A produção brasileira de biocombustíveis e as pesquisas relacionadas ao tema estavam entre os assuntos tratados entre a equipe de pesquisa da Embrapa Agroenergia e integrantes da delegação chinesa do Instituto de Economia Agrícola e Desenvolvimento (IAED, sigla em inglês) da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS).
Na terça-feira, 28, quatro professores do Instituto – Shiping Mao, Lin Zhang, Jingfei Qian e Xinru Han –, visitaram a unidade e debateram sobre o contexto atual dos dois países na área, com destaque para a questão da relação entre produção de alimentos e produção de energia.
Os chineses entenderam melhor dados relacionados ao crescimento, nos últimos cinco anos, da produção de milho no Brasil, com destaque para o uso dessa matéria-prima na produção de etanol. Hoje, a principal fonte segue sendo a cana-de-açúcar, contudo, principalmente devido às safrinhas, o milho tem ganhado força nesse cenário.
Segundo a pesquisadora Thaís Salum, em 2025, o Brasil produziu 38 bilhões de litros de etanol, sendo que 9,4 bilhões tiveram como matéria-prima o milho, ou seja, quase um quarto da produção total. Isso se deve ao aumento da produção de milho nos últimos anos, principalmente o milho de segunda safra.
Nos últimos 20 anos a produção de milho no país mais do que triplicou. Apesar do aumento da produção, a pesquisadora mostrou que a área plantada só aumentou 1,7 vezes no mesmo período, mostrando que temos potencial para aumentar a produção de etanol de milho sem precisar de grandes expansões na área cultivada.
Os visitantes manifestaram preocupações em relação a como esse cenário poderia competir com a produção de milho voltada para alimentação e exportação.
A apresentação da pesquisadora Simone Mendonça demonstrou que, no Brasil, com tecnologias aplicadas no campo, esse contexto não se mostra preocupante. Ela citou o exemplo de como propriedades onde a produção de milho e álcool gera grãos secos de destilaria (DDG), o que contribui para intensificação da produção de gado com maior liberação de terra para cultivos alimentares.
Outros temas também fizeram parte da discussão, como governança, políticas públicas para biocombustíveis e para redução da emissão de carbono, matriz energética brasileira e produções de biodiesel e combustíveis avançados de aviação (SAF).
Sobre este último, o pesquisador Guilherme Botelho destacou os esforços da pesquisa em novas matérias-primas alternativas, como os óleos de canola e macaúba.
Na China, segundo os representantes da delegação, ainda há muita variação nos índices de mistura de etanol na gasolina (2% a 10%), de província para província, o que demonstra um cenário menos planejado do que o brasileiro.
Segundo o professor Xinru Han, o governo chinês tem se focado mais esforços atualmente em garantir a segurança alimentar do país, o que faz com que a produção de biodiesel hoje na China ainda esteja baseada no aproveitamento de óleo de cozinha. Já o etanol é exclusivamente produzido a partir de grãos de milho considerados impróprios para o consumo.
A delegação chinesa foi recebida na Embrapa Agroenergia pelo chefe-geral Bruno Laviola, pelo chefe de pesquisa e desenvolvimento Richardson Lima, pela chefe de transferência de tecnologia Juliana Evangelista e pelo pesquisador Alexandre Nunes, junto com os demais citados anteriormente.
Por: Cristiane Vasconcelos | Fonte: Embrapa
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