Os preços do etanol e do açúcar avançaram no mercado brasileiro, impulsionados por fatores que afetam tanto a oferta doméstica quanto as cotações internacionais.
Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as chuvas previstas para setembro no Centro-Sul e a recuperação dos preços do açúcar no mercado externo estão entre os principais fatores por trás do movimento.
A expectativa de precipitações mais intensas pode levar usinas a interromper temporariamente as atividades de moagem, reduzindo a disponibilidade de etanol no mercado.
Ao mesmo tempo, a possibilidade de uma oferta mundial menor de açúcar aumenta a pressão sobre as cotações internacionais e acaba influenciando também os preços praticados no Brasil.
Etanol tem alta consistente no indicador
O levantamento do Cepea/Esalq referente à semana de 24 a 28 de agosto mostrou o etanol hidratado a R$ 2,3116 em média por litro, o que representa uma valorização de 2,44% em relação aos sete dias anteriores.
O anidro, usado na mistura com a gasolina, fechou o período a R$ 2,6046, com aumento de 1,96%.
A instituição associa esse movimento à volta às aulas, que costuma colocar mais carros nas ruas e atrair novos compradores ao mercado físico.
Além disso, o etanol hidratado continua mais barato que a gasolina nos postos, o que leva o consumidor a optar pelo biocombustível e estimula as negociações entre produtores.
Distribuidoras correm atrás de estoque
Ao longo do mês, as distribuidoras tiveram que repor seus volumes e acabaram se sujeitando aos valores fixados pelas usinas, com pouco espaço para negociar.
Como resultado, agosto registrou o maior volume de etanol hidratado negociado pelas usinas paulistas desde janeiro de 2025, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada.
A demanda aquecida e a oferta mais restrita tendem a sustentar os preços do combustível enquanto distribuidoras e usinas disputarem o volume disponível.
Açúcar sobe puxado pelo mercado externo
O açúcar cristal branco fechou a segunda-feira, 31, cotado a R$ 113,75 a saca de 50 quilos, acumulando alta de 24,32% no mês.
Essa alta foi puxada principalmente pelo mercado externo: na semana anterior, os contratos de açúcar bruto com vencimento em outubro chegaram, na Bolsa de Nova York, ao patamar mais elevado desde meados de abril de 2025.
O Cepea também aponta que projeções de menor oferta mundial de açúcar na temporada 2026/27 reforçam essa tendência de valorização.
Oferta mundial entra no radar
A expectativa de uma oferta internacional mais restrita pode continuar influenciando os preços do açúcar no mercado brasileiro.
O desempenho da safra nos principais países produtores será determinante para definir os próximos movimentos das cotações.
Problemas climáticos, alterações na produtividade e mudanças no direcionamento da cana entre açúcar e etanol podem modificar o equilíbrio entre oferta e demanda.
Por: Leticia Florenco | Fonte: Compre Rural
Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.
















