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Raízen registra prejuízo bilionário e vê alavancagem subir, mesmo com alta da receita

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
18 fevereiro, 2025
em Mercado, Usinas
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Setor bioenergético Usinas
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Companhia do grupo Cosan apresentou um trimestre para ser esquecido: com alta nos custos, contabilizou prejuízo de R$ 2,5 bilhões

A tempestade vivida pela Raízen, do grupo Cosan, ganhou mais um capítulo nesta sexta-feira, 14, com a divulgação do balanço referente ao terceiro trimestre do ano-safra 2024/25, período que engloba os meses de outubro a dezembro de 2024.

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A subsidiária da Cosan encerrou o período com um prejuízo líquido de R$ 2,57 bilhões, revertendo o lucro de R$ 793 milhões visto no mesmo período na safra 2023/24. O trimestre foi o primeiro “sob nova direção” na Raízen, que passou a ter Nelson Gomes como novo CEO.

Também nesta sexta-feira, a empresa comunicou a chegada do ex-CEO da BP Bioenergy, Geovane Consul, para o cargo de vice-presidente de etanol, açúcar e bioenergia, substituindo Francis Queen.

A receita líquida no terceiro trimestre foi de R$ 66,87 bilhões, alta de R$ 14,3% em um ano. No acumulado do ano-safra da companhia, a receita é de R$ 197 bilhões, alta de 18,5%, mas com um prejuízo de R$ 1,6 bilhão.

Ao mesmo tempo, o custo dos produtos vendidos (CPV) atingiu R$ 63 bilhões. No mesmo trimestre do ano passado, quando a companhia faturou R$ 58 bilhões, o CPV foi de R$ 53 bilhões. Na prática, enquanto a receita aumentou 14%, o custo cresceu mais rápido (18,5%), reduzindo a lucratividade.

A companhia também teve um aumento nas despesas financeiras de 57,5%, atingindo R$ 2,39 bilhões. A Raízen cita um “aumento no custo da dívida”, por conta de encargos e despesas bancárias.

A dívida líquida da companhia ao final do trimestre atingiu R$ 38,59 bilhões, aumento de 22,5% em um ano, elevando a alavancagem de 1,9 vez para 3 vezes.

Resultados por segmento

Além disso, a Raízen teve uma queda de rentabilidade nas operações de açúcar e renováveis. A companhia foi impactada pela seca e queimadas em São Paulo, que reduziram a produtividade da cana e aumentaram os custos fixos de produção.

A receita líquida da operação foi de R$ 18,8 bilhões, alta de 35,1% em um ano. Já a margem, que no ano passado foi de 12,4%, caiu para 2,74%, com custos de R$ 18,28 bilhões.

Outro fator foi a queda no desempenho de mobilidade, nome dado pela companhia à distribuição de combustíveis. Nesse caso, o Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, descontando também fatores tidos como relevantes pela empresa) teve uma queda de 48,3% na comparação anual, para US$ 109,5 milhões.

O valor foi contabilizado em moeda estrangeira para incluir as operações na Argentina e no Paraguai.

Considerando apenas os negócios no Brasil, por sua vez, o Ebitda normalizado – que inclui ajustes adicionais – recuou 34,8% e atingiu R$ 1,58 bilhão. A empresa citou no balanço um aumento na competição.

Produção e vendas

No universo operacional, a Raízen moeu 77,5 milhões de toneladas de cana no acumulado da safra até agora, queda de 6,9% frente ao mesmo intervalo do ano passado, diante de menor quantidade de matéria prima disponível.

A produtividade agrícola medida em toneladas de cana por hectare caiu 9,6%, para 77,4 t/ha. Já o teor de açúcar total recuperável (ATR) recuou 8,7%, para 10,5 toneladas por hectare.

Na safra até agora, foram produzidas 5,07 milhões de toneladas de açúcar, 12,5% a menos que no acumulado da safra anterior até esse momento. Já a produção total de etanol no acumulado do ano é de 3,11 bilhões de litros, em linha com o ano anterior.

Com isso, o mix de produção ficou em 50% para o adoçante e 50% para o biocombustível. No ano passado, o mix era mais açucareiro, com 53% para o açúcar.

Por sua vez, o etanol de segunda geração (E2G), avançou 97,2% em produção, para 49,7 milhões de litros na safra até dezembro.

De outubro a dezembro, a Raízen vendeu 1,1 milhão de toneladas de açúcar, queda de 10% em um ano, com um preço médio de R$ 2,4 mil por tonelada, 11% menor que no ano passado. Em contrapartida, o volume de etanol vendido subiu 21,4%, totalizando 895 milhões de litros, com um aumento de 9,9% no preço médio, que chegou a R$ 2,8 mil por metro cúbico.

A Raízen ainda negociou 443 mil MWh de energia, queda de 21,7%, mesmo com uma alta de 17,2% no preço médio, que atingiu R$ 300 por MWh.

Por: Gustavo Lustosa – Com informações adicionais NovaCana

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