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Biocombustível de canola de segunda safra pode reduzir emissões da aviação em até 55%

Maria Reis por Maria Reis
27 abril, 2026
em Biocombustíveis
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Bioenergia Biocombustíveis
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Foto: Embrapa

O uso de canola de segunda safra para produção de combustível sustentável de aviação (SAF) pode reduzir em até 55% as emissões da aviação de gases ligados ao efeito estufa (GEE), revela estudo da Embrapa.

A pesquisa avalia o ciclo de vida completo do SAF nacional a partir do cereal de inverno, desde o cultivo da matéria-prima até a queima do combustível no avião, e o potencial de redução de emissões comparado ao uso de querosene fóssil (QAV Jet-A1).

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O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Embrapa Agroenergia e Meio Ambiente. Ele foi publicado nesta quarta-feira, 22, pela instituição.

O alcance do porcentual de redução em cenário otimista depende ainda, entretanto, de condições ideais de adoção e de mudanças na regulamentação do setor, observa a analista da Embrapa Meio Ambiente, Priscila Sabaini.

De acordo com a pesquisadora, há limitações técnicas e regulatórias que restringem a substituição do combustível fóssil tradicional pelo combustível sustentável de aviação, como o limite de 50% de mistura do SAF a partir de óleos e gorduras ao querosene de aviação.

Outra barreira regulatória citada no estudo é o fato de a canola não estar contemplada na rota Hefa do RenovaBio para certificação da intensidade de carbono e emissão de créditos de descarbonização (CBios).

A pesquisa mostra ainda que o avanço do uso da canola de segunda safra na produção de SAF exige evolução tecnológica, melhoria de práticas agronômicas, ampliação da produção de SAF, além da superação de entraves regulatórios.

“O setor aéreo precisa de alternativas tecnicamente viáveis para cumprir metas climáticas globais, e o SAF é hoje a principal estratégia de curto e médio prazo. Nosso diferencial foi analisar a canola cultivada como segunda safra no Brasil, em rotação com a soja, sob condições tropicais ainda pouco representadas na literatura internacional”, afirma Giulia Lamas, colaboradora da Embrapa Meio Ambiente e doutoranda da Universidade de Brasília, que participou do estudo.

A análise considerou dados de produtores brasileiros baseados nas condições tropicais de cultivo em sistema de segunda safra e a rota Hefa (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids) de transformação de óleos vegetais em combustível de aviação por processos de hidrotratamento.

Os resultados do estudo apontam que a fase agrícola responde pela maior parcela das emissões no ciclo de vida do SAF de canola. O cultivo contribui com aproximadamente 34,2 g de CO2 equivalente por megajoule, impulsionada pelo uso de fertilizantes e emissões de óxido nitroso (N2O) do solo.

O estudo destaca ainda que o cultivo da canola em segunda safra, em rotação com soja, diminui a pressão por abertura de novas áreas, com mitigação dos impactos associados ao uso da terra.

“A produção e o uso de fertilizantes, especialmente nitrogenados, representam o principal ponto crítico do sistema, tanto pelas emissões associadas quanto pelos impactos sobre água e ecossistemas”, pontuou o pesquisador da Embrapa Agroenergia, Alexandre Cardoso, no estudo, mencionando que o uso de bioinsumos na produção de canola contribui para redução das emissões.

A etapa de conversão industrial via Hefa contribui com cerca de 12,8 g CO2 equivalente por megajoule com base no uso de hidrogênio fóssil. A pesquisa considera ainda a substituição do hidrogênio fóssil pelo hidrogênio renovável, de baixo carbono, o que possibilita a redução entre 86% e 94% das emissões de gases ligados ao efeito estufa na etapa industrial.

“A integração entre bioenergia e hidrogênio renovável pode reduzir de forma importante a intensidade de carbono dos combustíveis de aviação”, destacou Silveira.

Por: Isadora Duarte | Fonte: Agência Estado

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