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“Temos a pretensão de abrir capital”, diz CEO da CerradinhoBio

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
20 novembro, 2025
em Usinas
Tempo de leitura: 6 minutos
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Home Bioenergia Usinas
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Foto: Divulgação/Cerradinho

Dentro do universo sucroenergético, uma empresa se destaca pela diversificação. A ideia da CerradinhoBio é simples: aproveitar o máximo das sinergias entre os negócios de etanol de cana-de-açúcar e milho para multiplicar seus resultados.

Fundada em 1974 como uma companhia agrícola, a CerradinhoBio começou a tomar sua forma atual em 2010, quando enfrentou um processo de reinvenção. Naquele ano, a empresa desinvestiu em São Paulo e direcionou seus investimentos para Goiás, iniciando uma nova fase de expansão e modernização. Desde então, a companhia cresce de 16% a 17% ao ano.

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“Nós temos na cana uma diversificação com bastante mix de açúcar, além de toda representatividade do milho para o negócio como um todo. É algo ímpar no setor”, explica o CEO Renato Pretti, ao Money Times.

Entre 2010 e 2018, a empresa operava essencialmente etanol de cana-de-açúcar e energia. A grande mudança veio em 2015, quando, após estudos e viagens dos executivos aos Estados Unidos, a empresa começou a avaliar o investimento em etanol de milho.

Dois anos depois, a CerradinhoBio mergulhou de vez no segmento e inaugurou sua primeira planta de etanol de milho, em novembro de 2019. Foi com a inauguração dessa planta que o etanol de milho se materializou na virada da companhia, sem deixar a cana de lado.

“Nos posicionamos de forma antecipada no mercado de etanol de milho, uma das primeiras dentro do setor energético. A planta começou a gerar caixa e nós começamos a crescer no segmento, de forma que o etanol de milho passou a ser o nosso principal business”, explica o CEO.

A empresa conta com plantas de unidades industriais em Chapadão do Céu (GO) e Maracaju (MS). Apesar da migração para o Centro-Oeste, sua sede administrativa fica em Catanduva (SP).

Em Chapadão do Ceú, a CerradinhoBio conta com uma unidade de produção de etanol de cana, uma fábrica de açúcar e uma unidade de produção de etanol a partir do milho, da sua subsidiária Neomille.

“O modelo de Chapadão do Céu não é um modelo de usina flex puro (que pode processar duas ou mais matérias-primas) porque a planta de milho opera o ano todo e o único suprimento que abastece a usina é o vapor e a energia. Tirando isso, ela é independente e cada uma tem um CNPJ diferente”, explica.

Em Maracaju, funciona uma unidade industrial de produção de etanol a partir do milho, também da Neomille. Além disso, a companhia controla um terminal de transbordo em Chapadão do Sul (MS).

Recentemente, a empresa anunciou uma expansão da sua indústria de etanol de milho em Chapadão do Céu. O investimento de R$ 140 milhões vai permitir que a moagem saia de 860 mil para 1,2 milhão de toneladas por ano.

Nos seis primeiros meses da safra 2025/26, a companhia produziu 469 milhões de litros de etanol. Atualmente, 80% da produção do biocombustível é feita com milho, com os outros 20% a partir da cana-de-açúcar.

“Estamos muito felizes com os seis primeiros meses da nossa operação na safra, mas sabemos que teremos desafios em termos de preços do etanol e do açúcar no próximo ano. Apesar disso, nos vemos bem preparados para lidar com momentos mais tensos”, acrescenta.

Registrada na CVM na Categoria A, a empresa chegou a estudar um IPO em agosto de 2021, com a liderança do Itaú BBA. No entanto, em fevereiro de 2022, a empresa decidiu desistir da operação dada a conjuntura de mercado da época.

“Somos uma empresa de capital aberto sem ações emitidas e, naturalmente, por estarmos operando dessa forma, temos a pretensão de abrir capital um dia. Acho que estamos vivendo bem sem o IPO, mas é algo que sem dúvida está sempre no nosso radar”, afirma.

Pretti explica que a empresa pertence integralmente à família Sanches Fernandes, controladora da Cerradinho Participações. A holding conta também com a Cerradinho Terra, Cerradinho Log, W7 Energia e a Neomille, subsidiária da CerradinhoBio com foco na produção de etanol de milho e grãos secos de destilaria (DDG).

O CEO explica que cada um dos negócios de etanol conta com sua política de gestão de risco e seus pontos fortes. “A biomassa, de fato, já é um dificultador para expansão da oferta de etanol de milho, que, diferente da cana, usa essa biomassa para ser autossuficiente na produção, uma barreira relevante. Mas a cana hoje tem custos maiores, algo que pode mudar pela dinâmica de preços do milho”, detalha.

O milho representa algo entre 70% a 80% do custo do etanol e, pelo cenário atual de preços, o grão é muito mais competitivo que a cana para a produção de etanol. “Por outro lado, a cana dá a possibilidade de produzir açúcar de forma representativa, com um bom hedge, o que dá uma maior previsibilidade. É uma competição sadia do ponto de vista de entender oportunidades de cada um dos lados”, completa.

O grande diferencial da companhia é poder acelerar investimentos em etanol de milho quando ele remunera melhor e aproveitar momentos de fortes preços do açúcar dentro da operação da cana, segundo o executivo.

“Somos o terceiro maior player de etanol de milho [atrás apenas de Inpasa e FS Bioenergia], mas a gente consegue ser bem competitivo em termos de custos. E na cana idem, com capacidade de moer mais de 6 milhões de toneladas de cana. A somatória dos negócios nos ajuda a ser mais competitivos”, detalha.

Quando ao DDG, subproduto da produção de etanol de milho, Pretti enxerga uma demanda adormecida a ser explorada no mercado interno e afirma que o crescimento da indústria do biocombustível feito através do grão estimulará ainda mais o uso do insumo.

Resultados trimestrais

Na semana passada, a CerradinhoBio divulgou um lucro líquido de R$ 102,52 milhões no segundo trimestre da safra 2025/26, uma alta em relação aos R$ 72,31 milhões do mesmo período do ciclo passado.

A moagem total da companhia – considerando cana-de-açúcar e seu equivalente em milho – teve elevação de 1,9% no período, totalizando 4,27 milhões de toneladas. Já aprodução total de etanol caiu 23,2% em relação ao segundo trimestre do ano-safra 2024/25, somando 243 milhões de litros. A produção de açúcar, por sua vez, foi de 207 mil toneladas.

No ciclo atual, segundo o CEO, 90% do milho já foi adquirido para produção do etanol; para 2026/27, 15% do total já foi adquirido

No final da safra 2025/26, a expectativa é de que a receita líquida cresça 20% em relação ao ciclo anterior, enquanto a moagem e produção de etanol devem avançar 5% no mesmo comparativo.

Por: Pasquale Augusto | Fonte: Money Times

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