IRBI destaca trajetória industrial da família, evolução dos equipamentos para análise de cana e confiança no crescimento da bioenergia
A IRBI Máquinas e Equipamentos chegou à Fenasucro & Agrocana em um momento histórico: a celebração de 100 anos de uma trajetória industrial iniciada pela família Biagi em 1926. Em entrevista à Visão Agro, o diretor-presidente Paulo Sérgio Biagi relembrou as origens da companhia, destacou a evolução tecnológica dos equipamentos desenvolvidos para o setor sucroenergético e reforçou a confiança da empresa em um mercado que reúne açúcar, etanol e novas frentes da bioenergia.
A história começou com uma pequena oficina criada pelo avô de Paulo em 1926. Duas décadas depois, em 1946, o negócio passou para Nilo Biagi, pai do atual diretor-presidente, e seu irmão, que deram continuidade à expansão industrial. Em 1957, segundo o executivo, a empresa se tornou a primeira do Noroeste Paulista a contar com uma fundição. Após mudanças na composição familiar ao longo das décadas, Paulo assumiu a companhia em 2003. Atualmente, o grupo reúne a Irmãos Biagi, a IRBI Máquinas e a IRBI Service, voltada à prestação de serviços.
Para o diretor-presidente, alcançar um século de atividade está diretamente relacionado à confiança no setor industrial e à disposição das diferentes gerações para continuar investindo no negócio. “Confiança, fé e muita vontade de trabalhar. Muita vontade de trabalhar naquilo que a gente sempre acreditou”, afirmou. Segundo Paulo, a característica acompanha a família desde as primeiras gerações. “Nós somos uma família investidora em indústria. Nós não investimos em outra coisa. Nós investimos na indústria.”
Ao longo dessa trajetória, a atuação da empresa também acompanhou as transformações do mercado. Em décadas anteriores, a produção esteve fortemente ligada aos frigoríficos e à construção civil, incluindo a fabricação de betoneiras. Com a entrada de Paulo na gestão, a companhia direcionou maior atenção ao setor sucroenergético e passou a desenvolver equipamentos a partir das demandas dos laboratórios de análise de cana. Entre as soluções citadas estão desintegradores, homogeneizadores e a Sonda Oblíqua, equipamento utilizado na coleta de amostras de cana-de-açúcar que passou por sucessivas evoluções tecnológicas. A própria IRBI mantém atualmente equipamentos específicos para preparação de amostras e laboratórios do setor.
Tecnologia e bioenergia
A partir de 2016, segundo Biagi, a empresa também avançou no desenvolvimento de uma solução associada à tecnologia NIR (Near Infrared, ou infravermelho próximo), utilizada para realizar leituras rápidas relacionadas à qualidade do açúcar. Para o executivo, a inovação representa uma transformação na rotina dos laboratórios, ao mesmo tempo em que demonstra como a IRBI procura incorporar novas tecnologias aos equipamentos construídos ao longo de sua história. A análise por infravermelho próximo é aplicada no setor sucroenergético para avaliações rápidas relacionadas à qualidade de matérias-primas e produtos.
A decisão de concentrar esforços no setor sucroenergético, de acordo com Paulo, veio da percepção de que as usinas demandavam novos equipamentos, maior qualidade e evolução tecnológica. Ele também vê perspectivas de longo prazo para uma cadeia que deixou de estar ligada apenas à produção de açúcar e passou a incorporar etanol, geração de energia e biometano. “Nós vamos sempre precisar de açúcar, nós sempre vamos precisar de um combustível melhor, que não polua tanto quanto o petróleo”, disse. Na avaliação do empresário, a diversificação da bioenergia amplia as possibilidades de desenvolvimento industrial e tecnológico para fornecedores especializados.
A Fenasucro & Agrocana acompanha parte importante dessa trajetória. A IRBI participa do evento desde 2009 e, para Biagi, a feira se consolidou como ponto de encontro entre clientes, fornecedores, parceiros e profissionais interessados em novas tecnologias. “Ela só nos trouxe alegria. É uma feira que nos traz clientes, nos traz fornecedores, nos traz muitos amigos”, destacou. A presença internacional também integra esse movimento: durante a entrevista, o executivo ressaltou o envio de equipamentos e sondas para outros países e apontou o interesse de visitantes estrangeiros nas tecnologias desenvolvidas no Brasil.
No estande deste ano, a companhia voltou a apresentar equipamentos que representam diferentes etapas dessa evolução, incluindo desintegradores, homogeneizadores e a Sonda Oblíqua. Um dos exemplos destacados por Paulo é justamente a transformação da sonda, que deixou o sistema hidráulico para adotar uma configuração totalmente eletromecânica, mudança direcionada à redução das necessidades de manutenção e ao aprimoramento da operação. A evolução desse modelo já vinha sendo apresentada pela empresa em edições anteriores da feira.
Ao completar 100 anos em 2026, a IRBI projeta a continuidade desse legado industrial para as próximas gerações da família. Paulo atribui a longevidade da empresa à combinação entre trabalho, investimento e busca permanente por melhorias nos equipamentos. “Nós às vezes passávamos noites pensando na melhoria de equipamentos, e isso nos trouxe toda essa tecnologia”, afirmou. Para o diretor-presidente, a perspectiva é manter as novas gerações ligadas à indústria e dar continuidade a uma história centenária que encontrou no setor bioenergético uma de suas principais frentes de desenvolvimento.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro
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