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Lei do etanol reposiciona Paraguai como nova potência da cana na região

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
8 maio, 2026
em Biocombustíveis
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Home Bioenergia Biocombustíveis
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País passa a exigir que mistura na gasolina tenha 50% de biocombustível de cana, o que deve dobrar produção local nos próximos anos e atrair investimentos

A decisão do governo do Paraguai de obrigar que 50% da mistura de etanol adicionada à gasolina seja oriunda da produção de cana-de-açúcar posiciona o país como nova fronteira de expansão para a cana-de-açúcar na América do Sul.

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Desde o ano passado, está em vigor no país um percentual de mistura de etanol de 30% e o biocombustível misturado à gasolina é produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar, que passou a ter prioridade legal na matriz com a nova exigência e foco na produção nacional. O milho segue como fonte complementar, mas perde espaço relativo com a nova política.

Atualmente, o Paraguai produz entre 6 milhões e 7 milhões de toneladas de cana por ano, em uma área estimada em cerca de 90 mil hectares, com produtividade média entre 65 e 75 toneladas por hectare.

Embora não seja um grande produtor o país se posiciona como exportador relevante de açúcar orgânico, apostando em nichos de alto valor agregado e na integração de pequenos produtores.

Aumento de produção

Pelas estimativas do setor, a nova regra vai demandar entre 50% e 100% mais cana nos próximos anos, empurrando o país diretamente para um patamar entre 10 milhões e 15 milhões de toneladas anuais.

“A medida pode beneficiar não apenas a indústria local, mas também atrair investimentos de usinas brasileiras no país vizinho”, estima o analista de mercado da Safras & Mercado, Maurício Muruci.

Em um cenário considerado mais provável pelo setor, com expansão moderada da área cultivada para algo entre 150 mil e 180 mil hectares, a produção poderia alcançar entre 10 milhões e 12 milhões de toneladas anuais, crescimento de até 100% sobre a atual, nos próximos anos.

Embora o país ainda disponha de áreas aptas ao avanço da cultura, sobretudo em regiões hoje ocupadas por pecuária extensiva e lavouras de baixa produtividade, o crescimento tende a ser gradual, regionalizado e condicionado à ampliação da capacidade industrial e à consolidação do mercado de etanol.

Capacidade industrial

O principal limitador, no entanto, não está na disponibilidade de terra, mas na indústria. Diferentemente de culturas como soja ou milho, a cana depende diretamente da proximidade com as usinas.

Hoje, o Paraguai conta com cerca de 12 a 14 unidades industriais, muitas delas com capacidade limitada. No setor, atualmente cada usina processa entre 1 milhão e 3 milhões de toneladas por ano. Na prática, isso significa que o teto atual de crescimento é mais industrial do que agrícola. E isso que nova política de biocombustíveis pode mudar.

Na comparação regional, o potencial paraguaio chama atenção, embora ainda esteja distante da escala brasileira. O Brasil produz entre 600 milhões e 700 milhões de toneladas de cana por ano.

A Argentina gira em torno de 20 milhões de toneladas, enquanto a Bolívia opera próxima de 12 milhões. O Paraguai, em um cenário de expansão factível, poderia alcançar algo entre 10 milhões e 18 milhões de toneladas.

Entidades locais reforçam essa perspectiva de crescimento, embora evitem divulgar projeções. O Centro Azucarero y Alcoholero Paraguayo destaca o peso econômico da cultura e a necessidade de ampliar a base produtiva. Segundo a entidade, cerca de 30 mil agricultores participam da cadeia e aproximadamente 2,6 milhões de toneladas são processadas dentro da base industrial formal.

Na mesma direção, a Cámara Paraguaya de Biocombustibles defende políticas públicas voltadas ao aumento da produção e à atração de investimentos, com o objetivo de posicionar o país como importante fornecedor regional de energia renovável.

Um dado técnico sustenta essas projeções: o Paraguai teria aproximadamente 500 mil hectares aptos ao cultivo de cana. Considerando que hoje apenas cerca de 90 mil hectares são ocupados pela cultura, o potencial agrícola pode ser várias vezes superior ao atual.

Ainda assim, o consenso do setor é que a expansão dependerá menos da terra disponível e mais da capacidade de transformar esse potencial em investimento industrial, logística e demanda firme.

Fonte: CNN Brasil

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