Empresa acaba de ingressar nessa área com a aquisição do negócio que era da Nutrien

A Adecoagro, controlada pela empresa de criptomoedas Tether, registrou um crescimento significativo em sua rentabilidade e suas margens no segundo trimestre, puxadas pelo desempenho do segmento de fertilizantes, área que a empresa acaba de ingressar com a aquisição do negócio que era da Nutrien.
O lucro líquido ajustado do segundo trimestre cresceu 170%, para US$ 29,13 milhões, enquanto seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado aumentou 52,4%, para US$ 172,54 milhões.
Ainda assim, no acumulado do primeiro semestre de 2026, a companhia contabiliza um prejuízo de US$ 5,29 milhões. Já o Ebitda ajustado avançou 60,2%, para 258,34 milhões.

Os fertilizantes, área em que a companhia ingressou no fim do ano passado, já representaram a maior fatia do Ebitda do trimestre, com US$ 121,22 milhões.
Na comparação anual proforma, o Ebitda do negócio de fertilizantes aumentou 109,7%, puxado pelo incremento da produção e pela alta dos preços da ureia em meio à guerra no Oriente Médio.
Segundo a Adecoagro, em uma comparação anual, as vendas do segmento subiram 20,1% no trimestre e 34,4% em seis meses, para US$ 185,47 milhões e US$ 295,77 milhões, respectivamente.

Já o segmento de açúcar, etanol e bioenergia, que historicamente representava a principal fonte de geração de caixa da Adecoagro, no segundo trimestre contribuiu com um Ebitda de US$ 53,226 milhões, uma redução anual de 21,8%.
O resultado refletiu os preços menores de açúcar e a diminuição dos volumes vendidos de açúcar e de etanol, como estratégia para esperar por melhores preços.

Conforme os números divulgados, a moagem da Adecoagro subiu 2,8% no trimestre, para 3,54 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Assim, no acumulado desde janeiro, o volume chega a 5,76 milhões de toneladas, alta de 16,8%, puxado pela recuperação da produtividade
O teor de açúcar total recuperável (ATR), entretanto, caiu 3,8% no trimestre, para 118 kg/t, 5,8% no semestre, indo a 111 kg/t.

Em 20 de julho, a companhia acertou a compra da usina de Caarapó (MS) da Raízen por R$ 760 milhões. A operação já foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas ainda depende do cumprimento de outras condições precedentes, o que a Adecoagro espera que ocorra até 1º de outubro.
Segundo a companhia, a expectativa é que a integração da nova usina ao seu polo de Mato Grosso do Sul “destrave valor adicional do ativo ao processar excedente de cana do cluster e alavancando a experiência operacional”.
O objetivo, segundo a Adecoagro, é que a usina mantenha a empresa como uma das de menor custo operacional do setor, em torno de 10,4 centavos de dólar a libra-peso.
A entrada da Caarapó elevará a capacidade de moagem instalada do grupo para 18 milhões de toneladas por safra.
A companhia ainda registrou um crescimento de 351% em seu Ebitda do segmento de alimentos e agricultura, que inclui produção de grãos, cereais e lácteos, para US$ 4,875 milhões.
Dada a diversificação de seu portfólio, a receita bruta (divulgada como o equivalente à sua receita líquida mais impostos do negócio de açúcar, etanol e energia) do trimestre teve leve queda de 2,1% na comparação anual, para US$ 534,728 milhões.
A dívida líquida da Adecoagro somava US$ 1,687 bilhão no fim do segundo trimestre, um aumento de 141,3% na comparação anual, e de 3,7% em relação ao trimestre anterior. A relação entre dívida líquida e o Ebitda pro forma ficou em 3 vezes, ante 3,2 vezes no trimestre anterior e 3,3 vezes no quarto trimestre do ano passado.

O plano da companhia é “continuar a reduzir o indicador de alavancagem por meio da geração esperada de Ebitda ajustado”, principalmente do negócio de fertilizantes.
Por: Camila Souza Ramos | Fonte: Globo Rural com informações adicionais NovaCana
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