A Tereos fechou o exercício 2025/26 com prejuízo líquido de € 590 milhões, revertendo lucro de € 131 milhões no ciclo anterior. Mas, mais do que o resultado isolado de uma multinacional francesa, o balanço da companhia sinaliza um ponto de atenção para todo o setor sucroenergético: o próximo ciclo pode exigir mais eficiência, controle de custos e proteção de caixa das usinas.
A pressão veio de várias frentes ao mesmo tempo. A receita consolidada caiu para € 5,132 bilhões, o EBITDA ajustado recuou 48%, para € 416 milhões, e o EBIT recorrente caiu de € 405 milhões para € 29 milhões. Segundo a companhia, o desempenho foi afetado pela queda nos preços de venda em todos os segmentos, pela redução de 12% no volume de cana processada no Brasil, pela valorização do euro frente ao dólar e por um impairment não caixa de € 499 milhões.
O ponto mais relevante para a matéria é que a própria Tereos projeta um novo ciclo ainda desafiador. Para 2026/27, o grupo estima EBITDA entre € 275 milhões e € 350 milhões, abaixo dos € 416 milhões registrados em 2025/26, e afirma que seguirá com foco em redução de CAPEX, controle de custos e venda de ativos não estratégicos.
Ou seja: a notícia deixa de ser apenas sobre o rombo contábil e passa a ser sobre como uma das grandes companhias globais do setor está se preparando para atravessar um ambiente de margens mais apertadas.
No Brasil, essa estratégia já aparece na reorganização da operação. A Tereos vendeu a unidade Andrade e passou a concentrar suas atividades de cana em cinco plantas, buscando mais eficiência agrícola, industrial e logística.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro
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