda abaixo do ciclo anterior no acumulado; de outro, uma melhora operacional favorecida pelo clima e uma forte aceleração da produção de etanol. Esse quadro ajuda a explicar por que o Norte-Nordeste entra em uma fase mais positiva da temporada, mesmo sem repetir os volumes de cana do ano passado.
Na prática, o cenário reforça que o clima favorável tem funcionado como aliado da safra 2025/26 na região, sobretudo ao melhorar as condições de colheita e os rendimentos industriais. Ao mesmo tempo, o avanço do etanol confirma uma mudança relevante no perfil de produção, com maior peso do biocombustível na estratégia das usinas.
Com isso, o Norte-Nordeste segue a safra 2025/26 apoiado em fundamentos mais construtivos no campo e na indústria. A combinação entre clima mais benigno, recuperação de eficiência e crescimento do etanol coloca a região em trajetória de avanço, ainda que o açúcar continue refletindo um mix menos favorável e volumes inferiores aos da temporada passada.
Por: Fábio Palaveri | Fonte: Portal Visão Agro
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