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Produção de açúcar na Paraíba cai 24% na safra 2025/2026 e usinas reforçam produção de etanol

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
29 janeiro, 2026
em Biocombustíveis, Mercado
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Bioenergia Biocombustíveis
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Seca, excesso de chuvas e preços baixos pressionam setor sucroenergético no Nordeste

A produção de açúcar na Paraíba e em outros estados do Nordeste registrou queda significativa na safra 2025/2026, acompanhando a tendência de retração observada na região. Segundo o Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado da Paraíba (Sindalcool), a moagem de cana-de-açúcar caiu pouco mais de 7%, enquanto a produção de açúcar recuou cerca de 24%, evidenciando impactos não apenas climáticos, mas também econômicos e estratégicos.

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O cenário pressionou especialmente a rentabilidade dos produtores de cana, afetando tanto grandes usinas quanto pequenos e médios fornecedores, cuja remuneração depende diretamente do desempenho do açúcar e do etanol.

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    Quebra de safra e clima irregular afetam produção
    De acordo com o Sindalcool, a redução na moagem de cana está ligada a um ciclo climático irregular, que combinou seca nas fases iniciais do canavial e chuvas excessivas no período de colheita. Essa combinação comprometeu tanto o volume quanto a qualidade da cana.

    “Se o problema fosse apenas agrícola, a produção de açúcar teria caído proporcionalmente à moagem. O que observamos é uma redução muito maior, superior a 24%, resultado de decisões estratégicas das usinas frente à queda de preços e incertezas do mercado”, explica Edmundo Barbosa, presidente-executivo do Sindalcool.

    Impacto do mercado internacional e perda de cotas preferenciais
    A recomposição da oferta global de açúcar em 2025 provocou queda nos preços internacionais, tornando menos rentável a produção para exportação no Nordeste, onde custos industriais e logísticos são mais elevados.

    Além disso, a perda do acesso a mercados preferenciais, como a cota americana, agravou a situação, reduzindo a proteção histórica que esses mercados ofereciam aos produtores locais.

    “O efeito foi sentido especialmente pelas usinas da Paraíba, que passaram a reavaliar projetos de expansão de capacidade produtiva e ajustar a produção à realidade econômica”, completa Barbosa.

    Situação na Paraíba e efeito sobre produtores locais
    No estado, os projetos de investimento para aumentar a capacidade produtiva de açúcar foram desacelerados, refletindo a pressão sobre a rentabilidade da cana.

    Pequenos e médios fornecedores, que dependem do pagamento proporcional ao desempenho do açúcar e do etanol, enfrentam dificuldades para manter investimentos, o que pode gerar impactos persistentes nos ciclos agrícolas, como redução na adubação e manutenção da produtividade.

    Embora a moagem de cana tenha caído de forma contida, a produção de açúcar sofreu queda mais acentuada, resultado de perda de qualidade da matéria-prima e decisão estratégica das usinas de reduzir a fabricação do produto.

    Aumento da produção de etanol anidro como estratégia
    Diante do cenário de baixa rentabilidade do açúcar, as usinas têm priorizado a produção de etanol, especialmente o anidro, que apresenta demanda interna garantida pela política de mistura obrigatória na gasolina.

    Essa estratégia permite estabilidade de preços e fluxo de caixa, mesmo com menor disponibilidade de cana, protegendo a receita das usinas e garantindo a continuidade das operações. Na Paraíba, o decreto estadual nº 47.764/2025 instituiu incentivo de ICMS ao Álcool Etílico Anidro Combustível (AEAC), com objetivos de:

    • Estimular a produção local de etanol;
    • Manter a competitividade do setor sucroenergético;
    • Garantir estabilidade de preços no mercado de combustíveis;
    • Promover o desenvolvimento regional e a sustentabilidade ambiental.

    “Essa medida deve garantir saídas interestaduais e efetividade no incentivo, fortalecendo a produção local de etanol”, destaca Edmundo Barbosa.

    Panorama regional: Alagoas e Pernambuco também sofrem impactos
    Estados do Nordeste, como Alagoas — maior produtor regional — e Pernambuco, também enfrentaram desafios.

    • Alagoas teve forte impacto devido à orientação exportadora da produção;
    • Pernambuco sofreu efeitos do excesso de chuvas, que comprometeu o ATR (Açúcares Totais Recuperáveis), reduzindo a eficiência industrial.

    No geral, a região registrou redução estimada entre 500 e 600 mil toneladas de açúcar na safra 2025/2026.

    Fonte: Portal do Agronegócio

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