A vantagem competitiva do etanol de milho sobre o biocombustível de cana ficou ainda maior na safra 2024/25, evidenciando o potencial do cereal para tomar participação na oferta de etanol no Brasil.
Em um relatório assinado pelos analistas Thiago Duarte, Guilherme Guttilla e Gustavo Fabris, o BTG Pactual destrinchou a vantagem. Nesta safra, o custo de produção do etanol de milho no país caiu 10,5%, de R$ 2,10 por litro em 2023/24 para R$ 1,88 por litro em 2024/25.
Enquanto isso, o custo de produção do etanol de cana aumentou 6,3%, saindo de R$ 2,22 por litro para R$ 2,36 por litro na mesma base de comparação. Assim, a distância entre as duas culturas usadas para produzir o etanol se acentuou, saltando de R$ 0,12 por litro para R$ 0,48 por litro.
Além disso, a taxa interna de retorno das usinas de etanol de milho, embora um pouco mais baixa do que em anos anteriores, continua atrativa, ficando em torno de 15,5% tanto para o etanol de milho quanto para o DDGS, subproduto do biocombustível que é amplamente utilizado na produção de ração animal.
A vez do etanol de milho
A ampla oferta de milho e a competitividade do etanol feito com o cereal provocaram uma onda de investimentos. O Brasil já tem quase 30 usinas de etanol de milho em funcionamento, além de outras 16 já autorizadas ou atualmente em implementação, disse o BTG Pactual.
Se todas os projetos receberem autorização da Agência Nacional de Petróleo e Biocombustíveis (ANP) para entrarem em operação nos próximos dois anos, como previsto, a capacidade de produção de etanol de milho pode mais que dobrar, com o acréscimo de 11,2 bilhões de litros, conforme cálculos do banco.
No mercado, o crescimento do etanol de milho é um consenso, com o milho podendo dobrar a participação na produção nacional de etanol até 2030, saltando dos atuais 20% para 40%. Esse movimento é impulsionado também pelas perspectivas de aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina no país, dos atuais 27,5% para 30%.
Food vs. Fuel? Longe disso
No relatório, os analistas do BTG Pactual ressaltam que a busca por milho para produzir etanol cresceu, mas que isso ainda está em um muito distante de afetar a segurança alimentar no país.
Na safra 2024/25, o consumo de milho para produção de etanol deve atingir 19 milhões de toneladas. Para se ter ideia do crescimento, há cinco anos, o total do milho destinado para produção de etanol era de apenas 4 milhões de toneladas, segundo dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem).
Mesmo assim, o crescimento da produtividade e do volume de milho produzido fez com que a proporção do cereal usado para etanol crescesse menos do que o volume nesta safra 2024/25. O biocombustível responde por apenas 15,1% de toda a disponibilidade de milho no Brasil.
Por: Rafael Gregorio | Fonte: The AgriBiz
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