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ATR em queda e moagem apertada colocam meta de 40 milhões de toneladas de açúcar em xeque, avalia Archer Consulting

Maria Reis por Maria Reis
6 agosto, 2025
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Tempo de leitura: 4 minutos
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A primeira quinzena de julho trouxe números robustos de moagem, mas também um alerta para a qualidade da cana processada no Centro-Sul. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), foram moídas 49,823 milhões de toneladas de cana no período. “A princípio, parece um bom número — até olharmos o ATR quinzenal, que veio quase 10 quilos por tonelada abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. É como preparar um belo jantar e perceber, na hora de servir, que esqueceu o sal”, compara Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting.

O analista destaca que a perda de ATR vem se acentuando desde o início da safra. “Começamos com uma redução de 3,40 kg por tonelada, passamos para 4,58, depois 7,95, e na leitura mais recente já estamos em 9,60 kg. Teve uma breve reação em junho — como quem toma fôlego antes de escorregar mais — mas as projeções indicam que podemos chegar a uma perda de 12,5 kg até outubro. Isso está em linha com relatos nada animadores de diversas usinas”, afirma.

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Cenários possíveis

No cenário mais otimista, baseado na média de 20 consultorias, tradings e instituições, a moagem pode alcançar 605 milhões de toneladas. Com 256 milhões já processadas — a terceira menor marca dos últimos dez anos — seria necessário moer mais 349 milhões até o fim da safra. “Viável? Sim, tecnicamente. Isso aconteceu em quatro das últimas dez safras. Mas, se desconsiderarmos as duas super safras recentes, essa chance cai para 30%. Não exatamente um cenário para apostar o cafezinho”, ironiza Corrêa.

Mesmo que esse volume seja atingido, o ATR médio projetado ficaria em 132,88 kg/t, totalizando 80,4 milhões de toneladas de ATR — 7 milhões a menos que no ano passado. Mantido o mix de 51,5% para o açúcar, a produção ficaria aquém de 40 milhões de toneladas. “Sonhar com 40 milhões é como torcer para o VAR não marcar aquele pênalti numa final: possível, mas improvável”, resume.

Num cenário intermediário, mais próximo dos bastidores das usinas, segundo Corrêa, a moagem seria de 595 milhões de toneladas, com ATR de 132 kg/t. Isso resultaria em 79 milhões de toneladas de ATR e 38,8 milhões de toneladas de açúcar. Já a projeção própria da Archer é mais conservadora: moagem de 581 milhões de toneladas, ATR de 132,63 kg/t e produção final de 37,8 milhões de toneladas de açúcar.

“O discurso otimista de mais de 40 milhões começa a soar como promessa de político em véspera de eleição: difícil de sustentar quando os números apertam. Se a produção ficar abaixo de 38 milhões, o impacto no mercado pode ser expressivo”, alerta.

O etanol mantém preços sustentados, diante da percepção de estoques mais apertados no fim do ano. Pesam fatores como a possível redução da safra, o cumprimento da demanda obrigatória por anidro e a entrada em vigor, em 1º de agosto, da mistura E30 (30% de etanol na gasolina).

Mercado e câmbio

Na semana passada, o contrato outubro/25 do açúcar bruto fechou a 16,20 centavos de dólar por libra-peso, queda de 8 pontos. Vencimentos mais longos pouco oscilaram. No câmbio, o real encerrou a R$ 5,5400, ligeiramente valorizado frente ao dólar, mesmo com a instabilidade externa. A combinação de açúcar mais fraco e moeda mais firme reduziu as cotações em reais por tonelada: queda de R$ 25 para a safra 2025/26, R$ 19 para 2026/27 e R$ 15 para 2027/28.

Os fundos especulativos seguem vendidos em 125 mil lotes, mesmo após recomprar 3 mil na semana. Corrêa observa que cada 98 lotes recomprados gerou cerca de 1 ponto de alta no outubro/25. “Se resolverem recomprar 50 mil lotes, veremos o mercado subir 500 pontos? Seria quase poético — se o mercado obedecesse matemática simples”, comenta.

Desde 13 de maio de 2025, a média móvel de 50 dias vem atuando como uma barreira técnica sólida, sem ser rompida de forma consistente. Nesta semana, ela encerrou a 16,64 centavos de dólar por libra-peso. Um rompimento decisivo dessa média poderá abrir espaço para uma recuperação mais robusta, com alvos técnicos em 17,50; 18,50 e 19,50 centavos.

No entanto, a perda de fôlego nas tentativas de alta e a dificuldade em sustentar os avanços sugerem um mercado ainda fragilizado, com viés lateral a levemente baixista no curto prazo. Os próximos níveis de suporte estão em 16,03; 15,76 e 15,47 centavos de dólar por libra-peso, e devem ser observados de perto caso a pressão vendedora se intensifique.

Por: Natália Cherubin | Fonte: RPAnews

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