Com preço atual do etanol, ainda vale a pena carregar para entressafra, diz diretor comercial
A Jalles Machado passou a direcionar o máximo de sua moagem de cana-de-açúcar na Usina Santa Vitória, em Minas Gerais, para a produção de açúcar diante da alta da commodity no mercado internacional e dos valores ainda historicamente baixos do etanol, e já antecipa que a próxima safra do Centro-Sul, a 2027/28, também tende a ser mais voltada para o açúcar em geral.
A mudança na Usina Santa Vitória ocorreu no início de agosto, afirmou Henrique Penna de Siqueira, diretor comercial da companhia, em teleconferência de resultados do primeiro trimestre da safra.
“Até fizemos uma fixação [de preços] de boa parte desse volume” adicional de açúcar que está sendo produzido, afirmou. Ainda segundo ele, a usina tinha espaço para a migração, além de um “volume grande de cana”. “Estamos tirando uma produção interessante”, acrescentou.
A mudança foi feita apenas na usina mineira, que está mais próxima do porto, enquanto as usinas da Jalles em Goiás continuam com foco em etanol, já que o Estado oferece incentivo fiscal para a produção do bicombustível.
“A gente está enxergando que a tendência nossa para a safra do ano que vem é ser ‘max’ açucar”, acrescentou.
No caso da Usina Santa Vitória, a empresa vem investindo na ampliação da oferta de cana-de-açúcar desde que comprou a unidade, em 2022. A meta da companhia era alcançar uma produtividade média na unidade de 80 toneladas por hectare nesta safra, mas o marco ainda não deve ser atingido neste ciclo, segundo Rodrigo Penna de Siqueira, diretor financeiro. O atraso deveu-se à seca do ano passado e ajustes no manejo mais lentos do que o esperado inicialmente, explicou.
Mas, até o fim desta safra, a companhia espera apresentar bons resultados nas áreas onde investiu em irrigação com pivô. Nos talhões onde a empresa instalou pivôs, a produtividade registrada ate agora já vem superando os 170 toneladas por hectare, bem acima do esperado inicialmente, de 150 toneladas por hectare, e do patamar mínimo que garantia viabilidade para o investimento em pivô, de 130 toneladas por hectare.
Segundo o diretor financeiro, a empresa tem investido em outras ações para melhorar a produtividade em geral, como irrigação de salvamento, uso de composto orgânico, e troca de áreas por terras mais produtivas. Segundo ele, a região onde está a Usina Santa Vitória tem “abundância” de água e de áreas disponíveis para o cultivo de cana.
Etanol
A Jalles Machado considera que, mesmo com a recente alta dos preços do etanol, ainda está valendo a pena segurar a produção em estoque para vender na entressafra de cana-de-açúcar, afirmou o diretor comercial da companhia.
“Hoje ainda estamos enxergando que os preços de entressafra têm um potencial grande, mas depende da tração da demanda”, comentou. Ainda assim, ele disse que a empresa segue “de olho nos preços”.
“Se o preço de etanol reagir muito nos próximos dias, a gente faz a conta e joga [a comparação com] o carrego [etanol em estoque]”, disse. Segundo ele, se o preço do hidratado pago ao produtor subir para algo perto de R$ 2,80 a R$ 2,85 o litro, “de repente faz sentido vender alguma coisa. Mas a visão agora é d esperar até a entressafra”, afirmou.
De acordo com o diretor comercial, a expectativa que circula no mercado é de que as vendas de hidratado no mercado interno tenham alcançado 830 milhões de litros na primeira quinzena de julho e superado o 1 bilhão de litros na segunda quinzena de julho. Se isso acontecer, ele avaliou que as vendas podem alcançar 2,2 bilhões de litros por mês, o que pode resultar, depois na entressafra, em uma alta de preços maior, “pagando acima do que a gente espera”.
Aprovação do PLP 114/2026 é uma boa notícia
O diretor financeiro da Jalles Machado, Rodrigo Penna Siqueira, disse hoje que a aprovação do projeto de lei complementar 114/2026 na semana passada no Congresso “é uma boa notícia”, mas reclamou da defasagem de preços da gasolina praticada pela Petrobras em relação ao mercado internacional. Ele fez os comentários durante teleconferência sobre os resultados do 1º trimestre da safra 2026/27.
“[Era] um contrassenso, um absurdo dar incentivo para um combustível fossil e deixar o combustível renovável de fora”, afirmou. Segundo, ele, o apoio aprovado no projeto “vai ser importante para o mercado de etanol”.
“Ainda assim, estamos muito defasados” em relação ao mercado internacional, criticou. Ele disse que, embora a Petrobras tenha subido o preço da gasolina A em R$ 0,48 o litro, enquanto recebe subsídio de R$ 0,44 o litro do governo, o preço praticado “ainda tem uma defasagem grande e não deixa de prejudicar um momento bom que seria para o setor de etanol”.
Por: Camila Souza Ramos | Fonte: Globo Rural
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