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CerradinhoBio amplia lucro em 90% em 2025/26 e aposta em etanol de milho

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
19 junho, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 6 minutos
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Home Setor bioenergético Usinas
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Biocombustível produzido a partir do cereal já contribui com 70% do resultado, e a companhia agora planeja ampliar sua capacidade na área

Nascida como uma destilaria de etanol de cana-de-açúcar em Chapadão do Céu (GO) em 2007, a CerradinhoBio se transformou nos últimos anos, investiu em energia, açúcar e milho, e já tem hoje a maior parte de seus resultados decorrentes da produção de etanol feito a partir do grão.

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Na safra passada (2025/26), a companhia registrou uma expansão de 90% em seu lucro líquido, para R$ 372,69 milhões. O negócio de etanol de milho já contribui com 70% do resultado, e a companhia agora planeja ampliar sua capacidade na área.

A moagem de cana-de-açúcar subiu 5% na temporada, para 16,02 milhões de toneladas, enquanto o processamento de milho teve aumento de 4%, indo a 1,51 milhão de toneladas.

Apesar disso, a produção de etanol caiu 13%, para 865 milhões de litros, refletindo a consolidação da produção de açúcar, que somou 415 mil toneladas.

cerradinho 180626 moagem producao

Assim, segundo a companhia, o crescimento do resultado líquido teve contribuição tanto do negócio do etanol de milho quanto de cana, já que a CerradinhoBio aumentou sua produção de açúcar após investimentos em capacidade. No negócio de etanol de milho, o destaque foram os ganhos de eficiência operacional, afirmou Renato Pretti, CEO da companhia, à Globo Rural.

Da receita líquida da companhia na safra passada, de R$ 4,29 bilhões (alta de 16%), metade resultou apenas das vendas de etanol de milho, que cresceram 19% – o negócio de milho também considera as vendas de grãos secos de destilaria (DDG) e óleo de milho.

cerradinho 180626 resultados

Houve também um forte incremento da receita com açúcar VHP, de 176%, para R$ 898 milhões, resultado direto do investimento na expansão da fábrica realizado na safra anterior. E, mesmo com preços baixos no mercado internacional, a companhia conseguiu obter ao fim valores acima dos de mercado por ter feito o hedge de suas exportações antes da ampliação de capacidade ficar pronta.

“Era uma condicionante para seguir no investimento”, contou Pretti. O resultado financeiro do hedge permitiu que a companhia vendesse o açúcar a um preço médio de R$ 2.209 a tonelada na safra passada.

A companhia também entrou na safra 2026/27 e tem previsto para a próxima temporada níveis de preços travados para a exportação de açúcar acima dos patamares atuais de mercado, segundo o executivo. “Temos uma competitividade adicional no mercado”, afirmou o CEO.

Apesar dos bons resultados com açúcar, a CerradinhoBio continua apostando no etanol, e apenas a partir do milho. No início de junho, a companhia começou a operar uma ampliação da fábrica de etanol de milho de Chapadão do Céu.

Após um investimento de R$ 140 milhões no projeto de ampliação, a unidade passou a ter capacidade para processar 1,2 milhão de toneladas de milho ao ano, em relação a 800 mil toneladas anteriormente.

Com isso, Pretti espera que a participação do negócio de milho nos resultados seja ainda maior nesta safra. “Em cinco anos, mudamos a característica da empresa”, ressaltou.

Com a usina flex em Goiás e com uma usina de etanol de milho “puro sangue” em Maracaju (MS), a CerradinhoBio é hoje a terceira maior produtora de etanol de milho do país, atrás apenas de Inpasa e FS.

Para Pretti, a tendência de todo o mercado é que a ampliação da oferta de etanol no Brasil se dê apenas pelo processamento de milho. “O etanol de milho é mais competitivo. São projetos mais leves, mais ágeis, e tem boa sinergia regional com as novas fronteiras agrícolas”, observou. “Já um greenfield de cana é caro, não sei se conta fecha. E não é tao ágil”, ressaltou.

E a CerradinhoBio já tem mais planos de expansão no negócio. A companhia já tem um projeto próximo para ser confirmado de mais uma ampliação da própria planta de etanol de milho de Chapadão do Céu e, também, já começa a fazer as contas de uma futura expansão de sua usina full em Maracaju. Neste caso, porém, a demanda por capital deverá ser maior, o que demanda mais cautela em um ambiente de juros ainda altos, segundo o CEO.

Os planos de expansão, segundo o executivo, estão sendo feitos com o cuidado necessário. Quando a CerradinhoBio fez seu investimento de mais de R$ 1 bilhão na usina de Maracaju, a iniciativa provocou um desequilíbrio em suas métricas financeiras.

O movimento fez com que a empresa, dois anos atrás, tivesse que negociar com bancos e detentores de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) uma permissão para descumprir com métricas de alavancagem para continuar pagando seus compromissos em dia. Na época, a relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) chegou a 4,79 vezes, ante um compromisso contratual de manter o nível em até três vezes.

Esse aperto, porém, ficou para trás. Na safra 2025/26, a companhia registrou um Ebitda de R$ 1,5 bilhão, um Ebit (lucro antes de juros e impostos) de R$ 1 bilhão, e uma dívida líquida de R$ 2,1 bilhões. Ou seja, a companhia encerrou a temporada com uma alavancagem de 1,4 vez, bem distante dos níveis apertados de dois anos atrás, e inferior ao nível de duas vezes do fim da safra 2024/25.

“Aumentamos nosso resultado baseados na questão operacional, e os preços ajudaram. Mesmo assim, continuamos investindo e melhoramos nossa estrutura de capital, com queda de endividamento e redução de alavancagem”, ressaltou Pretti.

Uma das estratégias para manter os investimentos enquanto mantém a estrutura de capital preservada é recorrer a fontes de financiamento mais baratas. Para a expansão recém-concluída em Chapadão do Céu, a companhia obteve recursos do Fundo Clima, do BNDES.

Conforme os números divulgados, os aportes em 2025/26 somaram R$ 929,4 milhões, retração de 3% na comparação safra a safra.

cerradinho 180626 investimento

A expansão da empresa em etanol de milho também fez com que hoje a CerradinhoBio precise recorrer a fontes alternativas de biomassa para abastecer suas usinas com energia, mas o plano é reverter este quadro.

Hoje, 40% da energia consumida na produção já vem de cavaco de madeira. “Temos trabalhado em um projeto de eficiência energética para eliminar a necessidade de biomassa alternativa. Vai depender de quanto de capital alocar e do retorno”, disse.

Por: Camila Souza Ramos | Fonte: Globo Rural com informações adicionais NovaCana

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