segunda-feira, julho 20, 2026
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
  • NOTÍCIAS
  • EXCLUSIVAS
  • VISION TECH
  • PRÊMIO VISÃO
  • CALENDÁRIO
  • QUEM SOMOS
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
  • NOTÍCIAS
  • EXCLUSIVAS
  • VISION TECH
  • PRÊMIO VISÃO
  • CALENDÁRIO
  • QUEM SOMOS
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
Nenhum resultado
Ver todos os resultados

A produtividade estagnada da cana não é apenas um problema técnico: é um risco à sustentabilidade do negócio

Fabio Palaveri por Fabio Palaveri
19 maio, 2025
em Cana de Açúcar, Leia mais, Sustentabilidade
Tempo de leitura: 6 minutos
A A
0
Home Culturas Cana de Açúcar
Compartilhe no WhatsappShare on TwitterCompartilhe no Linkedin

Por: José Cristóvão Momesso

A cana-de-açúcar ocupa um papel central na matriz energética e agroindustrial brasileira. Porém, mesmo com todo seu protagonismo, o setor sucroenergético convive com um problema crônico e silencioso: a estagnação da produtividade. Esse não é apenas um desafio técnico ou agronômico — é um sinal de alerta sobre a viabilidade econômica, ambiental e reputacional de toda a cadeia produtiva.

Leia mais

No mundo do tarifaço, o Brasil tem questões a resolver, diz Rubens Barbosa

EUA poupam café, carne e petróleo de tarifa ao Brasil; confira lista de isenções

Inadimplência rural atinge 8,8% no 1º trimestre de 2026, recorde da série histórica, aponta Serasa

EUA aplicam tarifa de importação de 25% sobre o Brasil; carnes e café estão entre exceções

Produtividade abaixo do potencial: o retrato do setor

A produtividade média da cana no Brasil oscila entre 65 e 75 toneladas por hectare, segundo dados da Conab e do IBGE. No entanto, em áreas bem manejadas, o potencial técnico pode superar 100 t/ha, considerando uma média de cinco safras ou mais.

Para entender o tamanho do problema, basta comparar o desempenho da cana com outras grandes commodities agrícolas nas últimas duas décadas:

  • Cana-de-açúcar: crescimento médio de 0,6% ao ano
  • Soja: crescimento médio de 2,8% ao ano
  • Milho: crescimento médio de 4,0% ao ano

Enquanto soja e milho caminham com evolução sustentada, a cana patina. As causas são múltiplas e conhecidas:

  • Baixa renovação de áreas improdutivas
  • Compactação do solo
  • Falhas no plantio mecanizado
  • Ação crescente de pragas e doenças como Sphenophorus, broca, cigarrinha, ferrugens, raquitismo e a temida Síndrome da Murcha
  • Déficit hídrico sem gestão das causas estruturais
  • Baixa adoção de tecnologias modernas por hectare cultivado

As ameaças à sustentabilidade: mais do que produtividade

1. Econômica

A queda de produtividade implica diretamente no aumento do custo por tonelada e na redução das margens operacionais. Com menor ATR por hectare, o mix de produção entre açúcar e etanol se torna desequilibrado, forçando decisões comerciais difíceis. Além disso, canaviais antigos e sem renovação têm eficiência reduzida e demandam custos mais altos de manejo.

2. Ambiental

Produzir menos por hectare leva à necessidade de expandir áreas agrícolas, o que pressiona ecossistemas naturais e incentiva o avanço sobre novas fronteiras agrícolas, potencializando o desmatamento. Soma-se a isso o aumento do consumo de insumos por tonelada (fertilizantes, defensivos, diesel), comprometendo os avanços ambientais do setor.

3. Social e reputacional

Empresas que operam abaixo do benchmarking de produtividade enfrentam maior dificuldade para acessar crédito verde, atrair fundos ESG e fechar contratos de longo prazo. Isso afeta diretamente sua imagem institucional perante investidores, compradores e consumidores, num mercado cada vez mais exigente em eficiência e sustentabilidade.

