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Três projetos assumem dianteira na produção de combustível aéreo verde

Maria Reis por Maria Reis
27 janeiro, 2026
em Biocombustíveis
Tempo de leitura: 6 minutos
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Home Bioenergia Biocombustíveis
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Apostas da Petrobras, Acelen e Refinaria Riograndense se encontram em diferentes estágios de desenvolvimento para atender demanda nacional em 2027

No primeiro ano de vigência da Lei do Combustível do Futuro, três projetos assumiram a dianteira na produção comercial de combustível sustentável de aviação (SAF).

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As projeções indicam que, com a entrada em operação dos projetos anunciados, a oferta nacional do produto poderá alcançar cerca de 1,7 bilhão de litros por ano a partir de 2030. Os empreendimentos encontram-se em diferentes estágios de desenvolvimento, conforme a rota tecnológica adotada.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, com base em dados da Empresa de Pesquisa Energética, a rota tecnológica mais imediata é a de coprocessamento, realizada em refinarias já existentes.

Nesse modelo, a Petrobras iniciou a entrega de SAF em 2025, na Refinaria Duque de Caxias, com cerca de 3 mil m³ por ano considerando a parcela renovável. O combustível utiliza um percentual de matéria-prima vegetal, como TCO (óleo técnico de milho) ou óleo de soja, processado junto ao querosene de base fóssil.

Outro projeto considerado em estágio avançado é o da Refinaria Riograndense, localizada em Rio Grande (RS). A refinaria está investindo na produção de combustíveis avançados a partir da rota HEFA (Ésteres e Ácidos Graxos Hidroprocessados), que permite a produção de diesel verde (HVO), SAF e nafta verde.

Em teste realizado em dezembro de 2025, a refinaria obteve sucesso com combustível 100% renovável, processando TCO e óleo de soja. Dados do governo federal indicam que a refinaria deve iniciar a produção do SAF em 2028, com cerca de 520 mil m³/ano.

Também é possível produzir o combustível sustentável de aviação a partir de óleos vegetais, gorduras e resíduos. Essa é a aposta da Acelen, que está desenvolvendo SAF com óleo de macaúba. O CEO da empresa, Luiz de Mendonça, avalia ser possível comercializar o combustível sustentável de aviação já em 2028.

No entanto, o maior desafio da empresa é ter matéria-prima suficiente para abastecer a planta em seus primeiros anos de funcionamento. Por essa razão, nessa primeira etapa, o SAF da Acelen será produzido com óleo de soja certificado e óleo de cozinha reciclado. A ideia é introduzir o óleo de macaúba na biorrefinaria gradualmente a partir de 2029.

“Precisaríamos de uns cinco a seis anos a partir de 2029 para que a planta [biorrefinaria] opere com 100% de óleo de macaúba. Vai depender de quanto a gente vai plantar e os rendimentos. Hoje a gente trabalha com os rendimentos que tem encontrado na natureza”, disse Mendonça ao CNN Money.

A Acelen está investindo na produção de SAF em uma biorrefinaria em São Francisco do Conde (BA), visando a logística de exportação do produto a partir do Temadre (Terminal de Madre de Deus). A empresa já iniciou o processo para obter a certificação para vender o combustível na Europa e Estados Unidos.

“Quando a gente olha a descarbonização da aviação, o SAF é a única solução viável. Na mobilidade terrestre, existem outras, como eletrificação e transporte público. Não vai ter avião elétrico de longo curso. Não vai voar com hidrogênio. Precisamos de um querosene renovável drop in, igual ao que existe hoje, de maneira que nós não vamos precisar redesenhar turbinas e motores”, afirmou o CEO.

Outra aposta do setor é na rota alcohol-to-jet (ATJ). Embora considerada promissora, a tecnologia ainda está em fase de consolidação. A Petrobras planeja produzir SAF por essa tecnologia a partir de 2033 na Refinaria de Paulínia, com produção estimada de 420 mil m³ por ano.

Abastecimento do mercado doméstico

O governo federal avalia que a capacidade nominal total dos projetos anunciados e em desenvolvimento é suficiente para atender às metas do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação nos próximos dez anos.

Com a Lei do Combustível do Futuro, os operadores aéreos serão obrigados a reduzir as emissões de gases do efeito estufa nos voos domésticos por meio do uso do SAF a partir de 2027. As metas começam com 1% de redução e crescem gradativamente até atingir 10% em 2037.

As estimativas do Ministério de Minas e Energia indicam que a produção projetada de SAF representará, em média, cerca de 20% da demanda de combustível de aviação entre 2027 e 2035, alcançando 28% da demanda total em dez anos.

Para os primeiros anos de vigência da lei, a Azul avalia que sua demanda deve ser atendida integralmente pelo SAF coprocessado produzido no Brasil, como o projeto anunciado pela Petrobras. A empresa aérea já estuda realizar voos-testes em 2026 com o combustível disponível no mercado, com um de seus parceiros comerciais.

“Ao mesmo tempo, a Azul chama atenção para um ponto estrutural: o SAF coprocessado possui capacidade limitada de redução de emissões, o que o torna insuficiente como solução de longo prazo. Ainda assim, a companhia considera que o país reúne condições técnicas, agrícolas e industriais para se tornar um dos maiores produtores globais de SAF”, diz a companhia aérea ao CNN Money.

Como parte da sua preparação, a Azul vem mantendo diálogos com diferentes agentes da cadeia de biocombustíveis no Brasil. Mas, neste momento, o foco da empresa está em avaliar cronogramas reais de entrada em operação, discutir modelos de precificação e contratos compatíveis com a realidade da aviação.

“Até 2030, [a empresa] tem convicção de que conseguirá cumprir suas metas sem depender de SAF em larga escala, apoiando-se principalmente em eficiência operacional e renovação de frota”, afirma a Azul.

Algumas operações da Latam já tem utilizado SAF, como é o caso de Salvador (BA). A empresa avalia que o desenvolvimento do combustível sustentável de aviação no Brasil deve valorizar a sua matriz energética, priorizando a produção nacional. No entanto, a companhia não descarta importar o insumo para atender à legislação prevista para 2027 e avançar em sua agenda de descarbonização.

“Para garantir uma transição energética justa, é fundamental que políticas públicas apoiem a produção e a aquisição desse combustível, assegurando que o custo não recaia exclusivamente sobre as empresas aéreas e os passageiros, uma vez que a elevação de custos impacta diretamente o preço das passagens”, diz a Latam ao CNN Money.

O CNN Money procurou a Gol para comentar a sua preparação para a atender a Lei do Combustível do Futuro, mas a companhia aérea não se manifestou.

O Ministério de Minas e Energia estima que, em 2035, o cumprimento das metas do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação poderá resultar na redução de aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de CO2 equivalente por ano, considerando apenas os voos domésticos.

No cenário considerando os efeitos do programa às metas do Corsia, programa internacional de descarbonização da aviação, a redução total estimada para 2035 chega a cerca de 7,1 milhões de toneladas de CO2 equivalente por ano.

Por: Vitória Queiroz | Fonte: CNN

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