Política pública brasileira já estabelece metas de substituição no setor de aviação a partir de 2027, abrindo novo mercado para o biocombustível

Um novo e promissor mercado para o etanol está se desenhando no horizonte energético global: o de combustível sustentável de aviação (SAF). De acordo com Luciano Rodrigues, Diretor de Inteligência Setorial da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), o Brasil começa a implementar a obrigatoriedade de mistura de SAF nos voos domésticos a partir de 2027, com uma meta inicial de 1% e projeção de crescimento até atingir 10% em 2037.
“O setor aéreo nunca esteve no centro das discussões sobre biocombustíveis há cinco anos. Hoje, ele se torna política pública no Brasil e em várias partes do mundo”, afirmou Rodrigues durante uma palestra na cerimônia de abertura da 31ª edição da Fenasucro & Agrocana, em Sertãozinho-SP. A regulamentação representa uma virada na agenda da bioenergia, abrindo espaço para o etanol da cana como matéria-prima na produção de SAF.
Segundo o profissional, essa produção pode ser feita a partir de diversas fontes renováveis, como óleo de soja, palma, gordura residual e etanol de cana-de-açúcar, este classificado como a quinta melhor matéria-prima em termos de intensidade de carbono. As projeções de demanda são expressivas. Apenas considerando o mercado doméstico brasileiro, a expectativa é que 4 bilhões de litros de SAF sejam necessários em 2037. Como atualmente são necessários 1,7 litro de etanol para produzir 1 litro de SAF, essa demanda se converte em cerca de 7 bilhões de litros de etanol. “É relevante para o mercado interno e pode se tornar gigantesco com a expansão para o cenário internacional”, afirmou.

Escala global
Em escala global, os números impressionam. Segundo dados apresentados pelo diretor, a demanda mundial por SAF pode chegar a 450 bilhões de litros até 2050. Isso equivaleria a até 800 bilhões de litros de etanol, considerando a taxa de conversão atual. “Se conseguirmos atender até 20% desse mercado, já será um salto gigantesco para o setor”, disse Rodrigues. “Até que esse mercado se consolide, precisamos continuar vivos e eficientes”, completou.
Hoje, o consumo de etanol ainda depende fortemente do mercado interno, com os veículos flex sendo os principais consumidores. E nesse cenário, o preço do etanol continua diretamente atrelado à competitividade frente à gasolina — geralmente abaixo de 70% do valor na bomba para manter sua atratividade.

Reforma tributária
Outro ponto destacado foi o impacto da reforma tributária no setor. A partir de 2027, o Brasil inicia a transição para uma alíquota uniforme do tributo estadual sobre o etanol hidratado, com previsão de conclusão até 2032. “Essa uniformização vai nivelar o consumo entre os estados e ampliar a competitividade do etanol no país”. “Estamos lançando alicerces para um futuro de mais protagonismo, mas até lá, a eficiência e o foco no mercado atual seguem fundamentais”, concluiu.
Fonte: Fábio Palaveri – Visão Agro
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