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Pecege avalia que mudanças tributárias devem reduzir rendimentos das usinas

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
27 junho, 2022
em Bioenergia, Economia, Política e Governo
Tempo de leitura: 6 minutos
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Home Bioenergia
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Segundo estudo, as alterações provocariam uma redução de 7% no preço do etanol recebido pelas usinas

O impacto da aprovação das alterações tributárias, com redução do ICMS sobre a gasolina e etanol, além da desoneração dos tributos federais, pode resultar num cenário de redução dos rendimentos das usinas em até 7%.

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É o que apontam os estudos realizados pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) apresentados no seminário “Expedição Custos da Cana”, realizado na quinta-feira, dia 23.

Raphael Delloiagono, analista econômico do Pecege, informa que na avaliação do Programa, o impacto dessa redução, tanto do ICMS para gasolina e etanol e de uma forma geral a desoneração até o final do ano dos impostos federais, como PIS/Cofins, o valor acumulado até o encerramento da safra, do etanol hidratado, estimado em média de R$ 3,28, cairia para R$ 3,04, ou seja, uma queda de quase 25 centavos, representando uma redução próxima de 7%.

“Algo semelhante ocorreria com o etanol anidro que de R$ 3,75 cairia para algo em torno de R$ 3,46, novamente uma variação em torno de 7%.  Em termos de ATR, se nós consideramos esse cenário onde o que está sendo discutido seja aprovado, e começa a ser aplicado já a partir de julho, o efeito na matéria-prima deve ser em torno também de 7%, reduzindo em quase nove centavos, esse número de R$ 1,20 para R$ 1,11”, informou.

Segundo Delloiagono, isso representa uma queda significativa no preço da matéria-prima do setor e também no rendimento monetário de todas as usinas. “Caso essas medidas tributárias sejam todas aprovadas, provavelmente o que nós teremos é uma paridade reduzida do etanol, com o açúcar voltando a se sobrepor sobre o biocombustível, ou seja, aquela visão que foi apresentada de um mix mais alcooleiro durante toda essa safra, pode mudar ligeiramente”, explicou.

Em relação às perspectivas de produtividade da atual safra, o analista do Pecege avalia que será um pouco mais produtiva do que a anterior, porém com uma qualidade menor. Nestes dois primeiros meses de safra os números apontam uma produtividade 2,6% acima e um ATR com 5,2% de queda, com um aumento no mix para o etanol em 5,2%.

A expectativa é que a safra atinja uma moagem estimada em 542,5 milhões de toneladas, o que representa uma variação de 3,6% percentuais acima, em comparação a anterior que foi de 523,5 milhões/t.

“Como eu disse, uma recuperação modesta e isso deve resultar numa produção mais ou menos nesse nível em termos de qualidade da matéria-prima. Nossas projeções apontam para um ATR médio de 136,93 kg por tonelada de cana-de-açúcar, ou seja, uma redução nessa qualidade de 4,16%. Já o ATR total deve permanecer praticamente na mesma faixa da safra passada, com uma pequena redução de 0,67%”, informou.

Com relação ao mix de etanol, o Pecege espera, sem considerar as mudanças tributárias, que um litro de etanol gira em torno de 58,54% da matéria-prima sendo destinado ao biocombustível, o que representa um aumento de 3,56 pontos percentuais sobre o realizado na safra passada, resultando numa produção menor de açúcar e ligeiramente menor também do etanol anidro e uma produção um pouco maior de etanol hidratado.

Quanto ao açúcar, esperam uma redução de quase 9%, com a produção durante a safra girando em torno de 29 milhões de toneladas. “A produção de etanol da cana-de-açúcar, deve passar de 27,5 milhões para quase 28 milhões de litros. Essa é a impressão que observamos nesses dois primeiros meses de safra. Uma produtividade um pouco mais elevada sendo compensada por uma qualidade da cana-de-açúcar um pouco menor e uma tendência para um mix levemente mais alcooleiro “, avaliou.

Com relação às projeções para o mercado, o analista do Pecege informou que a valorização do açúcar, cuja produção mundial está estimada em 181 milhões de toneladas, nas últimas semanas ficou abaixo da soja e do milho. A avaliação, porém, é de que os agentes dos fundos especulativos do mercado de açúcar, enxergam pouco espaço para aumento de preços.

Na avaliação da rentabilidade e custos de produção do setor sucroenergético, o economista do Pecege, Haroldo Torres, destacou a expressiva receita advinda com o mercado de CBios, que nos últimos meses teve uma valorização de mais de 225%.

Para Torres, nas últimas três safras o setor bioenergético conseguiu ter uma excelente geração de caixa. “Como se fosse um trem com dois vagões subindo uma montanha, sendo o primeiro vagão o preço e o segundo os custos. Com o preço na frente dos custos nas últimas três safras, o setor entregou margens de lucro líquidas de mais de 25%. Se olharmos para 5 ou 6 anos atrás, tinha produtor entregando margem líquida negativa”, lembrou.

De acordo com ele, isso permitiu novos investimentos e ampliação de portfólio do setor, seja em outros produtos como o biogás, levedura, CO2 ou até mesmo em processos na área agrícola, aplicação de vinhaça localizada, investimento no campo e melhoria do nosso manejo.

Segundo Torres, a parte ruim agora, é que esse trem começa a descer a montanha, e quem está na frente é vagão dos custos com os preços ficando para trás. “Isso significa que nós vamos começar a observar uma redução de margens para safra 2022/23, observou.

O consultor ressalta que algumas usinas têm caminhado para suavizar este impacto “deste soco no estômago” vindo justamente da alta de insumos, caminhando para o uso de adubação orgânica, insumos biológicos e aplicação de vinhaça. “Ou seja, é muito importante uma discussão de melhoria muito forte dos processos. Por outro lado, a gente não pode incorrer nos erros que cometemos em safras passadas da nossa história, cortando investimentos, cortando manejo, reduzindo a produtividade”, reforçou.

Para ele, o importante é aproveitar a boa rentabilidade e essa boa geração de caixa das últimas safras e convertê-la em novos projetos, principalmente visando suavizar esse impacto de elevação dos custos.

Fonte: PECEGE

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