Usinas abriram a nova temporada com foco no etanol, afirma a Unica
Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem de cana-de-açúcar nas usinas do Centro-Sul alcançou 19,56 milhões de toneladas, avanço de 19,67% sobre os 16,68 milhões de toneladas processados no mesmo período do ciclo anterior, disse hoje a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).
Ao todo, 195 unidades produtoras estavam em operação ao término da quinzena — 177 com processamento de cana, 10 dedicadas ao etanol de milho e 8 usinas flex —, resultado da entrada de 126 unidades nos primeiros quinze dias de abril, somadas às 52 que haviam iniciado na segunda quinzena de março.
A qualidade da matéria-prima manteve-se estável, com Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) de 103,36 quilos por tonelada, mínima variação de -0,10% ante igual período do ciclo passado.
A Unica ressalta que o setor abriu o novo ciclo com foco no etanol. Apenas 32,93% da cana processada na primeira quinzena foi direcionada à fabricação de açúcar — o restante, mais de dois terços do volume moído, abasteceu a produção do biocombustível. O reflexo direto foi a queda de 11,94% na produção de açúcar, que totalizou 647,21 mil toneladas ante 735,00 mil toneladas registradas no mesmo período da safra anterior.
“Esse movimento reflete as condições de mercado favoráveis ao etanol neste início de safra e, ao mesmo tempo, oferece maior segurança ao abastecimento doméstico em um momento em que inúmeros países enfrentam incertezas energéticas”, destaca Luciano Rodrigues, diretor de inteligência setorial, regulação e competitividade da Unica.
Segundo Marcelo Filho, analista de inteligência de mercado da StoneX, os dados da Unica mostram um início de 2026/27 com moagem acelerando, sustentada por ganhos de produtividade, e um direcionamento maior ao etanol, diante da atratividade do hidratado, especialmente no Centro-Oeste. Ainda assim, a maior oferta de ATR com a moagem mais firme tende a impor limites a esse mix ao longo do ciclo.
“Se o etanol perder competitividade e o açúcar reagir, o incentivo se reequilibra rapidamente. O cenário exige calibração fina das usinas para capturar janelas de preço e evitar pressão simultânea sobre açúcar e etanol”, destaca o analista.
Etanol
A fabricação de etanol pelas unidades do Centro-Sul atingiu 1,23 bilhão de litros nos primeiros quinze dias de abril, alta de 33,32% em relação ao mesmo período do ciclo anterior — 879,87 milhões de litros de hidratado (+18,54%) e 350,20 milhões de litros de anidro. O etanol de milho contribuiu com 411,94 milhões de litros, avanço de 15,06%, respondendo por 33,49% do total produzido no período.
As vendas de etanol na primeira quinzena da safra 2026/2027 totalizaram 1,28 bilhão de litros pelas unidades do Centro-Sul, sendo 820,15 milhões de litros de hidratado e 460,87 milhões de litros de anidro.
No mercado interno, os volumes alcançaram 1,25 bilhão de litros, com hidratado atingindo 819,60 milhões de litros e o anidro em 432,54 milhões de litros. As exportações somaram 28,88 milhões de litros, com crescimento de 18,03%.
O ritmo de vendas tende a se acelerar nas próximas semanas. “A expectativa é de crescimento consistente das vendas à medida que a queda de preço já observada na porta da usina seja transmitida para o consumidor final. Na primeira quinzena de abril, os preços ao consumidor ainda não refletiam o movimento verificado no elo produtor — esse repasse, quando ocorrer, deve ampliar a atratividade do etanol hidratado nos postos”, explica Rodrigues.
Mercado de CBios
Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14,00 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026 pelos produtores de biocombustíveis. O volume disponível para negociação — em posse de partes obrigadas, não obrigadas e emissores — já totaliza 25,13 milhões de créditos.
“Somando os CBios disponíveis para comercialização e os créditos já aposentados para o cumprimento da meta de 2026, o setor produtivo já disponibilizou cerca de 60% dos títulos necessários para o atendimento integral da quantidade exigida pelo RenovaBio ao final deste ano”, destaca Rodrigues.
Por: Paulo Santos | Fonte: Globo Rural
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