As mudanças no regime de chuvas e a maior ocorrência de eventos climáticos extremos devem tornar a irrigação cada vez mais necessária para a agricultura brasileira. A avaliação foi apresentada por pesquisadores durante o Fórum Mais Milho, promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília. Segundo Lineu Rodrigues, pesquisador da Embrapa Cerrados, a produção de grãos em sequeiro, historicamente competitiva no país, enfrenta um cenário mais desafiador com as alterações climáticas.
O potencial de expansão é significativo. Estudos apresentados durante o evento indicam que o Brasil poderia ampliar sua área irrigada em até 53,4 milhões de hectares no longo prazo. Uma das propostas considera acrescentar cerca de 15,5 milhões de hectares nos próximos 30 anos, sendo 6,4 milhões em regiões onde a implantação da irrigação encontra condições mais favoráveis.
A expansão, entretanto, exigirá investimentos elevados. Segundo Gustavo Goretti, pesquisador nas áreas de irrigação e conservação do solo, seriam necessários entre R$ 100 bilhões e R$ 150 bilhões em recursos privados no longo prazo. Entre os principais entraves estão licenciamento ambiental, outorgas para uso da água, capacidade de armazenamento hídrico e disponibilidade e qualidade da energia elétrica.
Além de permitir maior estabilidade produtiva, a irrigação é apontada como uma ferramenta para reduzir perdas provocadas pelo estresse hídrico e por fenômenos como El Niño e La Niña. Para os pesquisadores, sua expansão precisará ocorrer acompanhada de monitoramento climático, planejamento e uso eficiente da água, criando condições para elevar a produção agrícola sem necessariamente avançar sobre novas áreas.
Fonte: Redação
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