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Ao menos cinco gestoras sinalizam apetite para comprar dívidas da Raízen

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
19 junho, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Setor bioenergético Usinas
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Makalu, Geribá, Laplace e Mapa Capital podem competir com IG4 por créditos da empresa

Gestoras especializadas em ativos problemáticos estão se posicionando para concorrer com o grupo IG4 Capital pelos créditos da Raízen, que tem R$ 65 bilhões em dívidas. A Coluna do Broadcast apurou que Makalu, Geribá, Laplace e Mapa estruturam propostas para assumir dívida de credores da empresa.

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Um dos fundamentos da disputa pelos créditos está na proposta do plano de recuperação extrajudicial, homologado na semana passada, de conversão de 45% das dívidas em ações, as quais têm um valor de mercado extremamente baixo neste momento.

Com a conversão, os credores passarão a ter 80% do capital da Raízen. A depender do valor e do modelo de aquisição dos créditos, aqueles que emprestaram dinheiro para a joint venture da Cosan e da Shell poderiam recuperar um valor maior de recursos e reduzir o “haircut” (desconto) implícito nessa troca.

A visão é também de que, dada a diversidade de credores – bancos, debenturistas e detentores de certificados de depósitos agrícolas (CRAs) –, a conversão resultará em uma corporação sem controle definido, potencialmente, trazendo implicações em sua governança e gestão.

Uma das fontes afirmou que os bancos, nessa conversão, são potencialmente o grupo que poderá restar com um volume maior de ações da Raízen, levando-os a ter ainda mais cadeiras no conselho de administração. “Bancos geralmente não querem ter responsabilidade fiduciária sobre empresas”, disse.

De olho em operações diferentes

Segundo fontes, a Makalu pretende avançar sobre os créditos concedidos às operações de açúcar e etanol da Raízen, dada a experiência com reestruturações no segmento, como as do grupo Virgolino de Oliveira (GVO), grupo Safras e da usina Caeté.

A Geribá Investimentos, por sua vez, estaria olhando para os créditos relacionados às operações de combustíveis. Em abril, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda da subsidiária no Acre da Brasil Biofuels (BBF) para a Japaratinga Participações, ligada à gestora Geribá Investimentos.

Já a gestora Laplace têm mantido conversas essencialmente com bancos credores para dar saída a eles em diferentes estruturas, entre as quais, a criação de um veículo para gestão das ações, em modelo semelhante ao da IG4 na Braskem.

Por sua vez, a Mapa Capital tem a experiência de ter assumido a dívida da Casas Bahia, ao ficar com debêntures que eram do Bradesco e do Banco do Brasil. A gestora então converteu esses papéis em ações e passou a ter 85% da Casas Bahia, assumindo seu controle. O objetivo agora é reestruturar financeiramente e sanear a companhia, o que pode fazer as ações voltarem a subir na B3 e recuperar o valor da varejista.

IG4 apresenta três opções para aquisição

A IG4 apresentou três opções aos credores da Raízen e já dá início a rodada de conversas individuais com bancos e representantes dos detentores de títulos de dívida emitidos no exterior e no Brasil. De acordo com uma fonte próxima à questão, os valores financeiros a serem pagos pelos créditos serão diferentes.

O que a IG4 leva como argumento aos credores é a capacidade de fazer melhor a gestão da empresa, tendo um sócio único controlador da companhia em seu comando, especialmente durante esse período de reestruturação e recuperação de seu valor.

Outro argumento está na potencial minimização das perdas que os credores terão com a conversão, já que as ações da Raízen são negociadas em bolsa em valores extremamente baixos.

As opções são: a aquisição em dinheiro dos créditos, não pelo valor de face, mas por um valor mais próximo ao que a ação é negociada neste momento; a troca por direitos creditórios futuros, implicando a recuperação do crédito quando a ação estiver mais valorizada – modelo Braskem –; e troca por cotas do fundo de investimento (FIP) onde seriam alocadas as ações.

Embora a IG4 vá conduzir conversas individuais, os acordos só serão fechados se houver coesão para que a gestora fique com mais de 50% das ações convertidas. O prazo para a conversão, previsto no plano de recuperação extrajudicial, é março de 2027 e até lá existem diversas condições precedentes já acordadas no mesmo plano para esse desfecho.

Procuradas, as gestoras não comentaram.

Por: Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior | Fonte: O Estado de S. Paulo

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