
O consumo de aproximadamente 5,5 bilhões de litros de Diesel B por ano em máquinas agrícolas brasileiras abre uma nova fronteira para o etanol fora dos automóveis. Segundo dados apresentados por Plinio Nastari, CEO do grupo DATAGRO, a frota nacional reúne cerca de 1,35 milhão de tratores, 217 mil colhedoras e 83 mil pulverizadores, além de outros equipamentos pesados atualmente dependentes do diesel.
A possibilidade de levar o etanol para máquinas agrícolas já deixou de ser apenas uma ideia. Um dos principais argumentos é ambiental: segundo dados da EPE, o etanol apresenta uma intensidade de carbono muito menor que a do diesel fóssil, o que significa que pode gerar menos emissões ao longo de seu ciclo de produção e uso.
Mas a substituição não acontece de forma direta. O diesel concentra mais energia por litro do que o etanol, o que influencia autonomia, consumo e desempenho dos equipamentos. Por isso, a viabilidade do etanol em tratores, colhedoras e outras máquinas pesadas dependerá também da eficiência dos motores, do preço do combustível e da estrutura de abastecimento disponível no campo.

O desempenho ambiental também pode variar significativamente entre produtores. O RenovaBio utiliza a certificação da produção eficiente de biocombustíveis e considera a redução das emissões ao longo do processo, criando incentivo para ganhos de eficiência e menor intensidade de carbono. Tecnologias como aproveitamento de resíduos, biodigestão e melhorias no processo produtivo podem ampliar essa vantagem, embora os resultados dependam das características de cada unidade.
Transformar os bilhões de litros hoje consumidos pelo maquinário agrícola em mercado efetivo para o etanol ainda dependerá de preço, disponibilidade, confiabilidade e evolução dos equipamentos. Mas o movimento da indústria mostra que a discussão já avançou da hipótese para os protótipos e soluções comerciais. Para um país que produz etanol em larga escala e possui uma das maiores agriculturas do mundo, substituir parte do diesel consumido dentro do próprio campo pode se tornar uma das próximas grandes fronteiras do biocombustível brasileiro.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro
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