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Preço do açúcar despenca e aperta as margens no Brasil

Maria Reis por Maria Reis
16 junho, 2025
em Mercado
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Mercado
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Commodity está no menor patamar em quatro anos

Em um mercado já pressionado pela recuperação da produção global, uma enxurrada de oferta de açúcar na Tailândia neste mês foi a gota d’água para que os preços internacionais derretessem nas últimas sessões. O tombo das cotações foi tal que elas já estão no menor patamar em cerca de quatro anos, aproximando-se do custo de produção dos fabricantes mais competitivos do mundo: os brasileiros.

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Na sexta-feira (13/6), os contratos do açúcar demerara na bolsa de Nova York para julho fecharam a 16,13 centavos de dólar a libra-peso, o menor valor para um contrato de segunda posição desde abril de 2021. Em um ano, os preços já caíram 15,63%, e a maior parte da queda se deu no último mês, quando as cotações recuaram 9,99%, segundo o Valor Data.

Como o dólar também vem caindo, a remuneração do açúcar em reais caiu mais. Segundo a consultoria FG/A, até a primeira semana de junho, o preço médio do açúcar em reais acumulava desvalorização de 24% no ano, enquanto no mesmo período a queda em dólares foi de 13%.

No Brasil, o custo de produção da commodity está entre 15 centavos de dólar e 16,50 centavos de dólar a libra-peso, segundo analistas consultados pelo Valor. Os produtores mais competitivos atrás do Brasil são da América Central, onde o custo médio já está em 17,50 centavos dólar a libra-peso.

Ou seja, na prática, os produtores de fora do Brasil estão tendo prejuízo. Para Arnaldo Corrêa, diretor da Archer Consulting, isso pode ser um sinal de que a pressão sobre as cotações pode começar a ser revertida em algum momento, já que desestimulará a produção. Cristian Quiles, analista da FG/A, também vê nessa relação um indicativo de que o mercado teria chegado a um “piso”.

Entre as usinas, o sentimento é de atenção, mas não preocupação. Diferentemente das consultorias, os usineiros esperam uma quebra de safra maior no Centro-Sul, o que pode logo reverter o “vale” no mercado. “Essa safra está decepcionando do ponto de vista de cana. Temos queda de produtividade e queda de sacarose. A expectativa é que isso deve aparecer nas próximas semanas”, afirma Gabriel Junqueira, CEO da Bioenergética Aroeira, com uma unidade em Tupaciguara, no triângulo mineiro.

Para a companhia, o preço em reais já está “encostando” em seu custo de produção. Na visão de Junqueira, se o preço continuar a cair, é possível que algumas usinas, sobretudo as do Centro-Oeste, que têm benefícios fiscais para produzir etanol, comecem a produzir mais biocombustível do que açúcar. Isso poderia limitar a oferta da commodity e, portanto, a própria desvalorização.

A princípio, a baixa do açúcar deve impactar pouco os balanços financeiros, já que boa parte das usinas já tinha fixado o preço de exportação meses antes. O último levantamento da Archer indicava que 85% do volume de açúcar a ser exportado na safra atual (2025/26) já fora hedgeado.

O efeito imediato é a paralisia das vendas domésticas, uma vez que as usinas não pretendem avançar nas negociações do açúcar não hedgeado. De acordo com Corrêa, o consumidor industrial vai usar os estoques que tem em casa antes de entrar no mercado. “Ninguém quer carregar estoque com juro alto”, diz.

No mercado global, o fator que mais pesou sobre os preços foram estimativas de que a oferta da Tailândia superou o volume esperado para exportação em 1,52 milhão de toneladas. Esse montante tornou-se, portanto, disponível para ser fixado, o que representa um volume relevante de contratos na bolsa de Nova York à venda — entre 30 mil e 40 mil. “Num momento em que não tem ninguém para dar essa liquidez, qualquer volume maior de venda pressiona o mercado”, afirma Corrêa.

A Tailândia, porém, não é a única responsável pelos baixos preços. De acordo com Quiles, da FG/A, a queda reflete a expectativa de um superávit global, impulsionada principalmente pelas perspectivas de aumento da produção no Brasil e na Índia.

Ele ressalta que, para o Brasil, o que mais pesa para a perspectiva de aumento da produção de açúcar são os investimentos estimados em R$ 3,5 bilhões feitos pelas usinas em novas capacidades, que agregaram 4 milhões de toneladas de capacidade instalada.

Para a consultoria, ainda que a moagem de cana do Centro-Sul caia 6% nesta safra por causa das piores condições dos canaviais, para 615 milhões de toneladas, a produção de açúcar deve ficar próxima do recorde de 2023/24, em 42,4 milhões de toneladas.

Lívea Coda, analista da consultoria Hedgepoint, diz que, se o Centro-Sul do Brasil processar 620 milhões de toneladas de cana nesta safra, o fluxo comercial global de açúcar projetado para o terceiro trimestre seria superavitário em 3,5 milhões de toneladas.

Ainda que a safra seja menor, de 600 milhões de toneladas, o fluxo seria superávitário em 2 milhões de toneladas. “Ainda seria bastante confortável”, diz. Para ela, o fator mais imediato que deve indicar o “piso” do mercado é a paridade de importação nas regiões produtoras da China, que está em 16,2 centavos de dólar a libra-peso.

Por: Camila Souza Ramos | Fonte: Globo Rural

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