Caminhos para a virada: produtividade com sustentabilidade

A boa notícia é que o setor não precisa inventar soluções — elas já existem e estão disponíveis. O desafio é adotar com coragem e disciplina práticas consolidadas de gestão agrícola de alta performance. Veja os principais caminhos:

✅ 1. Renovação estratégica de áreas

Reformar áreas abaixo de 60 t/ha, utilizando tecnologias adaptadas ao ambiente de produção, com planejamento de recursos voltado para eliminação de pragas, correção de solo e redução de falhas de plantio.

✅ 2. Zoneamento e manejo por ambiente de produção

Otimize o uso de insumos com base em zoneamento agrícola, aplicando estratégias diferenciadas para adubação, escolha de variedades, corretivos, épocas de plantio e colheita.
Ferramentas de agricultura de precisão, como NDVI, mapas de vigor, histórico de produtividade e déficit hídrico, devem ser incorporadas às decisões operacionais.

✅ 3. Intensificação do controle biológico e manejo integrado de pragas

O controle biológico, quando bem manejado, reduz perdas invisíveis e prolonga a longevidade dos canaviais, colaborando diretamente para uma agricultura mais limpa e eficiente.

✅ 4. Controle de compactação e mecanização eficiente

Implantar práticas como a Agricultura de Tráfego Controlado (CTF) e garantir plantio mecanizado de alta qualidade são medidas cruciais para reverter compactações prejudiciais ao desenvolvimento radicular.

✅ 5. Gestão do plantio e colheita com protocolos e janelas ideais

O sucesso produtivo depende de calendarizar o plantio com base em previsões climáticas, integrando rotação de culturas com espécies que protejam o solo e os recursos hídricos, evitando erosões e degradação.

✅ 6. Qualificação de lideranças e equipes técnicas

Alcançar alta performance exige decisões técnicas no tempo certo, com autonomia operacional, dados confiáveis e visão estratégica. Times bem formados são essenciais para aplicar e manter protocolos de alta eficiência.

Mais do que limpa, a cana precisa ser eficiente

O setor já fez avanços importantes no campo da sustentabilidade ambiental. O uso crescente de defensivos biológicos, por exemplo, é um avanço inegável. No entanto, eficiência técnica e aumento de produtividade por hectare ainda são desafios urgentes.

“Estamos transformando a cana em uma cultura mais limpa, mas ainda não em uma cultura mais produtiva. O uso de biológicos é um avanço inegável, mas ele não substitui o desafio da eficiência técnica que precisa buscar fazer ‘mais com menos’, por hectare.”

Se o setor quiser atrair capital verde, consolidar competitividade internacional e garantir legitimidade ambiental, é fundamental provar que é sustentável — e também eficiente.

“No agro do futuro, produtividade não é mais só uma meta agrícola: é pré-requisito para viabilidade financeira, reputação de mercado e acesso ao capital.”

A cana-de-açúcar precisa virar essa chave — ou corre o risco de ser ultrapassada por outras culturas que já fizeram isso.

Sobre o autor

José Cristóvão Momesso é engenheiro agrônomo pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), mestre em Agronomia pela UNESP e possui MBA em Gestão do Agronegócio pela FEA-USP. Especialista em Administração Agroindustrial (UNAERP), é também Engenheiro de Segurança do Trabalho e Conselheiro certificado pela Board Academy. Acumula 6 prêmios regionais de produtividade, além do prêmio nacional Canassauro 2024 (UDOP) em Gestão Técnica.

SendTweetCompartilhar
Artigo anteiror

Brasil é modelo para Índia em biocombustíveis, diz ministro indiano dos transportes

Próximo post

Preço da soja inicia semana em alta no Brasil

Fabio Palaveri

Fabio Palaveri

Notícias Relacionadas

No mundo do tarifaço, o Brasil tem questões a resolver, diz Rubens Barbosa

No mundo do tarifaço, o Brasil tem questões a resolver, diz Rubens Barbosa

20 julho, 2026
EUA poupam café, carne e petróleo de tarifa ao Brasil; confira lista de isenções

EUA poupam café, carne e petróleo de tarifa ao Brasil; confira lista de isenções

20 julho, 2026
Inadimplência rural atinge 8,8% no 1º trimestre de 2026, recorde da série histórica, aponta Serasa

Inadimplência rural atinge 8,8% no 1º trimestre de 2026, recorde da série histórica, aponta Serasa

17 julho, 2026
EUA aplicam tarifa de importação de 25% sobre o Brasil; carnes e café estão entre exceções

