Magda Chambriard disse que essa importação será “por enquanto”, e destacou que a companhia estuda como “fazer nesse quinquênio” para ser “autossuficientes em diesel”

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a empresa vai precisar importar diesel em julho, depois de passar abril, maio e junho sem precisar trazer o combustível de outros países. Segundo a executiva, que participa de cerimônia de retomada das obras da fábrica de fertilizantes nitrogenados (UFN-III) em Três Lagoas, essa importação será “por enquanto”.
O país importa o equivalente a cerca de 30% da demanda nacional. Na cerimônia, Chambriard disse que a Petrobras vai estudar como aumentar a capacidade de produção das fábricas de fertilizantes da empresa quando mencionou o aumento da produção de combustível da Refinaria do Nordeste (Rnest) em Pernambuco, que teve produção prevista para 230 mil barris/dia mas “entregou” 300 mil barris/dia.
Nesse momento, Chambriard disse que a Petrobras não precisou importar diesel em abril, maio e junho, meses em que o conflito no Oriente Médio refletiu nos preços do petróleo e dos combustíveis, mas que a estatal terá que importar em julho.
“Por enquanto. Já estamos estudando como vamos fazer nesse quinquênio, para sermos autossuficientes em diesel”, disse Chambriard.
A executiva disse ainda que a estatal está estudando como fazer para dobrar a produção das fábricas de fertilizantes da Petrobras: além da UFN-III, a empresa tem fábricas na Bahia, no Sergipe e no Paraná, todas com operação retomada nos últimos meses. As quatro fábricas somam oferta que corresponde a 35% do total consumido.
“Estamos estudando como transformar 35% em 70%”, disse Chambriard.
Na cerimônia, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Chambriard afirmou que a Petrobras reduziu os custos da retomada da construção da UFN-III em R$ 629 milhões com mudanças no processo de licitação de fornecedores. A UFN-III terá capacidade de produzir 3,6 mil toneladas de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia, produtos destinados à produção dos fertilizantes nitrogenados, usados como nutrientes do solo pelo agronegócio.
Segundo Chambriard, a fábrica do Mato Grosso do Sul teve as obras iniciadas em 2008 e antes das obras prosseguirem, tudo será revisado.
A construção foi suspensa em 2015, com 81% do projeto concluído. A fábrica integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e terá investimentos de R$ 5 bilhões para a finalização.
Chambriard disse ainda que a Petrobras está “pisando no acelerador” com relação a investimentos, que incluem projetos que foram paralisados no passado, mas “com disciplina e olho nos custos. No primeiro trimestre deste ano, disse, a estatal investiu R$ 26,8 bilhões, 25,6% a mais que o apurado em igual período em 2025, e que por conta do maior nível de aportes, a empresa está se aproximando da produção de 3 milhões de barris de petróleo por dia.
“Estamos pisando no acelerador, mas com disciplina de capital, com olho nos custos, porque não pode ser de outra maneira, senão essa aceleração vai fazer mal para nós”, disse.
Por: Fábio Couto | Fonte: Valor Econômico
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