
A Stellantis vê o etanol como uma das principais ferramentas para reduzir as emissões da mobilidade no Brasil, ao lado da eletrificação. Segundo João Irineu, VP de Regulatory Affairs da Stellantis South America, estudos conduzidos pela companhia indicam que um veículo abastecido exclusivamente com etanol pode apresentar, ao longo de seu ciclo de vida, uma pegada de carbono próxima à de um carro 100% elétrico.
Assita a entrevista do Portal Visão Agro com João Irineu, da Stellantis clicando aqui.
A avaliação considera não apenas o que sai do escapamento, mas todo o ciclo do veículo, desde a extração das matérias-primas e fabricação dos componentes até o uso e o fim de vida. Para a Stellantis, essa análise é especialmente importante no Brasil, onde os automóveis podem rodar entre 200 mil e 250 mil quilômetros e permanecer em circulação por 20 ou 30 anos.
É justamente durante o uso que se concentra grande parte das emissões de um veículo a combustão. Nesse cenário, o etanol ganha relevância por apresentar uma intensidade de carbono inferior à dos combustíveis fósseis e por utilizar uma cadeia produtiva já consolidada no país.
A estratégia da montadora passa pelo programa Bio-Hybrid, criado para combinar o biocombustível brasileiro com diferentes níveis de eletrificação. A proposta é aproveitar simultaneamente os ganhos proporcionados pelos sistemas elétricos e a disponibilidade do etanol, sem depender de uma única solução tecnológica para a transição da frota.
Para Irineu, veículos 100% elétricos continuam tendo papel importante, especialmente para consumidores com acesso facilitado à recarga e em aplicações de alta quilometragem. A diferença é que, no Brasil, a existência de uma produção consolidada de etanol permite trabalhar também com híbridos e modelos flex de baixa emissão.
Essa combinação amplia as possibilidades para a indústria automotiva. Em vez de escolher exclusivamente entre combustão ou eletricidade, as montadoras podem desenvolver diferentes sistemas de propulsão, combinando motores elétricos, híbridos e biocombustíveis conforme o perfil de utilização de cada veículo.
Na visão apresentada pela Stellantis, essa diversidade coloca o Brasil em uma posição privilegiada. Com etanol produzido em larga escala, matriz elétrica relativamente limpa e uma indústria automotiva relevante, o país pode construir uma estratégia própria de descarbonização, utilizando a eletrificação sem abrir mão de uma das principais vantagens energéticas nacionais.
Por: Fábio Palaveri | Portal Visão Agro
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