Unidade havia sido adquirida pela gigante sucroenergética em 2021, quando ocorreu a compra da Biosev
Após alguns meses de especulação, a Raízen anunciou a venda da usina Leme, localizada no município paulista de mesmo nome. A unidade foi adquirida à vista pela Ferrari Agroindústria e pela Agromen Sementes Agrícolas pelo valor aproximado de R$ 425 milhões, que devem fazer o pagamento no fechamento da operação.
O anúncio foi realizado na manhã desta segunda-feira, 12, por meio de um comunicado ao mercado assinado pelo CFO e diretor de relações com investidores da Raízen, Rafael Bergman. De acordo com ele, o valor ainda está sujeito a “eventuais variações usuais para negócios desta natureza”.
Ainda segundo a Raízen, a usina possui uma capacidade instalada de 1,8 milhão de toneladas por safra – com isso, a negociação foi equivalente a R$ 236,11 por tonelada. Além disso, a negociação também envolve, aproximadamente, 1,5 milhão de toneladas de cana-de-açúcar.
“A operação está alinhada com a estratégia da companhia de reciclagem do portfólio de ativos, redução do endividamento e captura de eficiência agroindustrial”, complementa a Raízen.
O documento acrescenta que a conclusão da venda está sujeita à aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ao cumprimento de condições estabelecidas no contrato. “A companhia manterá o mercado oportunamente informado sobre eventuais desdobramentos relevantes do tema”, complementa.
Especulações
Rumores sobre a venda da unidade chegaram ao mercado no começo de dezembro, quando uma reportagem do Globo Rural revelou que a Raízen pretendia vender um pacote de cerca de R$ 1 bilhão em usinas de geração solar distribuída (UFVs).
Em comunicado ao mercado enviado em resposta à reportagem, a Raízen afirmou que “vem seguindo uma estratégia de reciclagem do seu portfólio, com vistas a otimizar sua estrutura de ativos e reduzir o endividamento”. Ainda de acordo com o texto, a empresa “está constantemente avaliando oportunidades de negócios e de alienação de ativos não estratégicos”.
Por definição, “ativos não estratégicos” são aqueles que não estão diretamente vinculados ao negócio principal de uma empresa. No caso da Raízen, isso seria a produção de açúcar e etanol e a distribuição de combustíveis.
Questionada pelo NovaCana, a Raízen afirmou na ocasião que não iria comentar a possibilidade de venda da usina Leme ou de outras unidades, assim como a revisão de portfólio da companhia.
“Fit estratégico” e E2G
Mas a possibilidade de venda de usinas já rondava a Raízen. Na divulgação dos resultados referentes ao segundo trimestre da safra 2024/25, em novembro, o então CEO da companhia, Ricardo Mussa, comentou a venda de até 900 mil toneladas de cana para a Alta Mogiana, realizada por cerca R$ 381 milhões.
O movimento foi acompanhado pela paralisação da usina MB, em Morro Agudo (SP), levando a questionamentos de investidores. “Fizemos uma venda de cana, mas também estamos revertendo parte da cana para outras usinas. É uma hibernação que vai trazer um benefício de redução de custo em duas das nossas unidades, a Santa Elisa e a Vale do Rosário”, disse Mussa.
De acordo com ele, a venda de ativos é uma “super prioridade” dentro da Raízen, de modo que o mercado poderia “esperar, sim, outras novidades”. Ele ainda complementou: “Olhamos com muito carinho para todos os ativos da companhia. Tem aqueles que não têm tanto ‘fit estratégico’ e podem ter algum interessado com um valor acima do que nós achamos que esse ativo vale para nós. Estamos, sim, focados em fazer os desinvestimentos”.
Em relação às usinas, Mussa afirmou em novembro que foram identificadas algumas “tail mills”, o que ele define como unidades “que não fazem tanto sentido” para o portfólio da Raízen. Segundo o executivo, as usinas em questão seriam menores e não envolveriam planos de investimentos em etanol de segunda geração (E2G). “Temos uma discussão muito ativa nisso agora. (…) Tem outras unidades que fazem sentido hoje”, revelou.
Atualmente, a Raízen possui 33 usinas – o número já desconsidera a Leme. Destas, quatro já possuem plantas de E2G: Costa Pinto, em Piracicaba (SP), que está paralisada; Bonfim, em Guariba (SP); Univalem, em Valparaíso (SP); e Barra, em Barra Bonita (SP).
Por: Renata Bossle | Fonte: NovaCana
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