
O presidente da DATAGRO, Dr. Plínio Nastari, apresentou nesta terça-feira (21), durante a 25ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo, uma análise detalhada sobre as projeções para a safra 2025/26 e os principais desafios e oportunidades que se desenham para o setor sucroenergético.
Em um painel técnico juntamente com Rogério Mian, Diretor Executivo da UDOP, Nastari abriu sua fala destacando que o estudo é resultado de um trabalho coletivo da equipe de inteligência da DATAGRO, que acompanha permanentemente as condições de mercado no Brasil e no mundo. Segundo ele, o etanol continua sendo uma das soluções mais eficazes para a descarbonização e o controle do risco climático, consolidando o papel do Brasil como referência mundial. O consumo global de açúcar segue em alta, com crescimento médio anual de 0,5%, o que representa cerca de 1 bilhão de calorias adicionais consumidas por ano.
O Brasil mantém-se como o país mais competitivo do mundo, com o menor custo de produção, estimado em R$ 1.638 por tonelada de açúcar equivalente. Além disso, o país é o único a possuir certificação individual de intensidade de carbono no processo de produção do etanol, um diferencial decisivo para empresas que visam produzir SAF (Sustainable Aviation Fuel), bioplásticos ou utilizar reforma do etanol para hidrogênio.
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Dr. Plínio lembrou que a atividade é altamente intensiva em capital e vem sendo penalizada pelo aumento dos custos financeiros, da terra e dos insumos. Também citou a baixa penetração do etanol no consumo da frota flex, resultado de desconhecimento e falta de valorização do biocombustível por parte dos consumidores urbanos.
Por outro lado, o cenário traz amplas oportunidades: a integração entre as cadeias de grãos, proteína e biocombustíveis, a expansão do mercado de SAF e bioplásticos, e a redução da demanda mundial por gasolina, que vem caindo cerca de 6% ao ano, abrem novas frentes de crescimento. Nastari ressaltou ainda o papel das novas tecnologias agrícolas, com variedades de cana mais resistentes à seca e sistemas de irrigação estratégicos para mitigar os efeitos climáticos.
Riscos e desafios
Entre os riscos, o presidente da Datagro alertou para a volatilidade dos preços de combustíveis fósseis, a manutenção artificial de preços baixos em ano eleitoral, e o avanço da eletrificação de frotas em mercados como Estados Unidos e China. No Brasil, a eletrificação já atinge 10% das vendas de veículos novos.
Outro ponto crítico é a possível abertura da janela de importação de etanol a partir de dezembro, o que poderia pressionar os preços internos caso haja incentivos fiscais ou redução tarifária. Também há desafios na destinação do DDG (subproduto do etanol de milho), que exige abertura de novos mercados para manter a competitividade das plantas.

O especialista mencionou ainda o impacto do aumento do custo da biomassa, que saltou de R$ 60 para até R$ 270 por tonelada em seis anos, chegando em alguns casos a R$ 1.000 por tonelada, especialmente para quem utiliza cavacos de madeira.
Expansão do etanol de milho e projeções para 2026
A expansão do etanol de milho é um dos principais destaques da análise. Atualmente, o Brasil conta com 25 usinas em operação, 8 em construção e 19 em fase de projeto, que juntas devem atingir 24,7 bilhões de litros de capacidade instalada até 2034.
Para a safra 2025/26, a produção total de etanol de milho deve alcançar 10,2 bilhões de litros, com possibilidade de expansão para 15 bilhões até o final de 2026, considerando as novas plantas em fase de ramp-up. Já a produção de etanol de cana-de-açúcar deve atingir cerca de 26 bilhões de litros, mantendo-se como a principal base da matriz bioenergética nacional.
Os estados de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul seguem como polos predominantes da produção, mas a expansão já avança para Tocantins, Maranhão, Bahia, Santa Catarina e Paraná, o que amplia a disponibilidade regional e o potencial de consumo doméstico.
Futuro promissor, mas de ajustes finos
Plínio enfatizou ainda que o “timing” será determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda no setor. O ritmo de expansão do etanol de milho precisa ser acompanhado pela abertura de novos mercados e pela diversificação de destinos para os coprodutos.
“O Brasil está diante de uma nova escala de produção de etanol. A integração entre etanol de cana e de milho é irreversível, e o país deve consolidar sua liderança global se souber ajustar o tempo e o foco dos investimentos”, concluiu.

Sobre a Conferência Internacional DATAGRO
Realizada anualmente em São Paulo, a Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol é considerada um dos mais importantes fóruns globais do setor sucroenergético. Em sua 25ª edição, o evento reuniu autoridades, executivos e especialistas para discutir inovação, competitividade e o papel do Brasil na transição energética, celebrando também os 50 anos do Proálcool, marco histórico na consolidação da energia renovável no país.
Por: Fábio Palaveri | Fonte: Portal Visão Agro
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