O avanço das plantas de etanol de milho no Brasil está limitando as exportações do grão, na avaliação da analista de grãos do Rabobank, Marcela Marini. Segundo ela, o movimento é explicado pela elevada capacidade estática de armazenagem das usinas, pela antecipação na comercialização e, principalmente, pelas vantagens logísticas.
“Essas plantas de etanol estão muito próximas da produção de milho, o que reduz significativamente a exposição ao frete. Uma exportadora no Mato Grosso, por exemplo, precisa transportar esse milho por cerca de 2.000 quilômetros até o porto”, afirmou ao Money Times.
Assim, as usinas conseguem oferecer preços mais competitivos ao produtor rural, ganhando espaço na disputa pelo grão. Além disso, Marini destaca que a expansão do etanol de milho torna o mercado mais resiliente quando comparado à soja, que é mais sensível a fatores geopolíticos.
“As exportações atingiram um recorde significativo em 2023 e, desde então, vimos uma redução significativa desse volume”, afirma e detalha: “No mercado de exportação, trabalhamos com janelas oportunas. Fica muito difícil competir com EUA e Argentina nesse mercado. Se adicionarmos toda essa mudança na dinâmica do mercado brasileiro, isso tende a limitar cada vez mais os embarques do Brasil”.
Os ganhos do milho nos últimos anos
Em termos de receita, o milho já responde por cerca de 48% da renda do produtor rural, enquanto a soja representa 52%.
“Em 2013, falávamos de um milho a R$ 12 por saca. Hoje, o contrato para março de 2026 na B3 gira em torno de R$ 70,95. O milho era praticamente marginalizado pelo produtor. Agora, com a expansão do mercado interno, tornou-se uma commodity cada vez mais relevante na composição da receita”, avalia Marini.
A analista vê um momento de elevada volatilidade nos preços. Ela cita a espera pela definição da área plantada nos Estados Unidos, a partir de março, como um dos fatores de incerteza. Além disso, menciona o avanço do plantio norte-americano em abril, as condições climáticas na Argentina e a safra de verão do Brasil.
Diante desse cenário, Marini recomenda que o produtor avance na comercialização e utilize ferramentas de proteção para evitar exposição excessiva a movimentos adversos de preços.
Por: Pasquale Augusto | Fonte: Money Times
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