Projeção indica redução puxada por maior produtividade e possível queda nos custos por tonelada, apesar de cenário ainda incerto para insumos
Os custos de produção de cana-de-açúcar no Brasil devem apresentar queda na safra 2026/27, com redução estimada entre 5% e 7%, segundo análise do Pecege Consultoria e Projetos apresentada pelo sócio-diretor João Rosa (Botão). A projeção considera um cenário de estabilidade nos custos por hectare, aliado ao aumento da produtividade agrícola, o que tende a reduzir o custo por tonelada de cana.
De acordo com os dados apresentados, a formação do canavial para a safra 2026/27 deve ficar na casa de R$ 19.500 por hectare.
Entre os principais componentes desse custo estão:
- Preparo de solo em torno de R$ 5.600 por hectare
- Plantio próximo de R$ 10.200 por hectare
- Tratos culturais da cana-planta na faixa de R$ 3.600 por hectare
Já os tratos culturais da cana-soca devem se manter próximos de R$ 3.700 por hectare, com tendência de estabilidade ou leve queda, influenciada principalmente pelo comportamento dos insumos.
Insumos ainda geram incerteza
Apesar da perspectiva de redução em alguns custos, o cenário ainda é considerado incerto, especialmente em relação aos fertilizantes.
Segundo o especialista, fatores geopolíticos e oscilações recentes no mercado podem impactar diretamente os preços desses insumos ao longo da safra.
Por outro lado, há expectativa de queda nos preços de defensivos, o que contribui para uma visão mais equilibrada dos custos agrícolas.
Operação e logística tendem a ficar mais baratas
Os custos relacionados ao sistema de colheita, que envolvem corte, transbordo, transporte e apoio, devem apresentar leve redução.
A estimativa do Pecege aponta um custo próximo de R$ 47 por tonelada, com transporte em torno de R$ 14,40 por tonelada, considerando um raio médio de 25 quilômetros.
Essa redução é explicada pelo aumento esperado da produtividade agrícola, que dilui os custos operacionais ao longo de um maior volume de produção.
Arrendamento também deve recuar
Outro ponto relevante é o custo de arrendamento, que deve ficar na faixa de R$ 2.000 a R$ 2.100 por hectare.
A queda não está associada à produtividade, mas sim à expectativa de recuo no preço do Consecana, que tende a impactar diretamente os contratos de arrendamento.
Custo por tonelada deve cair
Com a combinação de produtividade maior e custos estáveis ou em leve queda, o custo operacional deve recuar para cerca de R$ 166 por tonelada de cana, abaixo do registrado na safra anterior.
A produtividade considerada na projeção é de aproximadamente 76 toneladas por hectare, fator determinante para a diluição dos custos.
Amostra com mais de 40 empresas reforça tendência
Além das projeções teóricas, o levantamento também considerou uma amostra com mais de 40 empresas do setor, que apresentaram orçamentos para a próxima safra.
Os dados indicam valores médios próximos de R$ 162 por tonelada, reforçando a consistência das estimativas e indicando alinhamento entre mercado e projeções técnicas.
Tendência é positiva, mas com cautela
Apesar do cenário favorável, a análise reforça que o momento ainda exige cautela. O comportamento dos insumos, especialmente fertilizantes, e fatores externos podem alterar as projeções ao longo da safra.
Ainda assim, a expectativa de redução nos custos de produção surge como um dos pontos positivos para o setor sucroenergético, especialmente em um momento de pressão sobre preços e margens.
Por: Maria Reis | Fonte: Pecege Consultoria e Projetos, com base em análise apresentada por João Rosa (Botão) em vídeo divulgado no LinkedIn.
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