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Petrobras: O etanol estará no plano estratégico?Matéria-prima parece clara

Maria Reis por Maria Reis
27 novembro, 2025
em Biocombustíveis
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Bioenergia Biocombustíveis
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Toneis de Diesel | Foto: Wilson Melo Agência Petrobras

A Petrobras divulga nesta quinta-feira (27) o seu Plano Estratégico 2026–2030. Uma das principais perguntas do mercado é: a estatal entrará no negócio do etanol? 

Especialistas dizem que o plano pode citar o etanol, mas ninguém garante a entrada da Petrobras no setor. A avaliação é que a estatal só avançará se houver lógica econômica clara, evitando repetir erros da PBio e priorizando áreas onde tem vantagem industrial e tecnológica. Há interesse, sobretudo no etanol de milho, mas analistas ressaltam que a decisão precisa ser competitiva e focada em onde a empresa realmente agrega valor.

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Em setembro, a empresa manifestou interesse em retornar ao mercado, mas descartou oficialmente a possibilidade de se tornar parceira da Raízen (RAIZ4), produtora de etanol a partir da cana-de-açúcar. Entre 2008 e 2015, a Petrobras atuou no setor por meio da Petrobras Biocombustíveis (PBio).

Em artigo publicado no Valor, o ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, lembrou que o investimento da época foi “desastroso” e que a empresa “comprou caro e vendeu caro”.

Ele reforçou que o aprendizado da PBio deveria ser definitivo: a Petrobras não tem vantagem na produção agrícola, e seu papel deve ser industrial, tecnológico e logístico, integrando a biomassa em cadeias de maior valor agregado — como E2G, biometano, HVO e SAF.

Milho ou cana?

Gustavo Moreira, especialista em investimentos e planejador financeiro, acredita que faz muito sentido a Petrobras olhar seriamente para o etanol.

“Declarações recentes de sua presidência confirmam que os biocombustíveis serão ‘realidade’, com planos concretos de investimento em biorrefinarias. A empresa pretende reagir à queda na demanda por combustíveis fósseis e diversificar seu portfólio”, afirma.

Para Moreira, a Petrobras tende a priorizar o etanol de milho, embora não descarte a cana. Fontes internas indicam que a preferência tem sido pelo milho devido à redução de custos, ao forte crescimento recente do segmento e à expansão da produção em regiões como Norte e Nordeste.

“A empresa declarou que considera ambas as matérias-primas, desde que façam sentido logística e economicamente. A entrada da maior estatal brasileira no mercado pode atrair investimentos em escala e tecnologia, profissionalizar a cadeia produtiva, aumentar a oferta de etanol e trazer mais estabilidade de demanda — além de consolidar a transição energética no Brasil, melhorar a logística e talvez tornar os preços mais competitivos.”

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a empresa pensa fortemente em retornar ao etanol. “Vamos estar incrementando a produção de biodiesel… nós vamos mais adiante exacerbar nossos investimentos em eólica, solar, hidrogênio e outros”.

A Petrobras é fornecedora de 31% de toda a energia primária gerada no Brasil e a presidente disse que o fornecimento de energia primária precisa aumentar ao menos 60% até 2050

‘É preciso ter uma base econômica’

Sobre um possível investimento da Petrobras em etanol, Ricardo Mussa, chair da SBCOP30 e ex-CEO da Raízen, ressalta que a estatal precisa tomar uma decisão sustentada em forte lógica econômica.

“A Petrobras precisa apostar na tecnologia com mais chance de vingar no longo prazo. Se a Petrobras está olhando esse mercado porque acredita no potencial do etanol para ser competitivo economicamente e reduzir emissões, a decisão é correta. Ela não pode investir apenas porque é bom ambientalmente. Esse foi um erro cometido por várias petroleiras, que depois se arrependeram”, disse ao Money Times.

Mussa lembra ainda da vocação brasileira para o etanol e do amplo espaço de crescimento no setor. “Podemos expandir não só em combustíveis, mas também na indústria química, na aviação e no bunker marítimo. Não vejo problema de demanda, dentro ou fora do Brasil. Precisamos pensar nos mercados mais atrativos para o etanol.”

Ele também cita que a companhia conta com um grande desafio de extração do pré-sal e pondera sobre a possibilidade da entrada no mercado do biocombustível ser uma distração. “A Petrobras precisa olhar para cadeia e entender onde ela agrega mais valor”.

Por ora, a prioridade do novo plano é aumentar produção de petróleo e refino sem elevar dívida, com foco em eficiência, redução de custos e maior produtividade das plataformas – mantendo a política de dividendos e a execução como diferencial. (Money Times, 26/11/25)

Por: Pasquale Augusto | Fonte: Brasil Agro

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