Mistura de 32% começa em 1º de agosto, reduz a necessidade de gasolina importada e abre novo mercado para usinas de cana-de-açúcar e milho
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira, 14 de julho, a elevação temporária de 30% para 32% do teor obrigatório de etanol anidro na gasolina. Conhecida como E32, a nova composição começa a valer em 1º de agosto, terá vigência inicial de 180 dias e pode acrescentar cerca de 1 bilhão de litros por ano à demanda pelo biocombustível, fortalecendo o mercado para produtores e unidades industriais de cana-de-açúcar e milho.
A resolução permite uma única prorrogação por mais 180 dias. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a medida pode reduzir em aproximadamente 900 milhões de litros por ano a necessidade brasileira de importação de gasolina, ampliando a participação de uma fonte renovável produzida nacionalmente e diminuindo a exposição do país às oscilações internacionais do petróleo.
O avanço foi autorizado dentro das diretrizes da Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro. Antes da aprovação, estudos coordenados pelo MME e executados pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) avaliaram desempenho, consumo, emissões, dirigibilidade e partida a frio em veículos leves e motocicletas representativos da frota brasileira.
Os resultados indicaram comportamento equivalente ao das misturas com menor concentração de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive nos modelos que não possuem motor flex. A análise técnica foi uma das condições necessárias para a alteração do percentual obrigatório em todo o território nacional.
Impacto nas usinas
Para o setor produtivo, o E32 cria uma demanda adicional relevante pelo etanol anidro, combustível incorporado à gasolina antes da distribuição aos postos. De acordo com o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), Evandro Gussi, a oferta nacional tem condições de atender ao novo consumo, com crescimento potencial de até 4 bilhões de litros na atual safra, considerando novas plantas de etanol de milho e ampliações nas unidades de cana.
Na prática, o novo mercado pode influenciar o planejamento industrial, a formação de estoques e a contratação de matéria-prima. Nas usinas flexíveis, a maior procura pelo anidro também tende a entrar nas decisões sobre o mix de produção entre açúcar e etanol, principalmente em períodos de maior volatilidade nas cotações internacionais da commodity.
Apesar da aprovação, o E32 ainda não é permanente. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a adoção temporária foi definida por cautela e que existe possibilidade de manutenção do percentual após o período inicial. A transformação da medida em regra definitiva, entretanto, dependerá de uma nova resolução do CNPE e da avaliação das condições de oferta, preços e abastecimento.
Para o consumidor, o governo estima que o aumento do biocombustível possa reduzir em cerca de R$ 0,03 o preço do litro da gasolina nos postos. O efeito efetivo, porém, dependerá de fatores como custos de distribuição, margens comerciais, tributação e comportamento dos preços do petróleo e do próprio etanol.
Ao mesmo tempo, o Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro continuará estudando misturas superiores, incluindo o E35, com 35% de etanol anidro. Os próximos ensaios deverão avaliar principalmente a durabilidade dos componentes e os efeitos do combustível no longo prazo, mantendo a política de misturas como uma das principais frentes para ampliar a segurança energética e a descarbonização dos transportes no Brasil.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro
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