
O avanço do etanol marítimo pode abrir uma nova frente para o setor sucroenergético de Pernambuco e ainda ampliar o papel do Porto de Suape na transição para combustíveis de menor intensidade de carbono. A proximidade das unidades produtoras, a infraestrutura para movimentação de granéis líquidos e a posição estratégica do estado nas rotas do Atlântico criam condições favoráveis para que Pernambuco acompanhe o desenvolvimento desse mercado.
Para o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, o potencial é expressivo. Segundo estimativa apresentada pelo dirigente, uma participação equivalente a 10% de etanol no mercado mundial de combustíveis marítimos poderia representar uma demanda próxima de 50 bilhões de litros por ano. O cálculo é uma projeção do setor e depende da evolução tecnológica, das regras internacionais e da participação efetiva do etanol entre as alternativas de baixo carbono.
A oportunidade está relacionada ao esforço internacional para reduzir as emissões do transporte marítimo. A Organização Marítima Internacional (IMO) aprovou, em 2025, o chamado IMO Net-Zero Framework, que prevê um padrão global de intensidade de gases de efeito estufa para combustíveis navais e um mecanismo econômico relacionado às emissões. A adoção formal do marco regulatório, no entanto, foi adiada e deve voltar à agenda da organização em 2026. Caso seja adotado, o novo regime deverá entrar em vigor 16 meses depois.
No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também revisa as regras para combustíveis de uso aquaviário. A agência aprovou em julho de 2026 a realização de consulta e audiência públicas para atualizar as especificações desses combustíveis, incluindo a regulamentação de novas alternativas renováveis e sintéticas.
Pernambuco já participa desse movimento por meio de um projeto desenvolvido pela Suape Energia em parceria com a Wärtsilä. O empreendimento utiliza um motogerador de 4 megawatts (MW) projetado para operar majoritariamente com etanol e entrou em fase de validação tecnológica em 2026. A iniciativa poderá servir de referência para projetos de maior escala, com estudos que apontam potencial de expansão para unidades de até 100 MW.
Suape ganha relevância
A infraestrutura do complexo portuário é um dos principais ativos de Pernambuco nessa nova frente energética. Segundo dados oficiais de Suape, o complexo dispõe de 700 mil metros cúbicos de capacidade de tancagem para granéis líquidos, distribuídos em cinco terminais de armazenamento de combustíveis. A estrutura não é exclusiva para etanol, mas oferece uma base logística relevante para uma eventual expansão da movimentação de combustíveis renováveis.
Outro fator apontado pelo setor sucroenergético é a proximidade entre as unidades produtoras e a infraestrutura portuária. De acordo com o Sindaçúcar-PE, as usinas pernambucanas estão próximas dos portos do Recife e de Suape, uma característica que pode favorecer a logística caso a demanda por etanol para a navegação avance.
Para a cadeia sucroenergética, a abertura desse mercado poderia representar uma nova destinação para o etanol e estimular investimentos em armazenagem, distribuição, logística, equipamentos e serviços especializados. Em Pernambuco, o movimento também pode aproximar ainda mais as usinas da Zona da Mata da infraestrutura industrial e portuária de Suape.
O avanço do etanol marítimo, porém, dependerá da definição das regras internacionais, da regulamentação brasileira, da evolução dos motores, da oferta de combustível em escala e da competitividade frente a outras alternativas de baixo carbono. Para Pernambuco, o desafio será transformar suas vantagens produtivas e logísticas em oportunidades comerciais à medida que a transição energética da navegação avance.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro com informações da NovaCana, Folha de Pernambuco e fontes oficiais
Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.














