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Produtores de milho dos EUA pedem retaliação ao Brasil por barreiras contra etanol americano

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
9 julho, 2026
em Biocombustíveis
Tempo de leitura: 3 minutos
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Home Bioenergia Biocombustíveis
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Associação defendeu a adoção de uma tarifa de 25% sobre o biocombustível brasileiro

A National Corn Growers Association (NCGA), entidade que representa produtores de milho dos Estados Unidos, acusou o Brasil de adotar práticas comerciais que prejudicaram os agricultores americanos ao longo da última década, sobretudo no mercado de etanol.

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Em depoimento apresentado ao governo dos EUA no âmbito da investigação comercial aberta contra o Brasil com base na Seção 301, a associação defendeu a adoção de uma tarifa de 25% sobre o etanol brasileiro e pediu medidas adicionais de retaliação.

No documento, a NCGA afirma que o Brasil “penaliza injustamente” os produtores americanos e cita como principal exemplo a tarifa imposta ao etanol dos EUA.

Segundo a entidade, a decisão brasileira de estabelecer, em 2017, uma tarifa de 20% e uma cota tarifária para o biocombustível americano fez o mercado brasileiro “praticamente evaporar” para os exportadores dos Estados Unidos. Após idas e vindas, a tarifa foi restabelecida e, desde 1º de janeiro de 2024, permanece em 18%, segundo a entidade.

“Os produtores de milho dos EUA sentiram os efeitos da tarifa à medida que o acesso ao mercado sofreu uma queda acentuada”, afirma, em documento, o vice-presidente da NCGA, Matt Frostic.

“Em 2018, o Brasil era, de longe, o principal mercado para as exportações de etanol dos EUA. Com a reimposição da tarifa, o mercado praticamente desapareceu, demonstrando que a tarifa brasileira foi, de fato, responsável pela queda abrupta das exportações de etanol dos EUA para o Brasil”, argumenta.

A associação afirma ainda que, enquanto restringia a entrada do combustível americano, o Brasil ampliava seus embarques de etanol de cana ao mercado americano.

“A investigação da Seção 301 sobre as ações comerciais do Brasil é justificada e já deveria ter sido aberta há muito tempo. Apoiamos a tarifa proposta de 25%, que incluiria as importações de etanol brasileiro. Defendemos que esta investigação considere toda a extensão das ações do Brasil que penalizam os produtores de milho dos EUA”, observa Frostic.

A entidade também criticou o RenovaBio, programa brasileiro de descarbonização dos combustíveis, e acusou o país de discriminar produtores estrangeiros ao dificultar a habilitação de usinas americanas.

No depoimento, a NCGA sustenta que o Brasil usa o discurso de menor pegada de carbono para favorecer seu próprio etanol e ampliar sua competitividade em mercados internacionais, inclusive no setor de combustíveis de aviação.

“O Brasil afirma que seu milho é uma cultura de segunda safra, de modo que o uso de insumos e de terra seria menor em comparação com os Estados Unidos. Mas isso não poderia estar mais errado, já que a conversão de áreas de pastagem ou de floresta tropical no Brasil não é devidamente documentada”, argumenta Frostic.

Além da tarifa de 25% sobre o etanol brasileiro, a associação pediu que o governo americano avalie outras medidas contra o Brasil, como restrições comerciais adicionais, paridade no acesso a programas regulatórios e até compensações por perdas sofridas pelos produtores dos EUA.

Por: Danton Boatini Júnior | Fonte: Globo Rural

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