EUA aplicam tarifa de importação de 25% sobre o Brasil; carnes e café estão entre exceções

17 julho, 2026
Lucro líquido da Camil Alimentos cai 57,6% no 1º trimestre de 2026, para R$ 28 milhões

Lucro líquido da Camil Alimentos cai 57,6% no 1º trimestre de 2026, para R$ 28 milhões

17 julho, 2026
IA revoluciona o monitoramento de pragas na cana-de-açúcar

Comvap inicia safra 2026/27 com expectativa de moer 1,5 milhão de toneladas de cana

16 julho, 2026
Ambipar testa biocombustível marítimo que pode reduzir em até 99% as emissões de carbono

Primeiro navio abastecido com etanol brasileiro parte em impulso aos biocombustíveis

16 julho, 2026
Etanol de milho tem momento ‘menos favorável’, avalia XP

Aumento da mistura na gasolina deve demandar 300 mi litros de etanol de milho

16 julho, 2026
Manejo eficiente pode reduzir emissões de óxido nitroso no setor sucroenergético

Preço do açúcar fica estável no Brasil, enquanto etanol volta a recuar

16 julho, 2026
Investimento em produção de petróleo e gás sobe 150% em 2024 ante 2022, diz ANP

Escalada do petróleo já pressiona os preços dos derivados importados, diz Abicom

15 julho, 2026
Carregar mais
Próximo post
Preço da soja inicia semana em alta no Brasil

Preço da soja inicia semana em alta no Brasil

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas da semana

  • Trending
15º Prêmio Visão Agro Centro-Sul reuniu lideranças da bioenergia em Piracicaba

15º Prêmio Visão Agro Centro-Sul reuniu lideranças da bioenergia em Piracicaba

16 julho, 2026
Produtividade e qualidade da cana do Centro-Sul caem em junho, aponta CTC

MP pede laudos para avaliar se usina da BP Bioenergy causou dano ambiental em TO

14 julho, 2026
Prêmio Visão Agro Centro-Sul caminha para sua 15ª edição, em Piracicaba

É hoje: 15º Prêmio Visão Agro Centro-Sul celebra destaques da bioenergia

14 julho, 2026
Smar conquista o 15º Prêmio Visão Agro Centro-Sul na categoria Automação Industrial

Smar conquista Prêmio Visão Agro Centro-Sul na categoria Automação Industrial

16 julho, 2026
Centro-Sul deve moer 598,8 mi t de cana na safra 2025/26, queda de 3,7%, avalia StoneX

Usina da BP Bioenergy em TO pode perder certificação no RenovaBio se dano for provado

15 julho, 2026
LinkedIn Instagram Twitter Youtube Facebook

CONTATO
(16) 3945-5934
atendimento@visaoagro.com.br
jornalismo@visaoagro.com.br
comercial@visaoagro.com.br

VEJA TAMBÉM

  • Prêmio Visão Agro
  • Vision Tech Summit 
  • AR Empreendimentos

Todos os direitos reservados 2024 © A R EMPREENDIMENTOS COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA – CNPJ: 05.871.190/0001-36

Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Bioenergia
    • Biocombustíveis
    • Biogás
    • Biomassa
    • Energia renovável
    • Usinas
  • Mundo Agro
    • Cooperativismo
    • Sustentabilidade
    • Tecnologia
  • Mercado
    • Clima
    • Economia
    • Geopolítica
    • Internacional
    • Negócios
    • Política e Governo
    • Transporte
  • Culturas
    • Algodão
    • Café
    • Cana de Açúcar
    • Fruticultura
    • Grãos
    • Milho
    • Pecuária
    • Soja
    • Trigo
  • Insumos agrícolas
    • Adubos e fertilizantes
    • Biológicos e Bioinsumos
    • Defensivos Agrícolas
    • Implementos Agrícolas
    • Irrigação
    • Máquinas agrícolas
  • Eventos Visão Agro
    • Vision Tech Summit – Indústria do Amanhã
    • Prêmio Visão Agro Brasil
    • Vision Tech Summit – Agro
    • Prêmio Visão Agro Centro – Sul
  • Em destaque
  • Leia mais

Todos os direitos reservados 2024 © A R EMPREENDIMENTOS COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA – CNPJ: 05.871.190/0001-36