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USP terá primeira usina de captura e armazenamento de carbono do setor de etanol no Brasil

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
6 julho, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 3 minutos
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Home Bioenergia Usinas
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Centro coordenado pela Escola Politécnica da USP será desenvolvido em parceria com o Governo de São Paulo para testar tecnologias que podem tornar o etanol um combustível com emissões negativas de carbono

A Escola Politécnica da USP, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), anunciou a criação da primeira usina brasileira voltada à captura e ao armazenamento de carbono emitido pela produção de etanol.

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O Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico (CTCCSBio) é um novo Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) do Estado de São Paulo. O projeto utilizará tecnologias de Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono (BECCS, na sigla em inglês), capazes de remover CO₂ da atmosfera durante o ciclo de vida do etanol, tornando o combustível potencialmente carbono negativo.

O empreendimento funcionará como uma usina-modelo. Caso a tecnologia demonstre eficácia, poderá servir de base para a implantação de projetos semelhantes em outras regiões. Quem explica o funcionamento da iniciativa é Bruno Carmo, professor da Escola Politécnica da USP e pesquisador responsável pelo projeto.

Da pesquisa à aplicação

A iniciativa surgiu a partir de uma proposta da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, que definiu como tema para os CCDs financiados pela Fapesp as “oportunidades e desafios para a captura e o armazenamento de carbono no Estado de São Paulo”.

A partir dessa proposta, foi desenvolvido um projeto de pesquisa voltado à captura do carbono emitido pela indústria sucroenergética — setor que integra a produção de açúcar, etanol e bioeletricidade a partir da cana-de-açúcar. O plano prevê que o carbono capturado seja armazenado em formações geológicas da Bacia do Paraná, considerada uma área com elevado potencial para esse tipo de atividade.

As tecnologias BECCS utilizadas no projeto capturam o dióxido de carbono gerado na produção de bioenergia e o armazenam em formações geológicas profundas no subsolo. Dependendo da aplicação, essas tecnologias também podem contribuir para a produção de combustíveis sintéticos e de materiais de construção.

Potencial para reduzir emissões

Os testes iniciais terão como objetivo capturar o CO₂ liberado nas dornas de fermentação de uma usina de etanol. Como o gás proveniente desse processo apresenta elevado grau de pureza, o tratamento necessário é relativamente simples, exigindo apenas a remoção da umidade e um polimento final para atender aos requisitos de armazenamento.

Segundo Carmo, o projeto tem potencial para ampliar os benefícios ambientais do etanol, cuja produção já apresenta uma pegada de carbono menor do que a de combustíveis fósseis. Com a captura e o armazenamento do CO₂ emitido durante o processo produtivo, o combustível poderá alcançar emissões líquidas negativas de carbono.

O pesquisador ressalta, porém, que ainda será necessário superar desafios econômicos e regulatórios para viabilizar a tecnologia em larga escala.

Isso é muito interessante do ponto de vista de combate às mudanças climáticas. Junto a isso, temos também toda uma parte da equipe dedicada ao estudo de como fazer com que essa atividade seja economicamente viável, que tipo de regulação precisa ser implementada para que ela seja segura, que tipo de estrutura tributária poderia favorecer de uma forma saudável o crescimento desse tipo de atividade.

Por: Gustavo Radaelli | Fonte: Jornal da USP

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