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Açúcar deve ter preços fracos em 2025, enquanto ICMS e PIS dão impulso ao etanol

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
20 dezembro, 2024
em Biocombustíveis, Mercado
Tempo de leitura: 6 minutos
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Home Bioenergia Biocombustíveis
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O ciclo 2024/25 de açúcar e etanol, que atingiu o período da entressafra (dezembro a abril), ficou marcado pela volatilidade dos preços, com fatores especulativos, como uma possível escassez de oferta mexendo com o mercado. A estimativa da StoneX para moagem no ciclo é de 612,7 milhões de toneladas.

No fim da semana passada, os preços do açúcar voltaram a subir na ICE após 8 semanas seguidas de altas, desde a virada de setembro para a outubro, se direcionando para um patamar abaixo de US$ 0,21 por libra-peso.

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Com isso, o mercado de açúcar segue mais enfraquecido, após um agosto e setembro de preocupações em relação a uma possível morte súbita da safra.

Esse maior pessimismo não se confirmou, com as usinas operando até novembro com volumes acima da média, assim como para setembro e outubro. Até a segunda quinzena de novembro, 177 usinas exclusivas de cana ainda estavam operando.

A recente alta nos preços não foi sustentada por fundamentos, mas por questões especulativas, explica o analista da StoneX, Marcelo Di Bonifácio. Segundo ele, a ausência de vendas no Centro-Sul e o foco do mercado nos spreads ajudam a explicar por que os preços não voltaram para US$ 0,20.

“Há um desconto significativo entre a primeira tela e a de maio, com o contrato girando em torno de US$ 0,20, enquanto o mercado observa as safras globais”, disse.

Bonifácio explica que as queimadas não atingiram a moagem de 2024/25, mas vão impactar, sim, a área disponível para plantio em 2025/26.

Entrada da safra global deve pressionar preços
Nas últimas semanas, houve o início da safra no Hemisfério Norte e há possibilidade da Índia, um dos principais produtores do mundo, retomar suas exportações no primeiro trimestre de 2025, o que indica preços mais fracos no médio prazo.

“Temos safras globais com superávit, Centro-Sul com mix mais açucareiro, apesar de uma moagem menor em 2025, com as últimas chuvas ajudando na melhora da qualidade da cana. Dezembro deve marcar o final da safra que já encerra 2024 com uma moagem acima de 600 milhões toneladas no acumulado do ano, sobrando alguns volumes para março. Tudo vai depender do clima, de quanto as usinas vão antecipar ou não safra”, considera.

O 2024 do açúcar
O ano de 2024 foi bem volátil em termos de preços, com valores subindo em torno de US$ 0,25 no primeiro trimestre, devido a um rebote após o ano anterior.

“O mercado de açúcar passou por vários altos e baixos ao longo do ano, impulsionados por preocupações com a produção no Brasil e questões relacionadas ao mix de produção de açúcar versus etanol. Apesar de preocupações com a capacidade do Brasil de atender às metas de produção de açúcar devido a esses problemas, os preços não caíram além de 19 a 19,50 centavos de dólar por libra”, diz.

Em agosto e setembro, as preocupações com a oferta global de açúcar aumentaram, especialmente com o Brasil continuando a exportar grandes quantidades de açúcar.

Isso levou à especulação sobre a escassez de açúcar no início de 2025, mas essas preocupações foram em grande parte infundadas, já que a safra permaneceu forte.

“O ano também viu uma continuidade da especulação por parte de compradores e investidores, mantendo os preços mais altos do que o esperado, apesar das condições globais desfavoráveis, como o dólar forte”.

O mercado de etanol em 2025
Para o ano que vem, o aumento da alíquota do ICMS para gasolina (R$ 1,3721 para R$ 1,47 por litro – um acréscimo de 7,14%), previsto para começar em fevereiro, deve tornar o etanol mais atraente entre janeiro e março.

“No entanto, com o início da safra de cana em abril, a oferta de etanol aumentará, especialmente o etanol de milho, que deve crescer significativamente no ano seguinte. O mercado de etanol deve permanecer fortalecido, mas se normalizar em 2025 em termos de estoques. A paridade entre etanol e gasolina, que bateu os 60% no início de 2024, não deve se repetir no ano que vem, com um movimento mais sazonal, caindo na safra de cana e podendo bater os 70% no último trimestre do ano”, explica.

Segundo Bonifácio, a demanda por etanol deve ser menor no próximo ano devido à menor competitividade de preços em relação ao combustível fóssil. Entretanto, para as usinas, o cenário continuará favorável devido aos preços mais elevados da gasolina.

“Apesar disso, a dinâmica do mercado dependerá do poder de barganha dos compradores, já que neste ano houve momentos em que as usinas tinham espaço para aumentar os preços, mas os compradores mantiveram uma posição de força. O mercado de etanol deve se normalizar no próximo ano, mas ainda com preços mais altos, dependendo da força dos compradores”, detalha.

Novo suporte de preços ao etanol
Ontem, 12, foi aprovada a implementação da tributação monofásica de PIS/Cofins para etanol hidratado durante o período de transição da reforma tributária brasileira.

A nova regra introduz uma cobrança fixa de PIS/Cofins de aproximadamente R$ 0,19/L, diretamente no nível de produção, tanto para etanol anidro quanto para etanol hidratado, o que também tem implicações na competitividade do etanol hidratado em relação à gasolina. O PL deve passar pela câmara antes de ser enviado para sanção presidencial.

De acordo com o BTG Pactual, ao aumentar a carga tributária sobre o etanol anidro (de R$ 0,13/L para R$ 0,19/L), impactando a gasolina e reduzindo os encargos totais sobre o hidratado (de R$ 0,24/L para R$ 0,19/L), a medida também melhora a competitividade do preço do etanol na bomba.

Para o banco, o PL deve ajudar a sustentar a esperada recuperação de substituição tributária nos preços do etanol, aumentando a competitividade do biocombustível em um cenário em que a demanda parece estar superando os níveis de oferta.

A demanda por etanol no Brasil pode superar a oferta doméstica, segundo os analistas do banco Thiago Duarte e Guilherme Guttila. “Se extrapolarmos o consumo médio até agora, estaríamos olhando para uma demanda total de 33,4 bilhões de litros, acima da disponibilidade doméstica estimada em cerca de 31 bilhões”, destacam.

Eles também apontam que os estoques de etanol para uso em outubro estão no menor nível desde a safra 2016/17, reforçando a pressão sobre a oferta. No longo prazo, a sustentabilidade do mercado de etanol dependerá da criação e expansão de novos usos, especialmente para absorver a produção adicional das usinas de milho.

O BTG recomenda a compra de ações de São Martinho, Jalles Machado e Adecoagro, apostando no potencial do setor.

Por: Pasquale Augusto | Fonte: Money Times

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