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Governo encara crise dos combustíveis como pior que na pandemia e mira fertilizantes

Maria Reis por Maria Reis
10 abril, 2026
em Política e Governo
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Mercado Política e Governo
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Equipe econômica vê risco de crise prolongada no petróleo e avalia efeitos sobre fertilizantes e inflação às vésperas da eleição

Já existe, dentro do governo brasileiro, a percepção de que, diante da ampla destruição da infraestrutura de produção de petróleo, a atual crise dos combustíveis pode ser mais severa e persistente do que a registrada durante a pandemia.

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É com esse cenário em vista, e mirando a eleição de outubro, que as equipes técnicas discutem novas ações para conter os efeitos mais imediatos do conflito, que ainda parece longe do fim no Oriente Médio. Desta vez, o foco está nos fertilizantes.

O país depende majoritariamente de fertilizantes importados. E, embora a maior parte do que o Brasil traz do exterior não passe pelo Estreito de Ormuz, há forte preocupação com uma crise sistêmica no setor.

Em primeiro lugar, porque os maiores produtores estão no Oriente Médio, o que afeta mercados terceiros, concorrentes do Brasil. Em segundo, porque o gás é insumo fundamental para a fabricação de fertilizantes.

“A destruição da infraestrutura de produção de petróleo é grande. Dificilmente a gente volta, no curto prazo, a um patamar de preço do barril abaixo de US$ 100”, disse ao Jota um integrante do alto escalão.

Para essa fonte, isso significaria pelo menos quatro meses de perturbações, “ainda que a guerra acabasse hoje” – o que, na sua avaliação, não vai acontecer. Por isso, a eleição, “que está logo ali”, precisa entrar na balança, segundo interlocutores próximos ao presidente Lula.

A avaliação é de que o momento exige cautela nas medidas de curto prazo, justamente porque a duração da crise e a extensão total dos danos à infraestrutura global ainda são imprevisíveis. Ou seja, é preciso medir o alcance e a eficácia de novas medidas até lá.

Até aqui, o foco esteve em medidas conjunturais para evitar a inflação de curto prazo provocada pela alta do diesel e seus efeitos mais imediatos, como se viu na direção das medidas anunciadas.

No caso dos fertilizantes, a avaliação é de que ainda há uma breve janela sazonal antes de se bater o martelo sobre os próximos passos.

Demanda concentrada

A demanda por fertilizantes no Brasil, segundo fontes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), está concentrada no segundo semestre, diferentemente de outros grandes consumidores, como China e Estados Unidos, que concentram o consumo no primeiro.

Segundo maior produtor mundial de alimentos, o Brasil é um dos principais compradores de fertilizantes, com cerca de 8% do consumo global. Fica atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos.

O consumo nacional de fertilizantes depende, sobretudo, do preço recebido pelos agricultores. Mas também é influenciado pelo preço relativo dos insumos, pela política agrícola, pela expectativa de preços futuros e pela evolução da tecnologia no campo.

Soja, milho e cana-de-açúcar respondem por mais de 73% do consumo de fertilizantes no país. Já alimentos historicamente destinados ao abastecimento do mercado interno, como feijão e arroz, que compõem a cesta básica, são mais suscetíveis à volatilidade dos preços dos insumos agrícolas no mercado internacional.

Um dos argumentos considerados dentro do governo é que a atual crise dos combustíveis pode ser mais severa e persistente do que a da pandemia, dada a distinção técnica entre um choque de demanda, no passado, e um choque de oferta provocado por destruição física, agora.

Na pandemia, houve redução planejada da oferta. No cenário atual, há destruição física da capacidade produtiva. Isso significa que, mesmo com o fim imediato do conflito, a produção não retornará rapidamente aos níveis anteriores.

Como a oferta está fisicamente comprometida, o equilíbrio dos preços só deve ocorrer por meio de uma desaceleração da economia internacional capaz de forçar a redução da demanda.

Sem um desfecho claro para o conflito no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou atrás em seu quarto ultimato ao Irã. Aceitou prorrogar por mais duas semanas o prazo que terminaria na terça-feira, a pedido do Paquistão, que também demandou a Teerã a reabertura do Estreito de Ormuz nesse mesmo período.

Os mercados reagiram bem, mas ainda não se sabe por quanto tempo, já que o primeiro dia do cessar-fogo começou com novos ataques no Oriente Médio. O próprio vice-presidente dos EUA, JD Vance, reconheceu que a trégua é “frágil”. Ainda no primeiro dia de cessar-fogo, Israel disse que o acordo não valia para o Líbano, alvo de ataques. Em seguida, o Irã voltou a bloquear Ormuz.

Por: Vivian Oswald | Fonte: Jota

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